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Cimeira UE-China: à procura de "neutralidade ativa" de Pequim

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De  Pedro Sacadura
Cimeira União Europeia - China é a primeira a acontecer desde 2020
Cimeira União Europeia - China é a primeira a acontecer desde 2020   -   Direitos de autor  John Thys/The Associated Press

A invasão russa da Ucrânia será o prato forte da aguardada cimeira virtual desta sexta-feira, entre a União Europeia (UE) e a China.

O primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, e o presidente Xi Jinping vão reunir-se, por videoconferência, com os presidentes da Comissão Europeia e do Conselho Europeu, Ursula von der Leyen e Charles Michel, pela primeira vez desde 2020. O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, também estará presente no encontro.

Do lado do bloco, esta é uma oportunidade para explicar claramente à China a posição da UE em relação ao conflito, esperando-se, de acordo com fontes europeias, que Pequim passe de uma "neutralidade passiva" a uma "neutralidade ativa."

Mas a vontade manifestada pela China - de trabalhar com a Rússia - ensombra os planos europeus para fazer pressão pela importante neutralidade chinesa no conflito.

As relações bilaterais, alertam os especialistas, podem tornar-se ainda mais turbulentas no futuro próximo.

"Não vejo - sem se avançar neste ponto [da guerra na Ucrânia] - como é que se pode avançar ou progredir em outras matérias. (...) Este conflito, e o facto de estarmos em lados diferentes, pode contaminar outros problemas que afetaram a relação entre a União Europeia e a China nos últimos dois ou três anos. Na verdade, a minha avaliação é que há uma tendência de queda negativa nas relações entre a União Europeia e a China”, sublinhou, em entrevista à Euronews, Ricardo Borges de Castro, Diretor Associado e Chefe da Europa no programa Mundial do think tank European Policy Centre.

Com a guerra na Europa como pano de fundo, a China anunciou intenções de desenvolver laços bilaterais "ainda mais firmes" com a Rússia durante um encontro entre os ministros dos Negócios Estrangeiros dos dois países, esta quarta-feira.

Por outro lado, amanhã, durante a cimeira, deverão ouvir-se avisos de Bruxelas de que Pequim enfrentará "consequências", se ajudar Moscovo a contornar as sanções do bloco e se garantir apoio militar.

No final do encontro não se espera uma declaração conjunta.

"Pelo que entendo, não haverá uma declaração conjunta porque, provavelmente, não conseguirão encontrar as mesmas palavras, para se pronunciarem sobre a Ucrânia. Neste momento, não consigo imaginar uma declaração resultante de uma cimeira europeia que não comece com uma referência à agressão da Rússia na Ucrânia. (...) Os líderes europeus dirão que basicamente transmitiram uma mensagem à China sobre a importância deste momento e sobre as consequências potenciais que isso pode ter para a relação entre a União Europeia e a China “, ascrecentou Ricardo Borges de Castro.

Além da guerra, também se discutirá a questão espinhosa do respeito pelos direitos humanos da minoria muçulmana uígure na província chinesa de Xinjiang, a par de um acordo de investimento entre os dois blocos, que está em coma induzido.

O Acordo Compreensivo de Investimento (CAI no acrónimo em inglês) foi acertado em dezembro de 2020, mas nunca ratificado, por causa de contra sanções impostas pela China a eurodeputados.

Durante a cimeira vão ainda discutir-se questões relacionadas com as alterações climáticas, biodiversidade e saúde.

No ar paira uma dúvida: o que é que se segue nas relações União Europeia-China?