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Estados Unidos: Moody's diz que recessão é cada vez mais difícil de evitar com guerra no Irão

Cliente tira o recibo numa estação de serviço em Portland, Oregon, EUA, 16 de março de 2026
Um cliente tira o recibo num posto de combustível em Portland, Oregon, EUA, 16 de março de 2026 Direitos de autor  AP Photo/Jenny Kane
Direitos de autor AP Photo/Jenny Kane
De Quirino Mealha
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Modelo da Moody's Analytics aponta 49% de probabilidade de recessão nos EUA nos próximos 12 meses, valor mais elevado dos últimos anos

A influente agência financeira Moody's alertou que o seu principal modelo económico baseado em inteligência artificial atribuía, antes do início da guerra no Irão, uma probabilidade de 49% a uma recessão nos Estados Unidos nos próximos 12 meses, avisando que os preços elevados do petróleo devem agora fazer esse valor ultrapassar os 50%.

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A empresa salientou ainda que o modelo tem um sólido histórico e que a probabilidade atual de recessão é a mais elevada dos últimos anos.

A Euronews falou com o economista-chefe da Moody's Analytics, Mark Zandi, que explicou que "por detrás da recente subida estão sobretudo os números fracos do mercado de trabalho, mas praticamente todos os indicadores económicos abrandaram desde o final do ano passado".

Além disso, a sensibilidade do modelo aos custos da energia não é acaso. Todas as recessões nos EUA desde a Segunda Guerra Mundial, à exceção da queda provocada pela pandemia de Covid-19, foram antecedidas por um disparo dos preços do petróleo.

Embora os EUA produzam hoje praticamente tanto crude como consomem, Zandi esclareceu porque é que os preços mais altos continuam a pesar.

"Preços mais elevados do petróleo penalizam muito mais os consumidores norte-americanos e levam-nos a ficar mais cautelosos nos gastos, muito mais depressa do que conseguem convencer os produtores de petróleo dos EUA a aumentar o investimento e a produção", notou o economista.

Como mostrou recentemente uma análise da Euronews, os mercados podem estar a subestimar o potencial da guerra no Irão para perturbar os mercados globais de energia e, consequentemente, prejudicar a economia mundial, sobretudo se o conflito se arrastar.

O estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial, continua bloqueado à data de escrita deste artigo e a guerra no Irão não tem ainda fim à vista. A referência norte-americana para o crude está atualmente a ser negociada a 94 dólares por barril.

Zandi disse à Euronews que é pouco provável que os produtores norte-americanos acelerem rapidamente a produção, porque veem esta subida de preços como temporária.

"Estamos ainda longe do ponto em que mais investimento e contratações consigam compensar a dor sentida pelos consumidores", afirmou.

Estados Unidos: fragilidade do mercado de trabalho alimenta receios de recessão

Segundo Zandi, a fraqueza do emprego é o principal fator a aumentar a probabilidade de recessão nos EUA.

"O emprego em fevereiro caiu e tem andado praticamente estagnado ao longo do último ano. O emprego é a melhor medida da atividade económica coincidente", explicou o economista, apontando também para outros sinais de fraqueza, como a queda dos licenciamentos para construção de habitação e o recuo da confiança dos consumidores.

Dezasseis dos últimos 19 relatórios sobre o emprego, publicados pelo Gabinete de Estatísticas Laborais dos EUA (BLS), sofreram revisões em baixa pouco depois de divulgados, o maior número desde 2008.

Questionado sobre este dado e sobre a aparente falta de fiabilidade das estatísticas do mercado de trabalho norte-americano, Zandi notou que "seja como for, isto sugere que o mercado de trabalho está ainda mais fraco e que os riscos de recessão são ainda maiores do que indicam os dados atuais".

O Presidente Trump fala com o diretor da fábrica da Ford durante uma visita à unidade em Dearborn, Michigan, EUA, jan. de 2026
O Presidente Trump fala com o diretor da fábrica da Ford durante uma visita à unidade em Dearborn, Michigan, EUA, jan. de 2026 AP Photo

No entanto, o economista-chefe da Moody's acrescentou uma importante ressalva: "se o mercado de trabalho conseguir, de alguma forma, aguentar-se, não creio que a inflação mais alta, por si só, seja suficiente para empurrar a economia dos EUA para uma recessão".

Zandi especificou que são os custos da energia em alta, devido à guerra no Irão, combinados com um mercado de trabalho em deterioração, como sugerem os dados do BLS, que podem acabar por causar uma "desaceleração do consumo que, por sua vez, leva as empresas a recuar e a despedir trabalhadores, acabando por desencadear um ciclo negativo autoalimentado".

Reconhecendo que muitos economistas se tornaram relutantes em prever recessões depois de anteriores falsos alarmes, Zandi considera que, se os preços do petróleo se mantiverem nos níveis atuais por mais algumas semanas e após o ciclo de aperto da Reserva Federal, restam poucas vias de escape sem apoio de políticas públicas ou uma desescalada no Médio Oriente.

A combinação da ausência de criação de emprego com pressões de custos ligadas à energia deixa a economia dos EUA vulnerável a uma desaceleração autoalimentada.

Guerra no Irão: impacto na economia mundial

Uma recessão nos Estados Unidos deverá pesar na economia da UE, ao reduzir a procura por exportações europeias, apertar as condições financeiras e travar o crescimento no conjunto do bloco, embora a resiliência europeia e ligações comerciais mais diversificadas possam ajudar a limitar os danos.

Segundo Kristalina Georgieva, diretora-geral do FMI, cada aumento de 10% no preço do petróleo, se se mantiver durante a maior parte do ano, fará subir a inflação global em 0,4% e reduzirá o produto económico mundial em até 0,2%.

Num relatório recente, a Oxford Economics identificou os 140 dólares por barril como o limiar a partir do qual a economia mundial resvala para uma recessão ligeira, reduzindo o PIB global em 0,7% até ao final do ano e empurrando o Reino Unido, a Zona Euro e o Japão para a contração.

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