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Parlamento Europeu aprova rótulo "verde" para gás e energia nuclear

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De  Euronews
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Eurodeputados disseram sim à inclusão do gás natural e da energia nuclear na taxonomia verde da UE
Eurodeputados disseram sim à inclusão do gás natural e da energia nuclear na taxonomia verde da UE   -   Direitos de autor  Jean-Francois Badias/Copyright 2022 The Associated Press. All rights reserved.

O Parlamento Europeu votou, esta quarta-feira, em Estrasburgo, a favor de uma proposta de Bruxelas para atribuir o rótulo "verde" a projetos de gás natural e energia nuclear.

O plano, apresentado em janeiro pela Comissão Europeia, para classificar investimentos nestas fontes de energia como sustentáveis, é tudo menos consensual.

Mas os eurodeputados acabaram, no entanto, por rejeitar uma moção para se opor à inclusão das mesmas como atividades económicas ambientalmente sustentáveis. Os votos contra a objeção foram 328. A favor somaram-se 278.

A nova classificação, denominada "taxonomia", deverá favorecer o investimento privado em projetos de gás natural e de energia nuclear, numa altura em que a transição para as energias renováveis encontra diversos obstáculos a atrasar o processo.

Para obterem a nova classificação amiga do ambiente, as centrais nucleares não podem emitir dióxido de carbono, na origem do aquecimento global, e as de gás têm de utilizar as tecnologias mais recentes. O gás natural produz CO2, mas é visto como um combustível de transição para deixar o carvão.

Os ecologistas falam em retrocesso.

"É um desastre para o Pacto Ecológico Europeu. Se se quiser perder credibilidade dando um tiro no próprio pé, é precisamente isto que tem de se fazer", sublinhou, em entrevista à Euronews, Philippe Lamberts, co-presidente do Grupo dos Verdes/Aliança Livre Europeia no Parlamento Europeu.

Muitos grupos políticos estavam divididos por causa de interesses nacionais, até porque Estados-membros como a Alemanha ou França, por exemplo, estão dependentes dessas fontes de energia.

Para os defensores da ideia este é um mal necessário.

"Penso que reflete a necessidade. O gás só é possível para substituir o carvão, apenas com as melhores tecnologias disponíveis. Em relação ao nuclear, é arriscado. É por isso que não está na categoria verde mas é uma energia descarbonizada. É por isso que é útil para a luta contra as alterações climáticas", acrescentou Pascal Canfin, eurodeputado francês do grupo Renovar a Europa.

Organizações ambientalistas protestaram contra a proposta da chamada taxonomia que apelidaram como uma operação de greenwashing (lavagem de energias poluentes).

Áustria e Luxemburgo anunciaram que vão desafiar a decisão em tribunal.

Só uma decisão judicial, a par da oposição de uma maioria qualificada reforçada de 20 dos 27 Estados-membros da União Europeia - que não se verifica - poderá impedir a entrada em vigor da proposta.

À falta de um veto do Conselho da União Europeia ao sistema de classificação até 11 de julho, a taxonomia entrará em vigor a partir de 1 de janeiro de 2023.