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Hidrogénio de origem nuclear cria crispação na política energética da UE

As centrais nucleares libertam vapor de água e não CO2 para a atmosfera
As centrais nucleares libertam vapor de água e não CO2 para a atmosfera Direitos de autor Laurent Cipriani/Copyright 2022 The AP. All rights reserved
Direitos de autor Laurent Cipriani/Copyright 2022 The AP. All rights reserved
De  Jorge LiboreiroIsabel Marques da Silva
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A UE quer assegurar que 45% do seu consumo energético é proveniente de fontes renováveis até 2030, de forma coletiva.

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O hidrogénio de origem nuclear deve ser classificado com uma energia renovável e não poluente? Esta é a questão que abriu uma nova frente de crispação entre os Estados-membros da União Europeia (UE) na construção de uma nova política energética para o bloco.

O hidrogénio é visto como elemento crucial para ajudar a UE a reduzir, por um lado, a dependência dos combustíveis fósseis importados e, por outro, a emissão de gases poluentes até um ponto de neutralidade climática, em 2050.

Esta fonte de energia poderá ser muito importante nos setores dos transportes, fertilizantes, eletricidade, entre outros. A grande maioria do hidrogénio atualmente produzido tem por base o gás natural, um combustível poluente.

A Comissão Europeia  está empenhada em promover a produção de hidrogénio com base em fontes de energia renovável, como é o exemplo da eletricidade obtida do vento, do sol e da água.

As metas ambiciosas

A UE quer assegurar que 45% do seu consumo energético é proveniente de fontes renováveis até 2030, de forma coletiva, mesmo que alguns países avancem mais depressa do que outros e escolham o seu próprio "mix" energético.

A Comissão Europeia propôs que o chamado hidrogénio renovável conte para essas metas e o debate está a ser complexo entre os países, bem como com o Parlamento Europeu.

Um grupo de países, liderado pela França, está a pressionar para que o hidrogénio obtido com energia nuclear tenha a classificação de renovável para ser usados na indústria e nos transportes. Além da França, a ideia tem o apoio da Bulgária, Croácia, Chéquia, Hungria, Polónia, Roménia, Eslováquia e Eslovénia.

Os países falaram de hidrogénio "com baixo teor de carbono", uma referência codificada ao nuclear, e apresentaram os seus argumentos com base na "neutralidade tecnológica" e na soberania nacional para conceberem as suas respetivas políticas energéticas.

Mas a carta que subscreveram foi contraposta com uma carta crítica dessa ideia, assinada pela Áustria, Dinamarca, Alemanha, Irlanda, Luxemburgo, Portugal e Espanha.

"Incluir a energia com baixo teor de carbono nos objetivos de fontes renováveis vai reduzir os esforços e abrandar o investimento na tão necessária capacidade adicional renovável", escreveram estes países.

Cada lado tem votos suficientes para formar uma minoria de bloqueio e assim impedir a aprovação da directiva revista sobre Energias Renováveis.

A opção nuclear

Ao abrigo da atual legislação da UE, a energia nuclear não é considerada renovável porque os reatores são alimentados com urânio, um elemento químico metálico que sofre fissão nuclear e se transforma em resíduos radioativos que permanecem perigosos durante milhares de anos.

Além disso, a extração e refinação de urânio são processos de grande intensidade energética.

As centrais nucleares, contudo, são vistas como de baixo teor de carbono porque, ao contrário das centrais a gás e a carvão, libertam vapor de água e não CO2 para a atmosfera.

Este atributo particular é utilizado pelos Estados pró-nucleares para defenderem esta tecnologia no reforço da independência energética, redução da poluição e assegurar que os países tenham sempre uma fonte de reserva no caso de fenómenos meteorológicos reduzirem a produção de energia solar, eólica e hidroelétrica.

Esta argumentação, porém, não conseguiu convencer o grupo anti-nuclear, que insiste que o setor não deve desempenhar um papel numa sociedade neutra do ponto de vista climático. O hidrogénio representa um novo capítulo neste debate.

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As várias fações

Tal foi evidente na reunião de ministros da Energia e Transportes, terça-feira, em Bruxelas. 

A Itália, os Países Baixos e a Bélgica participaram como "observadores" numa reunião pró-nuclear. Países Baixos e Itália foram, depois, convidados para uma sessão organizada pela Áustria, muito crítica do nuclear.

Todos os olhares se viram para a França, um país que obtém mais de dois terços da sua eletricidade de centrais nucleares e é considerado o principal promotor por detrás do hidrogénio com baixo teor de carbono.

"Podemos tentar encontrar uma solução para os franceses, mas o nuclear não é ecológico. Lamentamos", disse Teresa Ribera, ministra espanhola.

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Claude Turmes, governante do Luxemburgo, denunciou aquilo a que chamou de "rapto" por parte do governo francês.

Falando aos jornalistas, a ministra francesa Agnès Pannier-Runacher, disse que o seu país não estava a tentar colocar o nuclear "em pé de igualdade" com as energias renováveis, mas sublinhou que o setor tinha um "papel importante" a desempenhar na transição.

"Começa a haver uma consciência coletiva de que a questão não é opor a energia nuclear às energias renováveis. A questão é considerar todas as alavancas que nos podem permitir alcançar a neutralidade de carbono e reduzir o nosso consumo ou as nossas emissões de CO2 até 2030, com toda a caixa de ferramentas disponível", disse Pannier-Runacher.

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