Líderes da UE debatem meios para "economia de guerra" e ajuda à Ucrânia

Os líderes da UE debatem como obter mais verbas para aumentar a capacidade de defesa
Os líderes da UE debatem como obter mais verbas para aumentar a capacidade de defesa Direitos de autor European Union
De  Isabel Marques da Silva com AP
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Usar ou não usar os lucros extraordinários derivados dos ativos financeiros russos congelados na Europa para ajudar a Ucrânia a defender-se? Esta é uma das questões centrais na cimeira da União Europeia (UE), que começou quinta-feira, em Bruxelas.

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"Estou absolutamente certo de que estamos a enviar aqui um sinal muito claro a Putin. Ele calculou mal se acredita que não seremos capazes de apoiar a Ucrânia durante o tempo necessário. E a utilização de lucros dos ativos é uma medida pequena, mas importante", disse Olaf Scholz, chanceler da Alemanha, aos jornalistas.

Nem todos os chefes de Estado e de governo estão convencidos desta ideia, face a questões de natireza jurídicas. Quando a guerra começou, a UE bloqueou cerca de 210 mil milhões de euros do Banco Central da Rússia depositados em instituições financeiras na Europa.

Parte dos juros gerados poderiam permitir enviar cerca de três mil milhões de euros, por ano, para a Ucrânia, e o dinheiro que poderá ter duas aplicações, segundo alguns líderes.

“Penso que não deveria contribuir apenas para a reconstrução da Ucrânia, mas também para as necessidades de defesa da Ucrânia”, referiu Gitanas Nauseda, presidente da Lituânia.

É absolutamente claro que, se a Europa quiser realmente permanecer defensivamente blindada, terá de procurar novas formas de financiar as despesas de defesa.
Kyriakos Mitsotakis
Primeiro-ministro, Grécia

Um pequeno grupo de países membros, nomeadamente a Hungria,recusa-se a fornecer armas à Ucrânia, pelo  que estes lucros extraordinários deverão ser divididos. Cerca de 90% do dinheiro seria colocado num fundo especial que muitos países da UE já utilizam para serem reembolsados pelas armas e munições que enviam.

Os outros 10% seriam colocados no orçamento da UE para ajudar a reforçar a indústria de defesa da Ucrânia. Os membros que se oponham ao envio de armas poderão, então, alegar que não estão a armar o país.

Falando aos líderes através de videoconferência, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, instou-os a fornecer mais projéteis de artilharia e sistemas de defesa aérea, após um ataque noturno com mísseis à capital Kiev.

“Infelizmente, o uso de artilharia na linha da frente pelos nossos soldados é humilhante para a Europa, no sentido de que a Europa pode fornecer mais. E é crucial prová-lo agora”, disse, acrescentando que os actuais “sistemas de defesa aérea da Ucrânia não são suficientes para proteger todo o nosso território do terror russo”.

O primeiro-ministro belga, Alexander De Croo, cujo país detém atualmente a presidência rotativa da UE, disse que “a primeira necessidade são as munições. É claro que adoraria investir na reconstrução, mas é um pouco inútil investir na reconstrução se corremos o risco de perder o país.”

As euro-obrigações de guerra?

O bloco europeu também discute como obter mais verbas para aumentar a capacidade de defesa, investindo na sua indústria de armamento. O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, disse que a Europa precisa de se preparar com uma "economia de guerra".

Uma das propostas é a emissão das chamas euro-obrigações (dívida conjunta), algo que divide os Estados-membros. A Alemanha e os Países Baixos são dos mais reticentes, a França e a Grécia são dos mais entusiastas.

"É absolutamente claro que, se a Europa quiser realmente permanecer defensivamente blindada, terá de procurar novas formas de financiar as despesas de defesa. E aqui estou a referir-me especificamente à possibilidade de a Europa poder emitir euro-obrigações, que serão utilizadas exclusivamente para armamento de defesa", explicou Kyriakos Mitsotakis, primeiro-ministro da Grécia.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, participou no início da cimeira, para falar, sobretudo, da crise na Faixa de Gaza. Em debate vai estar o apelo a "uma pausa humanitária imediata que conduza a um cessar-fogo sustentável", mas alguns países mais alinhados com Israel poderão pedir uma declaração menos ambiciosa.

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