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"Não têm problema em matar para fugir". Quem são os cinco reclusos que escaparam de Vale de Judeus

Cinco reclusos que fugiram da prisão de Vale de Judeus continuam desaparecidos
Cinco reclusos que fugiram da prisão de Vale de Judeus continuam desaparecidos Direitos de autor  Mark Hoffman/AP
Direitos de autor Mark Hoffman/AP
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Os portugueses Fernando Ferreira e Fábio Loureiro, o georgiano Shergili Farjiani, o britânico Mark Roscaleer e o argentino Robert Lohrmann fugiram da prisão de Vale de Judeus, em Alcoentre, no sábado. São considerados perigosos.

Os cinco reclusos que fugiram no sábado passado da prisão portuguesa de Vale de Judeus continuam desaparecidos. A fuga foi registada pelas 09:46 da manhã pelos sistemas de vigilância, mas só foi detetada 40 minutos depois, quando os outros reclusos regressavam às suas celas.  

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De acordo com a Direção-geral de Reinserção e Serviços Prisionais, a fuga realizou-se com recurso a ajuda externa, "através do lançamento de uma escada, que permitiu aos reclusos escalarem o muro e acederem ao exterior". O diretor deste organismo, Rui Abrunhosa, disse que o número de guardas-prisionais no momento da fuga não era “menor do que o recomendado”.  

Os cinco reclusos terão esperado pelo momento em que os guardas estariam concentrados a controlar as visitas à prisão e, em poucos instantes, conseguiram escapar.   

As autoridades alertaram para o perfil perigoso dos prisioneiros em fuga, razão pela qual foram divulgadas imagens que os identificam.  

“Se se cruzarem com estes presos, não tentem interferir com eles, não tentem interagir, liguem para o 112 [número de emergência], liguem para as autoridades locais, porque são indivíduos que não olham a meios para atingir os seus fins. Ou seja, não têm problema nenhum em matar pessoas para fugir”, alertou o presidente do Sindicato dos Guardas Prisionais, Frederico Morais, citado pelo jornal Público.

Reclusos do Estabelecimento Prisional de Vale de Judeus em fuga
Reclusos do Estabelecimento Prisional de Vale de Judeus em fuga Facebook do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional

Quem são os cinco reclusos?

Fernando Ferreira, de 63 anos, natural de Tarouca, no distrito de Viseu, foi condenado a uma pena de 11 anos de prisão, em 2012, por ter raptado e torturado um empresário de 31 anos em 2009. Tendo em conta os antecedentes criminais, que incluíam o tráfico de droga, a pena de Fernando Ferreira foi agravada para 25 anos de prisão.

Este recluso ingressou na cadeia de Alcoentre, em Lisboa, no ano de 2020, transferido do Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira.

Fábio Loureiro, de 34 anos, já tinha sido intercetado pela polícia várias vezes, tendo mesmo chegado a ser detido em 2011, após ser apanhado numa operação de combate ao tráfico de droga. O jovem foi, no entanto, libertado quando um amigo alegou que os 11 quilos de haxixe apreendidos eram dele e não de Fábio.

O recluso, natural de Lagoa, conhecido por alcunhas como o “Terror do Algarve” e “Fábio Cigano”, cumpria uma pena de 25 anos, e deu entrada em Vale de Judeus em março de 2023, transferido do Estabelecimento Prisional de Pinheiro da Cruz (Grândola).

Pouco se sabe sobre o recluso Shergili Farjiani, de 40 anos, natural da Geórgia, que foi condenado por furto, violência, subtração e falsificação de documentos. Farjiani deu entrada no Estabelecimento Prisional de Vale de Judeus em fevereiro de 2021, depois de ter sido transferido do Estabelecimento Prisional do Porto. O recluso cumpre uma pena de sete anos.  

O prisioneiro natural do Reino Unido, Mark Roscaleer, de 35 anos, já tinha tentado escapar da prisão duas vezes, tendo sido bem-sucedido na primeira numa prisão em Inglaterra. O recluso conseguiu escapar à segurança do estabelecimento prisional, mas acabou por se entregar às autoridades, segundo a imprensa britânica.

Roscaleer deu entrada na prisão de Alcoentre em agosto de 2020, transferido do estabelecimento prisional de Monsanto, e cumpre uma pena de nove anos.  

O último recluso em fugo da lista é o argentino Robert Lohrmann, de 59 anos, que foi condenado por associação criminosa, furto e falsificação. Lohrmann foi detido em Aveiro, numa altura em que já estava fugido à Justiça argentina há mais de uma década.

Foi condenado a uma pena de prisão de 18 anos e 10 meses, tendo dado entrada na prisão de Vale de Judeus em março de 2024, transferido da prisão de Monsanto.  

Prisão de Vale de Judeus é de alta segurança

A prisão de Vale de Judeus é considerada de alta segurança, mas as autoridades acreditam que a ausência de torres, que permitem a visão do pátio, foi crucial para o sucesso da fuga.  

“O Estado português decidiu, há meia dúzia de anos, desativar as torres [torres de vigilância] de Vale de Judeus, demolindo-as. No passado, aquela prisão tinha quatro torres e um guarda permanente em cada torre, que podia controlar o perímetro exterior e interior. Devido à falta de efetivos, que é um grande problema do Corpo da Guarda Prisional, a Direção-geral da altura e o Governo decidiram que iam implementar um novo horário de trabalho e retiraram as torres, sendo que os guardas que faziam esse trabalho foram substituídos por câmaras de videovigilância”, explicou Frederico Morais, citado pelo Público.

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