Newsletter Boletim informativo Events Eventos Podcasts Vídeos Africanews
Loader
Encontra-nos
Publicidade

"Trump tenta substituir a ONU", diz MNE da Bélgica

Euronews
Euronews Direitos de autor  Euronews
Direitos de autor Euronews
De Estelle Nilsson-Julien & Sasha Vakulina
Publicado a Últimas notícias
Partilhar Comentários
Partilhar Close Button
Copiar/colar o link embed do vídeo: Copy to clipboard Link copiado!

O Presidente dos EUA, Donald Trump, tenta substituir as Nações Unidas por um 'Conselho da Paz' supostamente transitório, disse Maxime Prévot à Euronews.

Em declarações à Euronews em Davos, na terça-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Bélgica, Maxime Prévot, acusou o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de procurar “substituir o sistema das Nações Unidas” pelo seu transitório “Board of Peace”, uma entidade supostamente criada para administrar Gaza no pós-guerra.

Sem que se saiba ao certo quantos líderes foram convidados a integrar a entidade, Prévot disse à Euronews que a Bélgica não foi convidada, classificou o projeto como “totalmente inaceitável” e acrescentou que Trump tenta “criar o seu conselho pessoal”.

Trump começou a convidar líderes mundiais a juntarem-se ao Board of Peace a 16 de janeiro, em troca de uma taxa de 1 mil milhões de dólares, afirmando que a entidade visa promover “uma nova abordagem arrojada para resolver conflitos globais”.

A postura mais assertiva do Board of Peace gerou ampla especulação sobre a possibilidade da entidade vir a rivalizar com o Conselho de Segurança da ONU, criado após a Segunda Guerra Mundial.

“Não é esse o caminho da Bélgica”

Reconhecendo as limitações da ONU, Prévot sublinhou a importância de a reformar por dentro, apontando a iniciativa UN80, que “já pretende fundir certas agências para criar novas oportunidades para a ONU aumentar a sua eficiência”.

Referiu também a possibilidade de “criar novas oportunidades” no Conselho de Segurança da ONU para países africanos, latino-americanos e asiáticos.

“Defender o direito internacional é crucial para um país de dimensões médias como a Bélgica”, afirmou, acrescentando que “criar algo novo para contornar as Nações Unidas não é, certamente, o caminho que a Bélgica pretende seguir”.

Prevê-se que os EUA divulguem, nos próximos dias, detalhes sobre a lista de membros do Board of Peace, multiplicando-se as especulações sobre se o anúncio ocorrerá durante a reunião anual do Fórum Económico Mundial, a decorrer em Davos até 23 de janeiro.

Os planos de Trump para o Board of Peace agravaram ainda mais as tensões entre os EUA e os parceiros europeus, já elevadas devido ao fato de Trump ter intensificado, nos últimos dias, as ameaças de se apoderar da Gronelândia e de não excluir o recurso à força militar.

Na segunda-feira, um responsável francês próximo do Presidente da França, Emmanuel Macron, disse que, apesar de ter recebido um convite, a França não tenciona juntar-se ao Board of Peace “nesta fase”. O responsável salientou que planos para uma entidade desse tipo suscitam questões quanto ao respeito aos princípios e à estrutura das Nações Unidas.

Em reação à notícia de segunda-feira de que Macron não deverá levar a França a aderir, Trump disse aos jornalistas: “Ninguém o quer porque vai estar fora de funções muito em breve”.

“Vou aplicar uma tarifa de 200% aos seus vinhos e champanhes e ele entra”, afirmou, “mas não tem de entrar”.

Europa precisa de reforçar a sua autonomia

Prévot disse à Euronews que a Europa deve dar prioridade ao reforço da sua autonomia estratégica, em particular nos setores militar, tecnológicos e energéticos.

“Já não podemos depender cegamente da segurança proporcionada pelos EUA”, afirmou, alertando que “isso pode conduzir a uma Europa enfraquecida”.

Sublinhou que a Bélgica tem procurado corrigir a sua reputação de “mau aluno da turma” após falhar de forma consistente as metas de despesa da NATO.

“Atingimos a meta dos 2% do PIB no ano passado e continuaremos a aumentar a despesa no setor da defesa”, disse Prévot.

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários

Notícias relacionadas

A Gronelândia baniu Donald Trump e os seus descendentes?

Atitude dos EUA sobre a Gronelândia é "incompreensível e desnecessariamente hostil", diz ministro belga à Euronews

Ação militar dos EUA pode ter "efeito decisivo" no Irão, diz Bolton