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Irão: guerra num mundo preso aos combustíveis fósseis prova que é tempo de abandonar o petróleo?

Pessoas observam de um telhado enquanto uma coluna de fumo se ergue após um ataque em Teerão, Irão, domingo, 1 de março de 2026. (
Pessoas observam de um telhado uma coluna de fumo que se eleva após um ataque em Teerão, Irão, domingo, 1 de março de 2026. ( Direitos de autor  Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved.
Direitos de autor Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved.
De Liam Gilliver
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Após o aviso do Irão de que o estreito de Ormuz estava encerrado à navegação, grupos climáticos instaram os governos a apostarem nas energias limpas.

A guerra contra o Irão veio expor os "custos horrendos" da dependência de combustíveis fósseis, num momento em que grupos climáticos apelam a uma rápida transição para energias limpas.

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Os preços internacionais do petróleo dispararam ontem (1 de março), à medida que o Irão continuou a lançar ataques em todo o Médio Oriente num conflito em escalada com os Estados Unidos e Israel.

O crude Brent, referência mundial para os preços do petróleo, subiu 10 por cento para mais de 82 dólares (cerca de 69,86 €) por barril.

A subida seguiu-se ao ataque a pelo menos três navios perto do Estreito de Ormuz, uma passagem de 38 quilómetros por onde circula cerca de um quinto do fornecimento mundial de petróleo, o equivalente a cerca de 20 milhões de barris por dia.

Indústria petrolífera reage aos ataques no Irão

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP+), decidiu aumentar no próximo mês a produção em 206 mil barris por dia em resposta ao conflito, num contexto de perturbações no fluxo de petróleo na região.

Os envios de petróleo, gás e outras mercadorias ficaram praticamente parados este fim de semana depois de o Irão ter avisado que o Estreito de Ormuz estava encerrado à navegação, obrigando centenas de navios a fundear. Até a situação no Golfo regressar à normalidade, os países terão dificuldade em colocar petróleo no mercado.

Analistas da Wood Mackenzie, consultora da indústria da energia e dos recursos naturais, alertam agora que não restabelecer rapidamente os fluxos através do Estreito de Ormuz pode voltar a fazer disparar os preços para "bem acima" dos 100 dólares por barril (cerca de 85,22 €).

Produtores do Médio Oriente poderão procurar aumentar as exportações através do oleoduto Este-Oeste até ao Mar Vermelho, enquanto volumes adicionais poderão ser encaminhados para o Mediterrâneo a partir do Iraque.

"Preços mais elevados vão incentivar produtores a montante noutras regiões a maximizar a produção, adiando operações de manutenção, forçando mais os ativos e acelerando a atividade", refere a empresa. "Mas não se trata de uma torneira que se possa simplesmente abrir."

OPEP+: quem integra a coligação

A OPEP foi criada em 1960 por Irão, Irão, Kuwait, Arábia Saudita e Venezuela para coordenar políticas petrolíferas e garantir a estabilidade dos preços, e conta hoje com 12 países membros.

Em 2016, a OPEP formou a coligação OPEP+ com 10 dos principais exportadores de petróleo fora da organização, incluindo a Rússia e a Arábia Saudita, passando a responder por mais de 40 por cento da produção mundial de petróleo.

A OPEP+ tem um historial de aumentos de produção para atenuar perturbações em períodos de conflito.

Apelos a uma transição energética verde

Mads Christensen, da Greenpeace International, afirma que a decisão da OPEP+ evidencia um ponto: enquanto o mundo funcionar à base de petróleo e gás, a paz, a segurança e as finanças das populações ficarão "sempre à mercê da geopolítica".

Christensen defende que, embora um aumento da produção possa aliviar temporariamente a pressão sobre os preços, continua por resolver a "vulnerabilidade estrutural" criada pela dependência mundial dos combustíveis fósseis.

"Os líderes políticos de todos os países têm de acordar e recuperar o sentido de orientação moral", acrescenta. "Isto implica procurar soluções pacíficas e diplomáticas e garantir o acesso a energia sustentável e a preços comportáveis, que substitua a volatilidade da atual ordem mundial baseada em combustíveis fósseis."

Um mundo preso aos combustíveis fósseis

A [350.org](http://350.org %28fonte em inglês%29/), organização ambiental de base, apelou igualmente aos governos para acelerarem a transição dos combustíveis fósseis para as energias renováveis.

"A nova guerra contra o Irão e o encerramento do Estreito de Ormuz revelam de forma crua os custos horrendos de um mundo acorrentado aos combustíveis fósseis", afirma a diretora executiva, Oliva Langhoff.

"Quando a segurança energética global pode ser abalada por um único ponto de tensão, fica claro quão instável e arriscada é a nossa dependência do petróleo e do gás."

Langhoff defende que as energias renováveis ajudarão a garantir aos países uma produção energética própria, segura e acessível, independentemente de choques geopolíticos.

"Mais uma vez, serão as famílias a pagar a fatura, através da inflação alimentada pelos combustíveis fósseis", acrescenta. "Tudo por causa de um sistema preso a um setor volátil e impulsionado pelo conflito."

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