A Europa gasta biliões de euros por ano em pagamentos com cartão, quase todos fora de sistemas europeus. Bruxelas quer mudar isto, mas conseguirá? Veja o vídeo.
A maioria das compras com cartão ou online na Europa passa pela Visa ou pela Mastercard, duas empresas norte-americanas que dominam os pagamentos globais. Os líderes da União Europeia encaram agora esta dependência como um risco que a Europa já não pode ignorar e estão a agir.
A Wero é uma carteira digital criada por bancos e empresas europeias de pagamentos para reduzir o recurso às redes de cartões. Baseia-se em transferências bancárias imediatas, que eliminam intermediários, baixam as comissões e mantêm os dados dentro da Europa. A Wero já conta com dezenas de milhões de utilizadores na Alemanha, França e Bélgica e está a crescer rapidamente.
Há duas razões principais para este esforço: controlo e custos. O Banco Central Europeu alerta que a dependência de sistemas de pagamento estrangeiros deixa a Europa exposta a pressões políticas ou a ruturas súbitas. Depois de a Rússia ter invadido a Ucrânia, em 2022, a Visa e a Mastercard cortaram rapidamente o acesso do país, afastando-o quase de imediato do sistema global de pagamentos.
A presidente do BCE, Christine Lagarde, tem insistido que a maioria dos pagamentos digitais na Europa assenta hoje em sistemas norte-americanos ou chineses. Considera que esta dependência é uma fragilidade que a Europa tem de corrigir.
Os custos são outro problema. As cadeias de retalho referem que as comissões das redes de cartões aumentaram de forma acentuada nos últimos anos. Pagamentos diretos entre contas bancárias podem reforçar a concorrência e ajudar empresas e consumidores a poupar.
Para os responsáveis europeus, está em causa mais do que uma carteira digital. Os pagamentos, defendem, são infraestrutura, e a infraestrutura é poder.