O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, anunciou a suspensão gradual das exportações de gás para a Ucrânia até que Kiev repare o oleoduto Druzhba. O diferendo está também a bloquear um pacote de ajuda de 90 mil milhões de euros da UE à Ucrânia.
A Hungria vai suspender gradualmente as exportações de gás para a Ucrânia até que Kiev retome o transporte de petróleo através do oleoduto Druzhba.
A medida foi anunciada na quarta-feira pelo primeiro-ministro do país, Viktor Orbán, que acrescentou que o gás seria redirecionado para reabastecer o armazenamento do próprio país, em vez de ser fornecido à Ucrânia.
"Vamos parar gradualmente o fornecimento de gás da Hungria para a Ucrânia e vamos armazenar o gás restante no nosso país", disse Orbán, num vídeo publicado nas redes sociais após uma reunião do governo."Enquanto a Ucrânia não fornecer petróleo, não forneceremos gás da Hungria".
O anúncio de Orbán surge numa altura em que a Hungria e a Ucrânia estão envolvidas numa disputa sobre o oleoduto Druzhba, da era soviética, que transporta petróleo russo para a Hungria e para a Eslováquia. O oleoduto foi danificado por um ataque russo no final de fevereiro e não foi reparado desde então.
Tanto a Hungria como a Eslováquia acusam a Ucrânia, que afirmou que as reparações podem demorar até seis semanas, de estar a usar a questão para obter ganhos políticos.
O governo de Orbán tem alegado repetidamente que a Ucrânia está a tentar desencadear uma crise energética antes das eleições gerais húngaras de 12 de abril, num esforço para minar a sua administração.
No vídeo, Orbán argumenta que a Hungria também precisa de criar as suas próprias reservas de gás natural, na sequência dos ataques ucranianos ao gasoduto TurkStream, sediano na Rússia, que transporta gás natural russo para a Hungria através da Turquia.
A disputa sobre o gasoduto Druzhba bloqueou o desembolso do pacote de ajuda de 90 mil milhões de euros da UE à Ucrânia, que foi vetado pela Hungria.
A Comissão Europeia ofereceu assistência técnica e financeira para ajudar a Ucrânia a avaliar e reparar os danos, embora ainda não tenha confirmado se a sua equipa de peritos teve acesso ao local.
A Ucrânia tem apelado repetidamente à Hungria e à Eslováquia para que se desliguem dos combustíveis fósseis russos. Ambos os países importam uma grande quantidade de petróleo e gás da Rússia.
A empresa ucraniana de análise energética ExPro informou que a rota húngara é um dos principais corredores de importação de gás natural do país.
De acordo com as suas estimativas, a Ucrânia importou mais de 2,9 mil milhões de metros cúbicos de gás natural da Hungria em 2025, o que representa 45% do total das importações do país.