Gasparri deixou o seu cargo de líder do grupo Forza Italia no Senado. Stefania Craxi tomou o seu lugar. A demissão surge na sequência de uma carta em que 14 senadores do partido pediam a sua substituição. Mattarella assinou a nomeação do primeiro-ministro em substituição de Santanchè
Novo abalo nas fileiras da maioria. Menos de 24 horas depois da demissão de Daniela Santanchè do cargo de Ministra do Turismo, Maurizio Gasparri, o quarto a demitir-se em apenas três dias após a derrota do "Sim" no referendo sobre a justiça, também deixou o seu cargo.
No seu lugar, a líder do grupo Forza Italia (FI) no Senado, Stefania Craxi, atualmente presidente da Comissão dos Assuntos Externos e da Defesa, vai assumir o cargo.
"A Stefania Craxi, a nova presidente do grupo Forza Italia no Senado, desejo as maiores felicidades", escreveu pouco depois o secretário nacional da FI e ministro dos Negócios Estrangeiros, Antonio Tajani, agradecendo a Gasparri o seu trabalho num post no X.
"Decidi, de forma autónoma, deixar o meu cargo de líder do grupo Forza Italia no Senado. Ele que tem uma longa trajetória baseada na solidez e no sentido do dever, e não apenas no cargo que ocupa, sabe gerir os tempos e os modos em momentos complexos. Avançar com coerência e olhar para o futuro", afirmou Gasparri.
O anúncio da demissão do ex-líder do grupo FI, que declarou ter tomado a decisão de forma autónoma, surge na sequência de uma carta assinada por 14 senadores do partido, de um total de 20, a solicitar a sua substituição.
De acordo com o que fontes parlamentares do FI disseram à Ansa, Gasparri teve cerca de 48 horas para gerir a estratégia de saída. A decisão pode ter sido influenciada pelos desejos de Marina Berlusconi, filha mais velha do fundador do partido, Silvio Berlusconi, que morreu em 2023, e cujos escritórios da empresa ela herdou até agora, mas não desempenha oficialmente um papel político.
A derrota da maioria no referendo e a demissão em cadeia: críticas da oposição
A derrota do "sim" no referendo sobre a justiça desencadeou um mecanismo em cadeia na maioria governamental, que, por um lado, parece querer mostrar que aceitou o forte sinal que veio das urnas e, por outro, quer evitar a todo o custo uma crise executiva.
Nos últimos dias, demitiram-se Andrea Delmastro Delle Vedove, o subsecretário da Justiça (dos Fratelli d'Italia), cujas relações comerciais com um homem de fachada do clã Senese suscitaram uma polémica generalizada, e Giusi Bartolozzi (FI), chefe de gabinete do ministro da Justiça Carlo Nordio.
Comentando a demissão de Gasparri, o deputado da Aliança Verde e de Esquerda , Angelo Bonelli, falou de uma "crise política no centro-direita", que com as demissões "de Bartolozzi, Delmastro, Santanchè e hoje Gasparri - e amanhã sabe-se lá quem - impõe uma aceleração na definição do programa do centro-esquerda".
"A direita que governa a Itália ultrapassou o limite da hipocrisia**: se o Não tivesse vencido, de Santanchè a Delmastro todos teriam permanecido nos seus lugares",** criticou Bonelli, acrescentando que "a Itália corre o risco de entrar em recessão económica, também por causa da guerra e da política energética louca pretendida por Giorgia Meloni" e que, por estas razões, "é necessário acelerar com determinação a construção de uma alternativa credível, capaz de oferecer ao país uma perspetiva diferente".
Meloni assume interinamente o Ministério do Turismo
Na quinta-feira à noite, o Presidente da República, Sergio Mattarella, assinou o decreto que aceita a demissão apresentada pela Ministra do Turismo, Daniela Santanchè. No mesmo decreto, o chefe de Estado confiou o ministério ao primeiro-ministro, sob proposta da própria Giorgia Meloni.
A nomeação é temporária, anunciou o Quirinal. Numa nota, o governo afirmou que Meloni e Mattarella tiveram uma conversa telefónica e que Santanchè "trabalhou com grande dedicação e assegurou a sua contribuição para a recuperação e relançamento do turismo italiano".