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Kallas alerta que as guerras no Irão e na Ucrânia estão “muito interligadas” pela Rússia

A Alta Representante Kaja Kallas na reunião do G7.
A Alta Representante Kaja Kallas na reunião do G7. Direitos de autor  Michel Euler/Copyright 2026 The AP. All rights reserved
Direitos de autor Michel Euler/Copyright 2026 The AP. All rights reserved
De Jorge Liboreiro
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"Não podemos esquecer a Ucrânia", afirmou a alta representante para a PESC, Kaja Kallas, enquanto a guerra no Médio Oriente lidera a agenda geopolítica da reunião do G7.

As guerras no Irão e na Ucrânia estão "muito interligadas" pela Rússia, alertou na quinta-feira a alta representante Kaja Kallas, apelando aos Estados Unidos para que aumentem a pressão económica sobre o Kremlin, uma vez que este beneficia do aumento dos preços do petróleo devido ao conflito.

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Moscovo está alegadamente a fornecer a Teerão, um aliado de longa data, drones e serviços de informação para ajudar a atingir os meios militares americanos no Médio Oriente. A administração do presidente Donald Trump tem evitado em grande medida culpar a Rússia.

"Vemos que a Rússia está a ajudar o Irão com serviços secretos para atingir americanos, para matar americanos, e a Rússia também está a apoiar o Irão com drones para que possam atacar países vizinhos e também bases militares dos EUA", disse Kallas, à entrada para uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros do G7, em Abbaye des Vaux de Cernay, França.

"Estas guerras estão muito interligadas. Se os Estados Unidos da América querem que a guerra no Médio Oriente termine e que o Irão deixe de os atacar, devem também pressionar a Rússia para que esta não os possa ajudar", acrescentou.

Kallas exortou os EUA, Israel e o Irão a "sentarem-se" e a encontrarem uma solução negociada, ou uma "saída", como referiu, que possa pôr rapidamente termo à guerra. Washington e Teerão enviarammensagens contraditórias sobre um potencial acordo, semeando a confusão.

Trump insistiu na quinta-feira que o Irão está a "implorar" por um acordo, depois de ter transferido para sexta-feira um ultimato para Teerão reabrir o Estreito de Ormuz ou enfrentar a "obliteração" das suas centrais eléctricas.

Kallas sublinhou que a Europa só se juntaria a uma coligação para proteger a via navegável que transporta um quinto da produção mundial de petróleo "após a cessação das hostilidades".

"Precisamos de uma saída, não de uma escalada", afirmou. "Tem de haver uma solução diplomática para que esta região saia dela mais forte e mais pacífica."

O seu apelo surge no momento em que a Casa Branca, numa tentativa de acalmar os agitados mercados energéticos, alivia as sanções sobre o petróleo iraniano e russo, causando consternação entre os europeus.

A subida dramática dos preços do petróleo inverteu a tendência de queda que pesava sobre a economia russa. Agora, Moscovo está a emergir como um vencedor do caos energético global.

Entretanto, a intensidade da guerra no Médio Oriente alterou drasticamente a procura mundial de armas e munições, o que ameaça complicar o acesso da Ucrânia aos sistemas de defesa aérea de que necessita para repelir o fogo russo.

"Não nos podemos esquecer da Ucrânia", afirmou Kallas.

Numa nova entrevista à Reuters, o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy disse que a administração Trump condicionou as garantias de segurança à cedência de todo o Donbas a Moscovo por parte de Kiev. A região, que está parcialmente ocupada, inclui cidades fortemente fortificadas de que a Ucrânia precisa para conter o avanço russo.

"O presidente Trump, infelizmente, na minha opinião, continua a escolher uma estratégia para colocar mais pressão sobre o lado ucraniano", disse Zelenskyy.

Questionado sobre as observações de Zelenskyy, Kallas alertou os EUA para não darem à Rússia algo que esta não conseguiu conquistar no campo de batalha.

"Esta é claramente a abordagem errada. É, evidentemente, o manual de negociações da Rússia", disse. "Esta é a armadilha em que não devemos cair".

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