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Os perigos da lenhite: Transição energética na Bósnia-Herzegovina e os seus problemas

Os perigos da lenhite: Transição energética na Bósnia-Herzegovina e os seus problemas
Direitos de autor  Euronews
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De Hans von der Brelie
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Irá a transição energética tardia atrasar a adesão da Bósnia-Herzegovina à União Europeia? O país está com dificuldades para se afastar da energia a carvão, com poucas instalações de dessulfurização e níveis extremos de poluição atmosférica.

Em Kakanj, uma cidade industrial no coração da Bósnia-Herzegovina, tudo gira em torno da lenhite, da qual dependem milhares de postos de emprego. Aqui encontram-se 440 milhões de toneladas de carvão, um dos maiores depósitos da Europa.

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Os combustíveis fósseis são a principal causa do aquecimento global e da crise climática, e o engenheiro de minas Omer sabe disso: "Como sociedade, temos de procurar formas melhores de produzir energia, mas, neste momento, estamos dependentes do carvão."

Existem sete minas de carvão estatais na parte bósnia do país, com uma dívida de cem milhões de euros, uma catástrofe financeira que acarreta problemas ambientais. Porquê continuar a escavar em vez de eliminar o carvão de forma gradual? Iso Delibašić, diretor da mina de carvão de Kakanj, afirma: "A Bósnia-Herzegovina precisa de energia. A continuação das operações na mina de carvão não deve ser posta em causa."

A chaminé da central elétrica a carvão de Kakanj tem a mesma altura da Torre Eiffel e emite quantidades enormes de poluentes e CO2. Como planeia a Bósnia-Herzegovina tornar-se neutra do ponto de vista climático até 2050?

Este foi um objetivo com que o país, que integra a Comunidade da Energia, uma organização internacional na qual a UE e os países candidatos desenvolvem regras para o mercado da energia, se comprometeu na cimeira dos Balcãs Ocidentais, em Sófia.

Mas não está a cumprir aquilo com que acordou. Algumas das unidades da central elétrica datam da década de 1970 e carecem dos filtros modernos necessários, tendo a sua vida útil restante sido ultrapassada há muito tempo. No entanto, muitos destes reatores, bastante velhos, ainda se encontram em funcionamento.

As centrais elétricas a carvão da Bósnia-Herzegovina emitem mais de 200 mil toneladas de dióxido de enxofre por ano, ou seja, onze vezes mais do que o permitido, informa a Bankwatch, uma rede de organizações não governamentais regionais. O relatório da Comissão Europeia sobre o país em 2025 também critica fortemente a política energética deste e a Comunidade Europeia da Energia já deu início a um processo por infração.

Quando questionado sobre a razão para as unidades antigas ainda não terem sido encerradas, o diretor da central elétrica, Adem Lujnović, disse-nos que a opção de mudar para o gás natural já esteve em cima da mesa, em 2010, "mas não era rentável, sendo o carvão mais barato".

Mas as pessoas estão a pagar um preço elevado, o da sua própria saúde. Edina Dogdibegović vive nos arredores de Kakanj. "A central elétrica queima dois milhões de toneladas de carvão por ano", afirma. Os alertas de poluição atmosférica são emitidos tanto no verão como no inverno: "Em janeiro tivemos um índice de qualidade do ar de 9-9-5, o que é muito perigoso! Dois mil microgramas de dióxido de enxofre por metro cúbico, muito acima do limite!"

Há também emissões de uma fábrica de cimento e de fornos residenciais, e parece haver um aumento dos casos de cancro. "Uma em cada duas famílias tem pessoas que foram diagnosticadas com cancro", relata Edina.

A Agência Europeia do Ambiente e o Banco Mundial avisam: Os níveis elevados de poluição atmosférica na Bósnia-Herzegovina são responsáveis por mais de 3000 mortes prematuras por ano. Quando ajustado à dimensão da população, este é um número recorde na Europa.

No final do ano, a qualidade do ar em Kakanj era tão má que o presidente da câmara convocou uma reunião de emergência que culminou no encerramento temporário de várias unidades de centrais elétricas. Neste momento, está a ser construída uma unidade de dessulfurização cujo início de atividade está previsto para o final de 2027.

"Isto irá permitir-nos limpar 1,5 milhões de metros cúbicos de gases", explica o diretor da central elétrica, Lujnović. "Atualmente, temos concentrações de dióxido de enxofre de 8000 miligramas por metro cúbico. Após a dessulfurização, passarão a ser de apenas 150 miligramas. Com isto, poderemos chegar a cumprir os limites de emissão da União Europeia até 2028."

E quando serão encerradas as unidades das centrais elétricas mais poluentes? "O bloco 5 será desativado em 2027 e o bloco 6 em 2035", afirma Lujnović. "O bloco 7 continuará em funcionamento até 2045 ou 2050."

Nesse caso, de onde virá a eletricidade e o calor? Lujnović aponta para um espaço entre os blocos da central elétrica: "Estamos a construir ali uma central elétrica a gás." Um dia, esta poderá vir a ser alimentada a hidrogénio. "A descarbonização e a eliminação progressiva do carvão estarão concluídas até 2050", diz Lujnović. "Precisamos de uma mudança de paradigma, isso é o mais importante."

Ferdinand Koenig, porta-voz da delegação da UE em Sarajevo: "A UE insta as autoridades competentes da Bósnia-Herzegovina a fazerem progressos neste domínio. A falta de progressos nas políticas climáticas significa que o país não está preparado para as obrigações decorrentes da adesão à UE e, além disso, gera riscos de sanções comerciais e custos mais elevados para as empresas".

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