O Partido Trabalhista mergulhou num clima sombrio devido às pesadas derrotas registadas na semana passada nas eleições autárquicas em Inglaterra e nas legislativas na Escócia e no País de Gales.
O primeiro-ministro Keir Starmer prometeu, esta segunda-feira, provar que os "céticos" do seu próprio partido e do eleitorado em geral estão errados, enquanto tenta lutar contra os pedidos de demissão após os resultados devastadores das eleições autárquicas para o seu Partido Trabalhista.
Starmer afirmou que irá "enfrentar os grandes desafios" e devolver a "esperança" ao país.
Isso inclui aproximar-se da União Europeia e "colocar a Grã-Bretanha no centro da Europa", uma década depois de o Reino Unido ter votado a favor da saída da UE.
"Sei que tenho os meus céticos e sei que tenho de provar que estão errados e é o que farei", afirmou Starmer durante um discurso em Londres.
O primeiro-ministro britânico prometeu provar a milhões de pessoas "cansadas de um status quo que lhes falhou" que o governo está do seu lado, acrescentando que os trabalhistas estão numa "batalha pela alma da nossa nação".
Keir Starger disse ainda que o Reino Unido seguirá "um caminho negro" se o Reform UK, o partido anti-imigração liderado por Nigel Farage, chegar ao poder.
Mas a posição de Starmer é frágil, com dezenas de legisladores a pedirem-lhe que anuncie uma data para a sua saída.
A ex-vice-primeira-ministra Angela Rayner, uma poderosa legisladora frequentemente vista como uma potencial adversária, disse que o que se está a fazer "não está a funcionar e tem de mudar".
Rayner não pediu explicitamente a demissão de Starmer, mas acusou-o de presidir a "uma cultura tóxica de compadrio" e disse que o governo deve "manter-se fiel aos valores trabalhistas e sociais-democratas" e aliviar o custo de vida dos trabalhadores.
"Esta pode ser a nossa última oportunidade", afirmou Rayner numa declaração no domingo.
O Partido Trabalhista mergulhou num clima sombrio devido às pesadas derrotas registadas na semana passada nas eleições locais em Inglaterra e nas legislativas na Escócia e no País de Gales.
As eleições foram interpretadas como um referendo não oficial a Starmer, cuja popularidade caiu a pique desde que chegou ao poder com uma vitória esmagadora há menos de dois anos.
O seu governo tem-se esforçado por concretizar o prometido crescimento económico, reparar os serviços públicos em mau estado e aliviar o custo de vida, e tem sido prejudicado por repetidos erros e reviravoltas políticas em questões como a reforma da segurança social.
A decisão desastrosa de nomear Peter Mandelson, amigo do criminoso sexual Jeffrey Epstein, para embaixador da Grã-Bretanha nos Estados Unidos, foi ainda mais grave.
Nas eleições da semana passada, o Partido Trabalhista foi espremido tanto pela direita como pela esquerda, perdendo votos tanto para o Reform UK como para o Partido Verde "eco-populista". Esta situação reflete a crescente fragmentação da política britânica, há muito dominada pelos trabalhistas e pelos conservadores.
Starmer espera recuperar o ímpeto com o discurso de segunda-feira e um ambicioso conjunto de planos legislativos que serão apresentados num discurso na quarta-feira pelo Rei Carlos III na abertura do Parlamento.
No seu discurso, Starmer disse a uma plateia de legisladores e ativistas do partido que o governo vai assumir o controlo da segurança energética, económica e de defesa do Reino Unido e tornar o país mais justo.
Anunciou que iria introduzir legislação para nacionalizar a British Steel, propriedade chinesa, depois de o governo ter assumido o controlo da empresa no ano passado.
"A legislação será apresentada esta semana para dar ao governo poderes para assumir a propriedade nacional total da British Steel", afirmou Starmer.
Uma das principais prioridades políticas é o estreitamento dos laços com a UE, da qual o Reino Unido saiu em 2020, quatro anos depois de o lado do «Brexit» ter vencido por uma margem estreita o referendo sobre a permanência na União.
O governo de Starmer já tomou medidas para aliviar algumas das restrições comerciais que têm sobrecarregado as empresas britânicas desde o Brexit e diz que vai garantir um acordo de mobilidade juvenil para que os jovens possam passar alguns anos a trabalhar em todo o continente.
Keir Starmer afirmou que o governo será "definido pela reconstrução" da relação com a Europa.
Os trabalhistas fizeram campanha para permanecer na UE durante a campanha do referendo de 2016, mas têm-se mostrado relutantes em reabrir um debate que dividiu amargamente o país.
Starmer excluiu a possibilidade de tentar reentrar na UE, ou de voltar a aderir à união aduaneira ou ao mercado único do bloco, aspetos que fariam uma grande diferença para as empresas britânicas.