O Ministro de Estado dos Assuntos Europeus e da Defesa da Irlanda, Thomas Byrne, afirmou que a União Europeia deve continuar a aumentar a pressão sobre a Rússia através de sanções, apoio militar e esforços diplomáticos.
O ministro irlandês dos Assuntos Europeus e da Defesa, Thomas Byrne, afirmou que a Ucrânia continua a ser "muito forte e a estar na mente das pessoas na Europa".
Os ministros da Defesa da UE reúnem-se em Bruxelas para debater a invasão russa da Ucrânia e o conflito no Médio Oriente.
"A questão é saber qual a melhor forma de ajudar a Ucrânia", disse Byrne. "Quer seja através do fornecimento de material militar, quer seja através de sanções contra a Rússia, quer seja através de conversações de paz ou mesmo do alargamento da União Europeia."
A Irlanda assumirá a presidência rotativa do Conselho da União Europeia em julho — um papel que deverá colocar Dublin no centro das conversações para pôr fim à guerra na Ucrânia.
Os funcionários da UE estão a preparar um 21º pacote de sanções contra a Rússia, apesar do crescente debate entre os Estados-Membros sobre se estas medidas são suficientes para mudar o rumo do Kremlin.
"Já passámos por 20 pacotes", disse Byrne ao Europe Today. "Essas sanções tiveram um impacto na economia russa, um impacto bastante significativo. É evidente que não acabaram com a guerra, mas penso que temos de continuar a pressionar a Rússia e o seu povo, para que este possa, de alguma forma, pressionar Vladimir Putin".
A questão do envolvimento direto com Moscovo voltou à ordem do dia depois das novas discussões em torno de potenciais conversações de paz. Byrne indicou que a Irlanda apoiaria os contactos diplomáticos se estes pudessem contribuir para pôr fim à guerra.
"Apoiámos os contactos de dirigentes individuais com Vladimir Putin no passado", afirmou. "Pensamos que é importante permitir que esse diálogo tenha lugar se for para acabar com a guerra."
No entanto, Byrne não chegou a indicar um enviado especial para contactar diretamente o Presidente russo, descrevendo-o como "uma consideração para outro dia".
O ministro também se congratulou com um avanço em Bruxelas relativamente às sanções contra os colonos israelitas acusados de violência na Cisjordânia ocupada. A medida tornou-se possível depois de o novo governo húngaro ter abandonado a sua anterior oposição.
"É muito bem-vindo o facto de a Hungria ter mudado a sua posição nesta matéria", afirmou Byrne. "Ninguém discorda disto agora à volta da mesa europeia".
A mudança política em Budapeste poderá ter implicações mais vastas na política da UE, nomeadamente no que respeita ao processo de adesão da Ucrânia.
"Até à data, o governo húngaro tem bloqueado a abertura de conversações de adesão com a Ucrânia e isso é algo que gostaríamos que mudasse", afirmou Byrne.
Questionado sobre a ausência da Irlanda no Festival Eurovisão da Canção deste ano, no meio da controvérsia em torno da participação de Israel, Byrne sublinhou que a decisão foi tomada de forma independente pela emissora pública irlandesa RTÉ e não pelo governo.
"Não somos a Hungria. Não nos envolvemos em dizer aos media o que devem fazer na Irlanda", insistiu. "A independência da RTÉ é algo que tem sido fundamental e central para a nossa democracia ao longo das décadas".
Veja a entrevista na íntegra no player acima.