Por volta das 11:00, levantaram o alerta, que também abrangia as regiões lituanas junto à Bielorrússia, e a população pôde abandonar os abrigos
Habitantes da capital lituana, Vilnius, refugiaram-se por breves momentos em abrigos subterrâneos esta quarta-feira, com os transportes a pararem, depois de o ministério da Defesa ter enviado um alerta sobre drones para os telemóveis.
Alertas deste tipo tornaram-se cada vez mais frequentes nos últimos meses nos países bálticos, à medida que a Ucrânia intensifica ataques contra alvos russos na região de São Petersburgo, perto da Estónia e da Finlândia.
Mas o alarme de quarta-feira foi o primeiro, desde o início em 2022 da invasão russa em grande escala da Ucrânia, num país membro da UE e da NATO a desencadear uma ordem para que a população, incluindo o presidente, a primeira-ministra e deputados, procurasse abrigo.
Os dirigentes políticos foram encaminhados para bunkers após um alerta de drones no ano passado, mas o mesmo não aconteceu com a população em geral.
Os aliados da Lituânia manifestaram apoio ao país esta quarta-feira, com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a afirmar que a Rússia e a Bielorrússia têm "responsabilidade direta" por quaisquer incidentes com drones na ala oriental do bloco.
O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, acrescentou que, mesmo que os drones que caem nos países bálticos tenham sido lançados pela Ucrânia, o país não é culpado.
"(Os drones) estão lá por causa do ataque imprudente, ilegal e em grande escala da Rússia", afirmou.
O alerta chegou por volta das 10h20 locais (07h20 GMT) aos telemóveis: "Alerta de ataque aéreo! Dirija-se de imediato para um abrigo ou para um local seguro, cuide dos seus familiares e aguarde novas instruções".
De imediato, em escritórios e edifícios de apartamentos, civis desceram a caves ou a abrigos designados, segundo um correspondente da agência noticiosa AFP.
"Vesti-me e desci à cave", contou à AFP o fotógrafo Andrej Vasilenko, que estava no seu apartamento quando soou o alerta.
"Estava sozinho, mais nenhum residente do prédio tinha descido. O meu filho estava na escola e tinha ido para um abrigo, por isso senti-me mais tranquilo. Foi estranho, mas, ao mesmo tempo, tantas pessoas na Ucrânia vivem assim há quatro anos."
Repercussões na Letónia
Os gabinetes do presidente Gitanas Nausėda e da primeira-ministra Inga Ruginienė, bem como de deputados, indicaram à agência BNS que todos foram conduzidos para abrigos.
Os voos no aeroporto internacional de Vilnius foram suspensos e os comboios pararam.
O exército indicou que tinha sido detetado um sinal de radar no espaço aéreo bielorrusso "com características típicas de uma aeronave não tripulada".
"A missão de policiamento aéreo da NATO foi ativada", acrescentaram os militares.
Vilmantas Vitkauskas, diretor do Centro Nacional de Gestão de Crises, disse à rádio pública LRT que tinha sido avistado um drone "no distrito de Vilnius", sem detalhar o seu destino.
O alerta, que também abrangia as regiões lituanas na fronteira com a Bielorrússia, foi levantado por volta das 11h00 e as pessoas foram informadas de que podiam abandonar os abrigos.
O governo tinha sido criticado, após avistamentos anteriores de drones e incursões a partir da Bielorrússia, por não ter emitido alertas.
Vários drones russos ou ucranianos caíram na Lituânia, bem como na Estónia e na Letónia, mas não provocaram danos graves nem vítimas.
A primeira-ministra da Letónia, Evika Siliņa, no entanto, demitiu-se do cargo na sequência de uma disputa política sobre a resposta aos drones que caíram no país.