A estratégia "UE SA" procura concluir o mercado único antes de o bloco deixar de conseguir competir com as grandes potências mundiais.
A Europa tem de continuar a acelerar o seu roteiro para integrar plenamente o mercado único e criar uma estratégia industrial europeia, sob pena de se tornar subalterna face às grandes potências mundiais, afirmou o antigo primeiro-ministro italiano Enrico Letta ao programa de referência da Euronews, Europe Today.
"Não queremos ser uma colónia dos Estados Unidos, nem queremos ser uma colónia da China, queremos ser europeus", disse o antigo primeiro-ministro italiano.
Em 2024, Letta publicou um relatório sobre como completar a construção do mercado único, que inspirou o roteiro da UE para tornar a Europa mais competitiva.
O relatório, intitulado "Muito mais do que um mercado", sublinhava a necessidade de integrar setores-chave à escala europeia, como a criação de uma União da Energia, a integração dos serviços digitais e o fim da fragmentação dos mercados de capitais.
Além disso, Letta propôs uma "quinta liberdade" da investigação e inovação, com o objetivo de colocar a economia do conhecimento no topo da agenda de política económica da UE.
Em declarações à Euronews, Letta afirmou que a Europa parece finalmente estar a responder ao imperativo de agir antes de ser relegada para segundo plano, em parte graças às ameaças extravagantes do presidente dos EUA, Donald Trump, de tomar o território dinamarquês da Gronelândia.
"Nos últimos três meses houve uma aceleração", disse. "O ano de 2025 foi um ano em que todos ficámos chocados com a nova era Trump II, as tarifas, as guerras e o resto. Depois aconteceu a Gronelândia. Penso que a Gronelândia foi um grande sinal de alarme para todos os países e líderes europeus".
A Comissão Europeia lançou recentemente a nova estratégia "Uma Europa, Um Mercado", ao abrigo da qual dará prioridade a propostas legislativas capazes de reforçar a competitividade europeia à escala mundial.
A estratégia define 42 reformas a nível da UE para completar o mercado único, com prazos específicos para cada proposta. A maioria poderá ser concluída no espaço de dois anos.
Entre as reformas propostas contam-se a criação de uma estratégia industrial robusta ao abrigo da Lei do Acelerador Industrial e o chamado 28.º Regime, ou "EU Inc", uma proposta legislativa que facilitaria a criação de empresas na Europa.
A UE pretende aprovar ambos os pilares legislativos até ao final do ano.
"Hoje estão reunidos todos os elementos fundamentais para sensibilizar os europeus de que temos a oportunidade de ser mais unidos e mais autónomos", afirmou Letta.