O julgamento decorreu numa sala especial, preparada para acolher perto de 200 partes civis. Entre os queixosos há pessoas com incapacidade permanente e familiares das vítimas mortais.
Um condutor belga foi condenado na sexta-feira pelo homicídio de sete pessoas, depois de investir com o carro contra um cortejo de carnaval enquanto se filmava ao volante.
Paolo Falzone, de 38 anos, deverá conhecer a sentença na próxima semana, pelo acidente mortal de março de 2022 na cidade de La Louvière, no sul do país. Arrisca uma pena de até 30 anos de prisão.
Segundo o Ministério Público, a tragédia ocorreu quando Falzone, que já tinha antecedentes por excesso de velocidade e condução sob o efeito de álcool, conduziu o seu BMW a 170 quilómetros por hora numa zona limitada a 50, nos arredores da cidade.
Acrescentou que regressava a casa vindo de uma discoteca, antes do amanhecer de domingo, e que não se apercebeu de que foliões, vestidos para um desfile de carnaval tradicional, se tinham reunido na rua.
A investigação concluiu que Falzone estava a filmar uma publicação para as redes sociais e não olhava para a estrada no momento do embate.
Seis pessoas morreram no local e as equipas de socorro assistiram cerca de 40 feridos, espalhados por várias centenas de metros. Outra vítima morreu mais tarde.
Durante o julgamento, Falzone afirmou que lamenta o que fez e que não teve intenção de causar danos.
"Admito plenamente que costumava filmar-me a conduzir a velocidades absurdas. Fiz isso muitas vezes", disse. "Comportei-me como um completo idiota."
Numa decisão invulgar para um caso rodoviário, um tribunal de recurso ordenou que o julgamento decorresse com júri, em parte devido ao nível de indignação pública.
O julgamento teve lugar numa sala especial, para acomodar quase 200 partes civis. Entre os demandantes civis contam-se pessoas com incapacidades permanentes e familiares das vítimas mortais.
Um passageiro que seguia no carro no momento do embate foi também considerado culpado de omissão de auxílio a pessoas em perigo, crime pelo qual arrisca até dois anos de prisão.