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Bruxelas reforça apoio à Ucrânia e prepara diálogo com a Rússia

Líderes da UE estão reunidos para cimeira de dois dias
Líderes da UE estão reunidos para cimeira de dois dias Direitos de autor  Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved.
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De Escarlata Sánchez & Euronews
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Os líderes do bloco europeu encontram-se reunidos, em Bruxelas, numa cimeira de dois dias. Volodymyr Zelenskyy também está presente.

A reunião dos 27 líderes da União Europeia (UE) decorre em Bruxelas, com a presença do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy. António Costa destacou, juntamente com Zelenskyy, o novo impulso nos esforços diplomáticos para levar a Rússia à mesa das negociações.

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O presidente ucraniano apelou a que se aproveitasse o consenso europeu para acelerar a adesão de Kiev à UE e dar início às cinco fases restantes do processo antes do verão, depois da Ucrânia e a Moldova terem iniciado a primeira ronda de negociações.

O primeiro-ministro húngaro, Péter Magyar, manifestou reservas quanto à aceleração da adesão da Ucrânia à UE. A Hungria levantou recentemente o seu veto ao primeiro capítulo das negociações, após ter chegado a um acordo sobre os direitos da minoria húngara na Ucrânia.

Os líderes da UE debateram a guerra da Rússia contra a Ucrânia. Entre os temas a abordar incluem-se a adesão da Ucrânia à UE, o apoio militar, as sanções e as negociações de paz.

Futuras negociações de paz com a Rússia

O primeiro-ministro luxemburguês, Luc Frieden, defendeu que a UE deve preparar-se para futuras negociações de paz com a Rússia, mas alertou que, antes disso, é necessário definir uma posição comum e uma representação clara.

O ministro dos Negócios Estrangeiros austríaco, Christian Stocker, defendeu que se mantenham abertos os canais de comunicação com a Rússia porque "toda a paz começa com conversações", embora tenha reconhecido que Moscovo ainda não demonstrou vontade de negociar. Considerou prematuro aliviar as sanções e apelou à cautela perante qualquer avanço, embora tenha avaliado como positiva a melhoria da situação em relação ao passado.

O primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, considerou "positivo" e "necessário" abrir canais de comunicação com a Rússia, depois de se ter confirmado que o presidente do Conselho Europeu, António Costa, estabeleceu contactos diplomáticos com Moscovo.

O primeiro-ministro neerlandês, Rob Jetten, considerou prematuro debater quem deveria representar a União Europeia em futuras negociações de paz com a Rússia, entendendo que Moscovo ainda não demonstrou uma vontade real de dialogar. Jetten não quis entrar no debate sobre quem deveria assumir uma eventual função de mediação, depois de António Costa ter iniciado, esta semana, contactos com o Kremlin.

Jetten sublinhou que a Rússia está a sofrer perdas significativas e que a sua economia atravessa dificuldades, pelo que defendeu a manutenção e até o reforço do apoio à Ucrânia, para que esta chegue a uma eventual mesa de negociações a partir de uma posição de força.

O presidente lituano, Gitanas Nausėda, afirmou que os recentes ataques ucranianos em território russo marcam um "ponto de viragem" na guerra. Numa mensagem nas redes sociais, afirmou que a Ucrânia está a ganhar terreno e que a Europa entra numa nova fase do conflito.

Estratégia comum da UE em relação à China

O ministro dos Negócios Estrangeiros austríaco, Christian Stocker, defendeu uma relação equilibrada com a China, que definiu como um parceiro de cooperação e, ao mesmo tempo, um rival sistémico. Defendeu, ainda, que a União Europeia deve adotar uma estratégia comum para proteger os seus interesses sem romper os laços com Pequim, e sublinhou a importância de manter abertos os canais de diálogo para resolver as divergências.

A ministra sueca dos Assuntos Europeus, Jessica Rosencrantz, defendeu a manutenção do comércio livre com a China, mas exigiu condições de concorrência justas. Alertou para o facto dos subsídios chineses distorcerem o mercado e prejudicarem as empresas europeias, pelo que apelou à UE para que passe das palavras aos atos e estude novas ferramentas para proteger a sua economia sem renunciar à cooperação com Pequim.

O primeiro-ministro neerlandês sublinhou que a Europa e a China mantêm uma relação de interdependência em numerosos domínios, e defendeu a preservação da cooperação nos próximos anos. "A Europa e a China precisam uma da outra em muitos setores", afirmou. No entanto, reconheceu que existem razões para questionar os desequilíbrios da economia global e denunciou práticas de concorrência desleal que, por vezes, atribuiu à China.

Rob Jetten alertou que a UE não deve ser ingénua face a uma possível resposta da China às medidas de defesa comercial adotadas por Bruxelas, num contexto internacional marcado por tensões económicas crescentes entre blocos.

Cimeira da UE propõe reforçar o mercado único

A cimeira da União Europeia começou com uma troca de pontos de vista entre os líderes e a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, sobre os avanços para reforçar o mercado único.

Os líderes dos países da União Europeia reuniram-se antes da cimeira de Bruxelas para coordenar posições sobre o orçamento comunitário para 2028-2034. O grupo dos "Amigos da Coesão", liderado no encontro pela Itália e pela Roménia, apela ao reforço das dotações destinadas à agricultura e aos fundos regionais, que perderiam peso na proposta atual da Comissão Europeia. As negociações opõem estes países aos chamados "frugais", que defendem maiores cortes no orçamento europeu.

Os países do grupo "Amigos da Coesão" exigiram o reforço do financiamento da política regional, da agricultura e da pesca no próximo orçamento plurianual da União Europeia.

O grupo dos "frugais" exige cortes mais profundos e uma maior orientação dos fundos europeus para novas prioridades. Perante esta situação, a proposta cipriota prevê uma redução de 2%, com os principais ajustamentos nas rubricas da competitividade e da Defesa. "Se a Europa quer garantir a nossa segurança e uma economia mais próspera, precisa de um orçamento que responda a esses objetivos", defendeu Rob Jetten, primeiro-ministro neerlandês.

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