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Cazaquistão procura reforçar laços com a UE na visita de Tokayev a Bruxelas

Roman Vassilenko, embaixador do Cazaquistão junto da União Europeia
Roman Vassilenko, embaixador do Cazaquistão junto da UE Direitos de autor  Euronews
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De Stefan Grobe
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Numa visita estratégica de Tokayev a Bruxelas, o embaixador do Cazaquistão junto da UE diz à Euronews que Astana quer laços mais estreitos, apostando na energia, minerais críticos e ambições em IA

O presidente do Cazaquistão, Kassym-Jomart Tokayev, iniciou uma visita estratégica a Bruxelas numa altura em que Astana procura aprofundar a parceria com a União Europeia, afirmando-se como fornecedor fiável de energia e matérias-primas críticas e abrindo novas oportunidades na inteligência artificial, logística e tecnologias verdes.

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"Estamos no coração da Eurásia. Fazemos fronteira com a Rússia, fazemos fronteira com a China, mas queremos muito reforçar os nossos laços mutuamente benéficos com a União Europeia", disse em entrevista à Euronews o embaixador do Cazaquistão junto da UE, Roman Vassilenko, esta terça-feira, resumindo a principal mensagem da visita de Tokayev, inserida no envolvimento em constante evolução entre a UE e a Ásia Central.

"Já fizemos muito, mas podemos fazer bastante mais", acrescentou no programa matinal Europe Today, da Euronews, ao qualificar a UE como um dos "principais parceiros estratégicos" do Cazaquistão a nível mundial.

Presidente do Cazaquistão, Kassym-Jomart Tokayev, participa na cimeira da União Económica Eurasiática, em Astana, no Cazaquistão, na sexta-feira, 29 de maio de 2026
Presidente do Cazaquistão, Kassym-Jomart Tokayev, participa na cimeira da União Económica Eurasiática, em Astana, no Cazaquistão, na sexta-feira, 29 de maio de 2026 AP Photo

Vassilenko sublinhou que a visita de Tokayev a Bruxelas traz uma mensagem clara: apesar das relações já sólidas, há ainda uma margem significativa para crescer.

As ligações comerciais e de investimento entre as duas partes aumentaram de forma significativa nos últimos anos. Empresas europeias já aplicaram cerca de 210 mil milhões de dólares (184 mil milhões de euros) no Cazaquistão, sobretudo no setor da energia.

Mas o embaixador defende que as maiores oportunidades por explorar estão noutros domínios. Assinalou o transporte e a logística, as matérias-primas críticas, a inteligência artificial, o hidrogénio verde, as energias renováveis e as finanças como áreas com um potencial significativo para os investidores europeus.

O Cazaquistão procura igualmente afirmar-se como uma plataforma financeira emergente.

O Centro Financeiro Internacional de Astana acolhe atualmente cerca de 5 800 empresas de todo o mundo, evolução que, segundo o embaixador, demonstra a crescente atratividade do país para os negócios internacionais.

Os minerais críticos são outro dos pilares da proposta do Cazaquistão à Europa. O país já produz 21 das 34 matérias-primas identificadas como estratégicas ao abrigo do Regulamento da UE sobre Matérias-Primas Críticas.

Em vez de se limitar a exportar minerais, o Cazaquistão pretende que os parceiros europeus invistam no processamento local e na transferência de tecnologia.

"Vocês trazem investimento e tecnologia. Não se limitam a extrair, também transformam matérias-primas críticas no Cazaquistão, e ambos beneficiamos com isso", afirmou Vassilenko.

Um grande projeto já foi classificado pela Comissão Europeia como iniciativa estratégica.

Segundo a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, o projeto deverá produzir, uma vez em funcionamento, grafite suficiente para cerca de 100 mil baterias de veículos elétricos por ano.

Cazaquistão e União Europeia colocam a segurança energética no centro da relação

A segurança energética continua a estar no centro da relação entre a UE e o Cazaquistão. À medida que a Europa prossegue os esforços para reduzir a dependência da energia russa, o Cazaquistão afirma-se como um dos principais fornecedores alternativos de energia para Bruxelas. O país é já o terceiro maior fornecedor de petróleo bruto da União Europeia.

Embora a capacidade do Cazaquistão para aumentar as exportações seja limitada pelos níveis de produção interna e pela infraestrutura de transporte, Vassilenko considera que os fornecimentos podem crescer de forma significativa nos próximos anos.

O país envia atualmente cerca de 65 milhões de toneladas de petróleo bruto por ano para a Europa, valor que, segundo o embaixador, poderá subir para cerca de 100 milhões de toneladas num prazo de quatro a cinco anos.

Mas as ambições do Cazaquistão vão para além do petróleo. O país prevê começar a produzir cerca de 2 milhões de toneladas de hidrogénio verde por ano a partir de 2030, em parceria com uma empresa germano-sueca, o que poderá transformá-lo num importante fornecedor futuro de energia limpa para a Europa.

"Queremos continuar a ser este parceiro estratégico importante da União Europeia em matéria de segurança energética", afirmou o embaixador, que descreve o Cazaquistão como um país cada vez mais determinado a tornar-se não apenas uma ponte entre a Europa e a Ásia, mas um parceiro indispensável na transição económica e energética europeia.

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