A primeira-ministra Inga Ruginienė demitiu-se terça-feira, levando o Governo, após dez meses. Deverá regressar como ministra dos Assuntos Sociais num novo executivo de Mindaugas Sinkevičius, o terceiro social-democrata desde as eleições de 2024.
"Na política nada é permanente e nós, enquanto políticos, temos de perceber que os nossos cargos e funções não são eternos", disse Inga Ruginienė aos jornalistas após a última reunião de Conselho de Ministros. "É-nos dado um determinado período de tempo para fazermos um bom trabalho e acredito que este governo fez bom uso desse tempo", acrescentou.
O mandato curto de Ruginienė como primeira-ministra da Lituânia foi marcado por uma série de crises, incluindo incidentes de contrabando com balões, incursões de drones, um orçamento de Defesa recorde fixado em 5,38% do PIB e a demissão dos ministros da Cultura e da Defesa.
As viagens de familiares em deslocações oficiais à Itália e ao Vaticano, infringindo a lei, e a gestão deficiente de informação sobre dados divulgados pelo Centro de Registos podemter sido as últimas gotas de água no seu mandato como primeira-ministra.
No entanto, Ruginienė desvalorizou a demissão, considerando-a parte de "um processo político normal" e dizendo que Mindaugas Sinkevičius, líder do Partido Social-Democrata, já era apontado ao cargo desde o ano passado: "Este passo foi simplesmente adiado", afirmou, sem avançar mais detalhes. Ruginienė assumiu funções em agosto do ano passado, após a demissão de Gintautas Paluckas na sequência de alegações de práticas financeiras pouco éticas envolvendo empréstimos, fundos da UE e ligações empresariais que o abrangiam a si e a familiares.
Ruginienė deverá regressar àquilo que diz ser onde o seu "coração realmente está", a cadeira de ministra da Segurança Social, assim que um novo governo, que deverá ser liderado por Sinkevičius, estiver formado e aprovado.
O presidente Gitanas Nausėda deverá apresentar na quinta-feira ao parlamento da Lituânia, o Seimas, a proposta de nomeação de Sinkevičius, segundo a LRT. Depois de o Seimas aprovar o nome proposto, o chefe de Estado nomeia o primeiro-ministro e encarrega-o de formar governo.
O governo cessante de Ruginienė continuará em funções até à formação do novo executivo.
Ministro dos Negócios Estrangeiros enfrenta equilíbrio delicado
Embora Sinkevičius tenha afirmado na semana passada que as mudanças no governo não seriam «profundas», mantém-se a especulação sobre o futuro do ministro dos Negócios Estrangeiros, Kęstutis Budrys, visto como mais próximo do presidente do que dos Social-Democratas.
Agora, Budrys enfrenta um exercício delicado de equilíbrio. Foi incumbido de normalizar as relações com a China, um dos compromissos centrais de política externa previstos no acordo da nova coligação. «Se isso não acontecer, vamos olhar de forma diferente para a questão [do futuro de Budrys]», afirmou o presidente, segundo a LRT.
Ao nível da UE, a Lituânia está alinhada com França, Itália, Espanha e Países Baixos, países que, no Conselho Europeu da semana passada, defenderam um uso mais alargado de tarifas e de outros instrumentos de defesa comercial para contrariar as práticas comerciais desleais da China.
A remodelação do governo ocorre numa altura em que os social-democratas afastaram os populistas da coligação governamental, com os democratas «Pela Lituânia» a concordarem em regressar ao executivo.
Ao abrigo do novo acordo de coligação, os social-democratas, maior partido no Seimas, manterão nove ministérios: Ambiente, Finanças, Defesa, Cultura, Segurança Social, Transportes, Educação e Desporto, Negócios Estrangeiros e Administração Interna. Os democratas «Pela Lituânia» ficarão responsáveis por três pastas: Saúde, Agricultura e Energia. Agricultores e Verdes, juntamente com aliados, manterão a Economia e a Justiça.