Organização britânica defensora das liberdades civis, Big Brother Watch, criticou o uso destes mecanismos tecnológicos
O comissário da Polícia Metropolitana de Londres anunciou planos para reforçar o uso de drones e da tecnologia de reconhecimento facial em toda a capital britânica.
Numa intervenção na quarta-feira, Mark Rowley alertou que a criminalidade está a evoluir rapidamente e que muitos criminosos passaram para o espaço digital.
“Estão a usar ferramentas mais inteligentes, mais rápidas e mais interligadas do que nunca”, afirmou.
Para enfrentar esta ameaça crescente, Rowley defendeu que as forças policiais têm de acompanhar as novas tecnologias e pediu menos legislação antes da sua aplicação.
Destacou os drones e o reconhecimento facial como elementos centrais para reforçar a capacidade operacional da Polícia Metropolitana nos próximos anos.
Os drones podem ser usados pelas forças policiais para ajudar a seguir suspeitos, procurar pessoas desaparecidas e recolher informação em tempo real, apoiando os agentes no terreno.
Rowley adiantou que a Polícia Metropolitana vai ampliar o programa de drones e que pretende ter cobertura com estes dispositivos em todos os bairros de Londres até junho de 2027.
“Tencionamos trabalhar com os restantes serviços de emergência de Londres, como os Bombeiros de Londres, para criar uma rede de drones ao serviço de todas as emergências na cidade, idealmente assente numa infraestrutura partilhada que cubra todo o território urbano”, disse.
A Polícia Metropolitana utiliza software de reconhecimento facial para ajudar os agentes a localizar, em tempo real, pessoas que constam de ‘listas de vigilância’. A tecnologia é também usada para identificar indivíduos que dão dados falsos ou pessoas inconscientes ou feridas que não conseguem comunicar.
Rowley, que afirmou que esta tecnologia permitiu efetuar mais de 2 000 detenções desde 2024, anunciou que a força policial vai agora instalar câmaras fixas de reconhecimento facial em tempo real, ligadas à infraestrutura urbana e monitorizadas à distância.
“Estas câmaras poderão ser deslocadas entre as zonas com maior incidência criminal. No próximo ano, a nossa intenção é continuar a sua expansão a toda a cidade de Londres”, acrescentou.
A organização britânica de defesa das liberdades civis Big Brother Watch tem criticado o uso deste tipo de tecnologia.
O grupo classifica os sistemas de reconhecimento facial como “intrusivos”, “discriminatórios” e “antidemocráticos” e afirma que a sua utilização está “a sair de controlo”.
Silkie Carlo, diretora da organização, descreveu ainda os drones como “uma forma extrema e militarizada de vigilância”.
“A polícia usar drones para vigiar e dar ordens à população é, na maioria dos casos, excessivo e contraproducente. O Parlamento deve criar salvaguardas mais robustas para limitar o seu uso”, defendeu.