Datas da primeira e segunda volta das presidenciais vão a Conselho de Ministros esta quarta-feira de manhã para validação.
A informação surgiu na noite de terça-feira, avançada pelo Ouest-France e pela AFP: a próxima eleição presidencial está marcada para 18 de abril e 2 de maio de 2027. As datas têm de ser confirmadas em Conselho de Ministros esta quarta-feira.
De acordo com a Constituição, a votação tem de realizar-se entre 20 e 35 dias antes do fim do mandato do presidente em funções, tendo Emmanuel Macron iniciado o segundo quinquénio a 14 de maio de 2022.
Calendário adequado para uma eleição decisiva?
Assim, a votação decorrerá no dia seguinte ao Dia do Trabalhador e em plena época de férias escolares numa parte do país. Um calendário que suscita dúvidas quanto à abstenção.
Para Christophe Chabrot, professor de direito público na universidade Lumière Lyon II e observador da democracia francesa, como o 1.º de Maio calha a um sábado, "não há grande ponte, nenhum fim de semana prolongado" que possa prejudicar a participação.
Num comentário à Euronews, o especialista considera, porém, que não são as próprias datas que poderão alimentar a abstenção, mas sobretudo fatores políticos.
Em comparação com a eleição de 2007, sublinha Christophe Chabrot, a abstenção "deliberada" aumenta em cada eleição presidencial. A tendência acentuou-se durante a presidência de Emmanuel Macron, com mais de 25% de abstenção na segunda volta em 2017 e 28% em 2022.
"A abstenção tornou-se uma opção política de protesto contra a classe política", afirma, acrescentando que a dispersão de candidaturas, tanto à esquerda como à direita, poderá desmobilizar ainda mais o eleitorado.
A eventual presença de candidatos oriundos dos chamados campos "extremos" na segunda volta poderá também afastar uma parte do eleitorado dos partidos tradicionais.
Corrida ao Eliseu
Nada menos do que vinte e cinco (fonte em francês)figuras políticas já manifestaram vontade de participar na eleição; outras mantêm-se em reserva ou preparam as suas candidaturas à espera de um contexto favorável.
É o caso de François Hollande. O antigo presidente observa o seu campo a dividir-se na busca de um candidato comum e parece apostar na estratégia do "buraco de rato": no final da campanha, à esquerda, poderá ser o único a sobrar.
À esquerda, mesmo antes de uma decisão conjunta, vários socialistas já se lançaram na corrida presidencial: o deputado Jérôme Guedj, o autarca de Saint-Ouen Karim Bouamrane e o deputado Philippe Brun.
Nenhum deles esperou pela decisão do Partido Socialista (PS) sobre a forma de escolher um candidato. O primeiro secretário, Olivier Faure, defende umas primárias com os Ecologistas e o restante espaço da esquerda, excluindo A França Insubmissa (LFI). A corrente interna liderada por Boris Vallaud prefere uma votação limitada aos militantes do PS, aos de Place Publique, o partido de Raphaël Gluksmann, e aos militantes de Convention, o movimento de Bernard Cazeneuve.
Também o bloco central continua preso no nevoeiro das lutas internas para encontrar uma candidatura única. Os dois ex-primeiros-ministros Édouard Philippe (Horizons) e Gabriel Attal (Renaissance) têm dificuldades em reunir o antigo núcleo macronista, cujos principais dirigentes esperam que um dos dois assuma claramente a liderança antes de se lhes juntarem.
À direita, apenas Bruno Retailleau, presidente dos Republicanos, declarou a sua candidatura, embora outros não excluam avançar. É o caso do deputado Laurent Wauquiez ou de Xavier Bertrand. Segundo o presidente do Conselho dos Hauts-de-France, os eleitores ainda não estão focados na eleição presidencial e pensam sobretudo no Mundial e no Tour de France, prestes a começar.
A França Insubmissa (LFI), pelo contrário, não teve de passar por um processo complexo de escolha: aos 74 anos, Jean-Luc Mélenchon, figura tutelar do partido, é pela quarta vez na sua carreira política candidato à eleição presidencial.
7 de julho é a próxima etapa da campanha: nesse dia, o tribunal de recurso de Paris irá pronunciar-se sobre a inelegibilidade de Marine Le Pen. Caso venha a ser impedida, Jordan Bardella será o candidato do Rassemblement National (RN) à eleição de 2027.
Num caso como no outro, todas as sondagens (fonte em francês) colocam o RN presente na segunda volta. Na primeira, segundo os inquéritos de opinião, Marine Le Pen ou Jordan Bardella lideram com mais de 30% dos votos, o candidato do bloco central surge em segundo lugar com cerca de 20% e Jean-Luc Mélenchon aparece em terceiro, com cerca de 13%.