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União Europeia quer aprofundar laços com Turquia em contexto geopolítico volátil

O presidente turco Recep Tayyip Erdoğan cumprimenta com um aperto de mão a principal diplomata da UE, Kaja Kallas, durante um encontro em Ancara, Turquia.
Presidente turco Recep Tayyip Erdoğan aperta a mão à alta representante da UE Kaja Kallas durante uma reunião em Ancara, Turquia Direitos de autor  European Union , 2026
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De Luca Bertuzzi
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Três comissários europeus reuniram-se com o presidente turco, em Ancara, para reforçar a cooperação em comércio, migração e segurança com um candidato-chave à adesão à UE, antes da cimeira da NATO da próxima semana.

A União Europeia está a avançar para aprofundar os laços com a Turquia, que considera essencial para a estabilidade regional num cenário geopolítico em mudança, reforçando a cooperação em política externa, conetividade, comércio e migração.

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Na terça-feira, a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, o comissário europeu para os Assuntos Internos e Migração, Magnus Brunner, e a comissária para o Alargamento, Marta Kos, deslocaram-se à Turquia para se reunirem com o presidente Recep Tayyip Erdoğan, seguindo-se conversações com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Hakan Fidan.

Os responsáveis europeus apelidaram a visita de "reunião jumbo".

"A Turquia é um parceiro-chave em matéria de segurança, migração e energia, bem como um país candidato à UE", escreveu Kallas na rede X após o encontro com Erdoğan, acrescentando que o país "está a dar um contributo significativo para proteger o flanco leste da NATO".

A visita teve lugar a apenas uma semana de uma cimeira crucial da NATO em Ancara, mas o foco manteve-se nas relações bilaterais entre a UE e a Turquia – um formato habitual com um país candidato cujo processo de adesão está estagnado desde que foi formalmente lançado em 2005.

Em matéria de política externa, as conversações centraram-se no Médio Oriente, com ambas as partes a procurar alinhar posições sobre o Irão, a Síria e Gaza, bem como sobre África e o Sul do Cáucaso.

O comunicado conjunto divulgado após a reunião sublinha o compromisso comum com o multilateralismo, a ordem internacional baseada em regras e a responsabilidade partilhada em relação a questões globais e regionais.

Esteve igualmente em cima da mesa o eventual apoio da Turquia a uma futura missão da UE no Líbano. Com o mandato da Força Interina das Nações Unidas no país a expirar este ano, as potências regionais ponderam como colmatar o vazio.

As discussões abordaram também o recente reforço da cooperação em matéria de segurança entre a Turquia e a Ucrânia, saudado pelos responsáveis da UE, e a segurança no Mar Negro, onde a Roménia e a Bulgária propõem a criação de um novo Centro de Segurança Marítima.

O comunicado compromete ambas as partes a trabalharem pela paz e prosperidade no Sul do Cáucaso, na sequência do acordo de paz histórico que a Arménia e o Azerbaijão assinaram no ano passado.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deverá visitar esta semana a Arménia e o Azerbaijão, com a segurança energética e a conectividade no topo da agenda.

Conectividade e cooperação económica

Bruxelas tem dado prioridade ao desenvolvimento da Rota Internacional de Transporte Transcaspiana (TITR), também conhecida de Corredor do Meio**,** uma ligação alternativa entre a Europa e a Ásia Central que contorna a Rússia através da Turquia e do Sul do Cáucaso.

"O mundo à nossa volta está a mudar realmente muito depressa", afirmou Marta Kos na cerimónia de encerramento do projeto "Strengthening Intermodal Transport Services", na terça-feira.

"As rotas comerciais que pareciam seguras já não podem ser dadas por garantidas. A concorrência entre potências globais está a aumentar. As empresas procuram cadeias de abastecimento mais fiáveis", lembra Kos.

"Os países querem ter mais opções para o comércio, a energia e as ligações digitais. Isto oferece à União Europeia e à Turquia uma oportunidade comum, uma grande oportunidade", concluiu.

Marta Kos reuniu-se ainda com os ministros turcos das Finanças, dos Transportes e do Comércio, em encontros que abordaram a modernização do acesso da Turquia à união aduaneira da UE. Esse acesso baseia-se atualmente num acordo de 1995 que continua a prever várias exceções.

O comunicado conjunto realça também a importância de uma abordagem inclusiva e recíproca em matéria de política industrial – uma referência indireta ao Industrial Accelerator Act, a principal iniciativa legislativa para reforçar a competitividade europeia, que poderá excluir empresas de fora da UE dos contratos públicos.

O texto saúda ainda a participação da Turquia na Zona Única de Pagamentos em Euros, a iniciativa da UE para harmonizar os pagamentos eletrónicos, e a retoma gradual das operações do Banco Europeu de Investimento no país.

Outros temas incluíram a liberalização de vistos Schengen para cidadãos turcos, o contorno das sanções impostas à Rússia e a aplicação do acordo de readmissão relativo a cidadãos a residir ilegalmente no território de cada parte.

O comunicado aponta igualmente para uma cooperação mais estreita na gestão de fronteiras e no combate ao tráfico de migrantes.

"Trabalhamos em conjunto com a Turquia para impedir a migração ilegal, criando ao mesmo tempo mais oportunidades de mobilidade e promovendo contactos interpessoais", escreveu o comissário Brunner na rede X.

Possíveis obstáculos

Apesar de o contexto internacional tornar mais fácil, para ambas as partes, uma aproximação entre Bruxelas e Ancara, subsistem diferenças significativas por resolver.

As conversações tiveram lugar depois de von der Leyen ter discursado numa conferência na Alemanha que assinalou o 80.º aniversário do jornal Die Zeit, na qual mencionou a Turquia a par da Rússia e da China como potências estrangeiras que procuram influenciar a Europa.

A comparação suscitou uma reação dura de Ancara, tendo em conta o estatuto da Turquia como país candidato à UE e membro da NATO. Responsáveis europeus sublinharam que Erdoğan terá oportunidade de abordar diretamente o tema com von der Leyen quando ambos se encontrarem na cimeira da NATO da próxima semana.

O comunicado conjunto exprime ainda apoio aos esforços do secretário-geral da ONU relativamente à questão de Chipre, Estado-membro da UE cujo território está parcialmente ocupado pela Turquia há mais de 50 anos.

Os direitos humanos e o Estado de direito também estiveram em cima da mesa. O registo recente de Erdoğan tem inquietado os decisores europeus, em particular a detenção, no ano passado, do presidente da câmara de Istambul e candidato presidencial Ekrem İmamoğlu, do opositor Partido Republicano do Povo.

"Enquanto país candidato, esperamos também que a Turquia respeite os mais elevados padrões de democracia, Estado de direito e direitos humanos", afirmou Kos na rede X.

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