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Azerbaijão e Arménia: von der Leyen visita para reforçar envolvimento da UE

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, fala durante uma conferência de imprensa na sede da UE, em Bruxelas, 13 de abril de 2026
Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, fala durante uma conferência de imprensa na sede da UE em Bruxelas, 13 de abril de 2026 Direitos de autor  AP Photo
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De Peter Barabas & Aleksandar Brezar
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A presidente da Comissão Europeia visita Bacu e Erevan para reforçar o envolvimento estratégico da UE no Sul do Cáucaso e aprofundar a cooperação energética, o comércio e a conectividade regional

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, vai deslocar-se na próxima semana ao Azerbaijão e à Arménia para aprofundar o envolvimento estratégico da UE com os dois antigos rivais no Cáucaso do Sul, confirmaram à Euronews fontes em Erevan e Bacu conhecedoras do dossiê.

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A chefe do executivo comunitário deverá visitar Bacu em 1 de julho, onde terá conversações com o presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, sobre o aumento das exportações de energia do país para a Europa, pilar central das relações UE-Azerbaijão, bem como sobre a cooperação em grandes projetos regionais de infraestruturas, hoje cruciais para as economias europeias.

Será a primeira visita de von der Leyen a Bacu desde 2022, ano em que a UE e o Azerbaijão assinaram uma parceria estratégica no domínio da energia, num momento em que a Europa se afastava da energia russa e necessitava urgentemente de fontes alternativas de gás.

É também a primeira deslocação desde que a Arménia e o Azerbaijão acordaram fazer a paz, após décadas de guerra em torno de Karabakh, numa região anteriormente na órbita de Moscovo.

A visita dá continuidade ao diálogo político estratégico da UE com a região, na sequência das conversações em março do presidente do Conselho Europeu, António Costa, com Aliyev em Bacu, ocasião em que Costa afirmou que Bruxelas e Bacu trabalham agora num novo quadro para uma cooperação mais estreita em matéria de defesa, segurança e desenvolvimento digital, destinado a alargar as relações para além da energia e das ligações de infraestruturas já existentes.

“Isto envia um sinal forte da nossa visão conjunta para o futuro”, disse Costa em março, acrescentando que “a segurança energética é uma pedra angular da cooperação da UE com o Azerbaijão” e salientando o papel central do Azerbaijão nos esforços europeus para diversificar as fontes de abastecimento de gás, petróleo e energias renováveis.

No total, 16 países europeus recebem atualmente gás azeri, entre os quais 10 Estados-membros da UE, sendo a Itália o principal importador europeu de energia do Azerbaijão, como sublinhou a visita da primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, a Bacu em maio.

Médio Corredor torna-se nova prioridade comercial da Europa

A conectividade é hoje outra área-chave da cooperação UE-Azerbaijão, sendo o desenvolvimento do Médio Corredor uma oportunidade estratégica para criar novas ligações de transporte alternativas entre a Europa e a Ásia através do Cáucaso do Sul, após as perturbações geradas pelo Irão.

A comissária europeia para o Alargamento, Marta Kos, que deverá acompanhar von der Leyen em ambas as visitas, lançou esta semana a nova Plataforma da Agenda de Conectividade da UE, através da qual a União participará nos projetos do Médio Corredor com investimentos de governos, instituições financeiras e investidores privados, que até agora já ultrapassaram 80 milhões de euros em fundos da UE, com o objetivo de mobilizar mais de 2 mil milhões de euros para investimentos em infraestruturas de transporte, energia e digitais.

Num vídeo publicado na rede X, Kos apresentou o novo projeto europeu de conectividade, afirmando ser crucial para a Europa tornar mais seguras as rotas comerciais e o abastecimento energético, evitar as rotas tradicionais, hoje pouco fiáveis, e sublinhando que chegara a altura de o continente fazer a sua parte.

“Basta olhar para o mapa dos voos antes e depois do início da recente guerra no Irão. Quase todos os aviões começaram a passar pelo Cáucaso. É por aqui, pelo Médio Corredor, que podemos garantir as nossas ligações comerciais, energéticas e digitais”, afirmou Kos, explicando que o Médio Corredor liga a Europa e a Ásia através da Turquia e do Cáucaso do Sul.

A comissária para o Alargamento explicou que o comércio ao longo desta rota é hoje quatro vezes superior ao de 2022, apesar de estrangulamentos e obstáculos, e que o envio de carga para a Europa pode ainda demorar até 45 dias a chegar à Roménia.

“O nosso objetivo? Reduzir esse prazo para apenas 15 dias, o que é significativamente mais rápido do que o transporte marítimo para a Europa. Como? Melhorando estradas, caminhos-de-ferro, portos e reduzindo as demoras nas fronteiras”, resumiu Kos, ao expor as ambições da UE.

“Isto ajudará a baixar os custos para as nossas empresas e a tornar os bens mais baratos para as pessoas na UE. Ajudará a fazer crescer a nossa economia”, afirmou a comissária para o Alargamento.

“Ajudará também a apoiar a melhoria das relações entre países da região, depois de décadas de conflito, reforçando igualmente as economias dos nossos vizinhos a leste. Foi isso que o carvão e o aço fizeram por nós na Europa após a Segunda Guerra Mundial”, explicou Kos.

Concluiu sublinhando que “esta é a prioridade da Comissão Europeia: garantir as nossas ligações comerciais, energéticas e digitais através de rotas em que possamos confiar”, preparando o terreno para a visita da liderança europeia a Bacu.

Em março, Aliyev disse a Costa que, numa altura em que a guerra no Irão perturba os sistemas de trânsito global, o potencial económico e de trânsito do Cáucaso do Sul está a crescer, abrindo novas oportunidades para desenvolver o Médio Corredor que liga a Ásia e a Europa.

Durante a visita que fez a Bacu em maio, Meloni afirmou querer que o Azerbaijão reforçasse o seu papel de plataforma energética entre a Europa e a Ásia, com a Itália a servir de “porta privilegiada para o mercado europeu”.

O aumento da capacidade exigiria a expansão do gasoduto Trans-Adriático, o troço final do Corredor Meridional de Gás, que transporta gás azeri através da Turquia, Grécia e Albânia até ao sul de Itália.

Paz abre caminho a nova agenda regional

As novas iniciativas são agora possíveis depois de Azerbaijão e Arménia terem assinado um acordo de paz histórico, após quase quatro décadas de um conflito trágico, e de estarem plenamente empenhados em forjar um futuro económico comum para os seus países e para a região.

A visita da presidente da Comissão aos dois países leva não apenas uma mensagem política, mas também o simbolismo de uma UE que passa a relacionar-se com eles num quadro de paz, e não de confronto, com vista a futuros projetos económicos conjuntos.

Von der Leyen viajará para Erevan para conversações com o primeiro-ministro arménio, Nikol Pashinyan, numa altura em que a UE acaba de lançar um pacote de apoio à Arménia e procura aprofundar as relações estratégicas UE-Arménia, depois de Pashinyan ter garantido um mandato claramente pró-Ocidente nas eleições recentes.

A Comissão Europeia tinha manifestado o seu apoio a Pashinyan poucos dias antes das eleições cruciais de 7 de junho e anunciou um pacote de apoio para contrariar a ofensiva de sanções russas, na sequência da viragem prudente de Erevan em direção ao Ocidente e à UE.

Pashinyan geriu cuidadosamente a posição da Arménia em relação à Rússia nos últimos dias da campanha, afirmando que, por agora, uma eventual candidatura de adesão à UE era “teórica”.

Nessa altura, a Comissão anunciou um pacote de apoio sob a forma de assistência financeira e medidas práticas para apoiar o comércio agroalimentar arménio, depois de Moscovo ter desencadeado uma ofensiva económica, restringindo as importações de várias frutas, legumes, flores e produtos de pesca arménios, bem como de vinho, conhaque e água mineral, e ameaçando ainda cortar fornecimentos críticos de petróleo e gás russos à Arménia.

A visita de von der Leyen terá lugar após o anúncio, feito na sexta-feira passada pela Comissão Europeia, de que “desembolsou 34 milhões de euros para a Arménia para ajudar a atenuar o impacto das restrições comerciais da Rússia sobre o setor privado do país”.

“A UE está a cumprir rapidamente os seus compromissos de apoiar a Arménia e o seu povo”, afirmou a Comissão Europeia em comunicado.

“Será prestado apoio adicional aos setores afetados pelas restrições comerciais, incluindo produtos agroalimentares, produção de flores e outras indústrias orientadas para a exportação, através de iniciativas comerciais, eventos de contacto entre empresas e ações específicas de acesso aos mercados”, acrescentou a mesma nota.

O Grupo de Trabalho UE-Arménia para a Resiliência Económica continua a reunir-se regularmente para orientar e acompanhar a execução destas medidas, adiantou a Comissão.

Kos afirmou anteriormente que “a UE está firmemente ao lado da Arménia, um país soberano, democrático e independente” e que o pacote europeu “ajudará a responder a desafios económicos imediatos, abrindo ao mesmo tempo novas oportunidades para as empresas arménias comercializarem com os mercados regionais e europeus”.

“É a solidariedade europeia em ação”, enfatizou.

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