UE lança pacote de apoio à Arménia: von der Leyen reúne-se em Erevan com Pashinyan após mandato pró-Ocidente reforçado
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deverá deslocar-se à Arménia na próxima semana para discutir com o primeiro-ministro arménio, Nikol Pashinyan, o aprofundamento das relações estratégicas entre a UE e a Arménia, confirmaram na terça-feira à Euronews fontes em Erevan conhecedoras do dossier.
A Comissão Europeia manifestou apoio a Pashinyan poucos dias antes das decisivas eleições de 7 de junho e anunciou um pacote de apoio para contrariar a ofensiva russa de sanções, na sequência da prudente aproximação de Erevan ao Ocidente e à UE.
Nos últimos dias de campanha, Pashinyan procurou equilibrar cuidadosamente a posição da Arménia em relação à Rússia, afirmando que, por agora, a candidatura do país à adesão à UE é «teórica».
Numa declaração na altura, após a cimeira de alto nível UE-Arménia realizada em Erevan, em maio, von der Leyen afirmou que a Comissão Europeia «mantém um apoio firme» a Pashinyan e que, «ao alargar as restrições às exportações de produtos arménios, Moscovo está a transformar as relações económicas em instrumento de pressão política».
Na altura, a Comissão Europeia anunciou um pacote de apoio com assistência financeira e medidas práticas para sustentar o comércio agroalimentar arménio, depois de Moscovo ter lançado uma ofensiva económica, restringindo as importações de várias frutas, legumes, flores e produtos da pesca da Arménia, bem como vinho, conhaque e água mineral, e ameaçando ainda cortar fornecimentos essenciais de petróleo e gás russos ao país.
A deslocação de von der Leyen ocorre na sequência de um novo anúncio feito na última sexta-feira pela Comissão Europeia, que indicou ter «desembolsado 34 milhões de euros para a Arménia, a fim de mitigar o impacto das restrições comerciais da Rússia sobre o setor privado do país», sublinhando que «a UE está a cumprir rapidamente os compromissos assumidos para apoiar a Arménia e a sua população».
«Será prestado apoio adicional aos setores afetados pelas restrições comerciais, incluindo produtos agroalimentares, produção de flores e outras indústrias orientadas para a exportação, através de iniciativas comerciais, encontros de parceiros empresariais e ações específicas de acesso a mercados», indicou a Comissão Europeia em comunicado.
O grupo de trabalho UE-Arménia sobre resiliência económica continua a reunir-se regularmente para orientar e acompanhar a aplicação destas medidas, acrescentou a Comissão Europeia.
Arménia: chegam damascos arménios
No anúncio do pacote feito na sexta-feira passada, a comissária europeia para o Alargamento, Marta Kos, afirmou que viajará em breve para a Arménia «para reforçar a cooperação entre a UE e a Arménia», sublinhando que «a UE está firmemente ao lado da Arménia, um país soberano, democrático e independente».
Kos acrescentou que o pacote de apoio da UE «vai ajudar a enfrentar desafios económicos imediatos, ao mesmo tempo que abre novas oportunidades para as empresas arménias comercializarem com os mercados regionais e europeus».
«Isto é solidariedade europeia em ação», sublinhou.
Na segunda-feira, a comissária Kos revelou que o ministro arménio da Administração Territorial e Infraestruturas, Davit Khudatyan, lhe entregou «o primeiro lote simbólico de damascos arménios» antes do lançamento de uma chamada Plataforma da Agenda de Conectividade, «onde prosseguiremos o nosso trabalho para ligar melhor a Arménia aos seus vizinhos e à Europa».
«Isto ajudará os produtores arménios a diversificar as suas exportações e a levar mais dos seus produtos de elevada qualidade a novos mercados», afirmou Kos numa mensagem publicada na rede X.
Dias antes das eleições, Pashinyan tentou aliviar as tensões com a Rússia e declarou ter acordado com o presidente russo, Vladimir Putin, deslocar-se a Moscovo após o sufrágio para «realizar uma reunião e resolver todas as questões atuais».
«Não entraremos numa guerra de palavras com a Rússia, defenderemos com calma as posições da Arménia», disse Pashinyan na reta final da campanha, acrescentando que Erevan «não atuará contra os interesses da Rússia, mas também não atuará contra os seus próprios interesses».
O chefe do governo arménio deixou igualmente claro, na altura, que a candidatura do país à adesão à UE é, por agora, «teórica» e que «continuaremos a trabalhar com calma e de forma constante, sem conflitos, no quadro da União Económica Eurasiática, e estou convencido de que ainda temos potencial nesta direção, que iremos aproveitar num futuro próximo».