O comissário europeu para a Defesa alertou que os Estados-membros não podem exigir uma arquitetura de segurança mais robusta enquanto reduzem o orçamento da UE e apelou a despesas "à altura das novas ambições de defesa".
Os países da UE têm de corresponder às ambições europeias de defesa nas próximas negociações orçamentais, defendeu esta quinta-feira o comissário europeu para a Defesa e Espaço, Andrius Kubilius, numa conferência.
“Se quer paz, prepare-se para a guerra”, disse Kubilius, citando um antigo provérbio romano para defender que a força e a preparação são o melhor meio de dissuadir ataques.
Kubilius sustentou que poupar na defesa sai caro no futuro, sublinhando os enormes danos económicos que acompanham a escalada de tensões até ao conflito aberto.
“Para evitar que haja motivos para guerra, os Estados-membros têm de aumentar o orçamento da UE para 12 a 15% do Produto Interno Bruto europeu”, afirmou.
As declarações de Kubilius surgem após uma proposta recente da já concluída presidência cipriota do Conselho da UE, que incluía um corte de 4% no Fundo de Competitividade, o instrumento destinado a reforçar a inovação tecnológica e a defesa.
Países contribuintes líquidos como a Alemanha e os Países Baixos, conhecidos como “frugais”, têm pressionado por novos cortes orçamentais, defendendo também que os recursos sejam reorientados para prioridades emergentes como a defesa, à custa de rubricas tradicionais como a política agrícola comum e a política de coesão.
Para o comissário da Defesa, aumentar a despesa em defesa ao nível da UE oferece um claro valor acrescentado através de procedimentos de aquisição conjunta, garantindo uma eficiência significativamente superior à obtida com despesa ao nível nacional.
Kubilius estabeleceu um paralelo com os Estados Unidos, onde o orçamento federal se manteve limitado até se expandir de forma acentuada durante a Segunda Guerra Mundial, em paralelo com o desenvolvimento do moderno Estado social e de segurança.
“Se os Estados-membros querem evitar a guerra e poupar na despesa em defesa, devem aumentar tanto o orçamento da UE como a despesa pública ao nível europeu”, afirmou Kubilius.