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Decisão de tribunal complica arranque de campanha de Marine Le Pen com reações mistas

A líder da extrema-direita Marine Le Pen visita um mercado no âmbito da sua campanha eleitoral em La Flèche, em França, na quarta-feira, 8 de julho de 2026.
Dirigente de extrema-direita Marine Le Pen visita mercado no âmbito da campanha eleitoral em La Flèche, França, quarta-feira, 8 de julho de 2026. Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Nina Borowski
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No dia seguinte à condenação em recurso por desvio de fundos públicos, Marine Le Pen lançou a campanha para as presidenciais de 2027, candidatura que gera fortes reacções entre responsáveis políticos e na opinião pública

Uma jogada arriscada para alguns, um incumprimento do dever de exemplaridade para outros. A líder do Rassemblement National (RN), Marine Le Pen, lançou oficialmente na quarta-feira a sua campanha para a eleição presidencial de 2027, um dia depois de ter sido condenada em recurso por desvio de fundos públicos, no caso dos assistentes parlamentares europeus.

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Apesar de poder concorrer a eleições, a líder de extrema-direita foi condenada ao uso de uma pulseira eletrónica durante um ano, pena suspensa pelo recurso apresentado para o Tribunal de Cassação.

Multiplicam-se as reações no seio da classe política. À esquerda, vários responsáveis consideram que esta condenação põe em causa a legitimidade de Marine Le Pen para disputar o Eliseu.

"Quando se é condenado pela justiça por desvio de fundos públicos, pode considerar-se que se tem legitimidade para ser presidente da República?", questiona o primeiro-secretário do Partido Socialista, Olivier Faure.

"O que continuo a achar bastante complicado é que seja candidata às presidenciais - tenha ou não apresentado um recurso de cassação - depois de ter sido condenada em primeira instância e em recurso por desvio de fundos públicos. Os tribunais consideraram-na culpada por duas vezes", recorda Marine Tondelier, secretária nacional dos Ecologistas.

À direita, Édouard Philippe, também candidato declarado à eleição presidencial à frente do seu partido Horizons, considera que a entrada em campanha de Marine Le Pen permitirá recentrar o debate no plano político e não judicial.

"Pessoalmente, prefiro empenhar-me e derrotar a senhora Le Pen nas urnas, em vez de a ver desaparecer por causa de uma decisão judicial", observa.

Também entre a população, o anúncio desta candidatura suscita reações contrastadas.

Alguns denunciam a falta de exemplaridade da dirigente do RN. "Não me surpreende, mas é de um descaramento incrível. Defende-se que os responsáveis políticos devem ser exemplares e aqui não é nada disso que acontece", considera um transeunte.

_"_Estão numa lógica em que ela é a vítima de um sistema, uma fénix que vai renascer das cinzas. É só isso que se ouve há 24 horas. O facto de ter recorrido para o Tribunal de Cassação faz com que não use a pulseira eletrónica. Por isso vai poder ir a todo o lado e fazer-se de vítima", critica outra.

Pelo contrário, alguns apoiam a candidatura. "Quanto mais candidatos houver, mais escolha existe. E eu, por acaso, até gosto dela", afirma uma terceira pessoa ouvida.

Em deslocação a La Flèche, concelho conquistado pelo RN nas eleições municipais de março passado, Marine Le Pen foi obrigada a encurtar o banho de multidão, perturbado pela mobilização de cerca de sessenta opositores.

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