No seu derradeiro discurso às forças armadas, esta segunda-feira, 13 de julho, Emmanuel Macron congratulou-se com o aumento do orçamento das forças armadas, uma promessa que tinha feito aquando da sua chegada ao Palácio do Eliseu, em 2017.
Na véspera do Dia Nacional de França, Emmanuel Macron proferiu, esta segunda-feira, 13 de julho, junto ao Hôtel de Brienne, o seu décimo e último discurso às forças armadas. O presidente francês dedicou grande parte da sua intervenção a apelar a um apoio ainda maior do Estado aos militares, a fim de garantir a qualidade do seu empenho.
"Há nove anos, logo após ter sido eleito pelos franceses, anunciei-vos uma viragem histórica para as nossas forças armadas. Uma viragem na qual muitos já tinham deixado de acreditar, habituados aos sucessivos cortes orçamentais", afirmou logo no início do seu discurso.
Aquando da sua chegada ao Palácio do Eliseu, em 2017, tinha anunciado "que o orçamento da defesa seria aumentado, que os compromissos seriam cumpridos e que França e as suas forças armadas estariam à altura dos seus deveres e responsabilidades".
O objetivo anunciado era, na altura, atingir um esforço de defesa equivalente a 2% do PIB do país. "O compromisso foi cumprido e fizemos bem", congratulou-se.
Pretende agora avançar "mais depressa" e "com mais força", antecipando para 2027 "a ambição inicialmente prevista para 2030 de atingir um orçamento de 64 mil milhões de euros para as nossas forças armadas", o que equivaleria a uma duplicação desse orçamento em dez anos.
"Está previsto um esforço adicional de 36 mil milhões de euros para o período de 2026 a 2030, com três grandes prioridades", afirmou em seguida. "O aumento dos nossos stocks de munições e o reforço da capacidade operacional; meios adicionais para garantir a nossa soberania; e a melhoria das capacidades das forças armadas para conduzir combates que possam tornar-se necessários já amanhã."
França quer reforçar perspetiva europeia
Na segunda parte do seu discurso, Emmanuel Macron deteve-se na necessidade de prosseguir os projetos à escala europeia. "A Europa está a tornar-se uma potência que se apoia nos Estados que a constituem, respeitadora das suas decisões soberanas, mas disposta a defender-se e a agir de forma unida", referiu.
"A mensagem que enviamos ao mundo é a seguinte: sim, a paz é o nosso objetivo. Sim, valorizamos a liberdade e o direito. Sim, estamos prontos a lutar para os defender sempre e, se for preciso, à custa de sangue", afirmou em seguida.
Para ilustrar esta colaboração europeia, Emmanuel Macron citou o fracasso do Scaf, o projeto de avião franco-alemão, anunciado há algumas semanas. Mas, para o chefe de Estado francês, "seria um erro ficarmos por aqui e seria um erro pensar que as realidades de hoje serão as mesmas daqui a dez, quinze ou vinte anos, e que não surgirão concorrentes".
Apelou depois aos seus aliados para que avançassem em vários projetos, tais como "o alerta precoce com o Jewel [projeto europeu de deteção rápida de disparos ameaçadores]", "o disparo em profundidade, no qual temos de construir a nossa própria solução" ou "em múltiplos projetos que nos permitam tornar a Europa uma realidade industrial e concreta".