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Grécia: incêndio de Mati, há oito anos, marcou as vítimas para sempre

Área queimada em Mati, julho de 2018 (arquivo)
Área queimada em Mati, julho de 2018 (arquivo) Direitos de autor  AP Photo/Thanassis Stavrakis
Direitos de autor AP Photo/Thanassis Stavrakis
De Akis Tatsis & AFP and AP
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Testemunhos de sobreviventes expõem um trauma que não desaparece. O país aposta agora nas novas tecnologias para que fogos desta dimensão não voltem a acontecer.

Incêndio de Mati continua a ser uma das catástrofes que causou mais vítimas mortais na história recente da Grécia e uma das falhas mais graves na gestão de incêndios florestais e de situações de emergência.

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O número de 104 mortos continua, oito anos depois, a assombrar a sociedade grega. Por detrás do balanço oficial estão pessoas que ficaram presas nas ruas, procuraram saída para o mar, perderam familiares ou sobreviveram com queimaduras graves e um trauma psicológico permanente.

Oito anos depois, as casas já foram em grande medida reconstruídas e a natureza vai, pouco a pouco, cobrindo os vestígios da destruição. Para os sobreviventes, porém, 23 de julho de 2018 não pertence ao passado.

Nessa tarde, Kalli Anagnostou tentava chegar ao mar com o filho de cinco anos e os sogros. O fogo já tinha cercado a zona e as chamas aproximavam-se à medida que desciam para a costa.

"Éramos quatro pessoas a correr encosta abaixo, com as chamas literalmente a tocar-nos. O meu corpo ficou queimado, os meus cabelos ficaram queimados, lembra.

Familiares e moradores de Mati prestam homenagem às vítimas do incêndio, julho de 2025
Familiares e moradores de Mati prestam homenagem às vítimas do incêndio, julho de 2025 ΑΠΕ-ΜΠΕ/ΓΙΑΝΝΗΣ ΚΟΛΕΣΙΔΗΣ

Trauma que permanece

Anagnostou e o filho sofreram queimaduras em mais de 45% do corpo. As sequelas físicas mantêm-se, tal como o trauma psicológico.

Για χρόνια, το παιδί δεν ήθελε να ανάψει τα κεράκια στην τούρτα των γενεθλίων του. Ακόμη και η θέα ενός αναπτήρα ήταν αρκετή για να το κάνει να κλάψει.

Durante anos, o menino não quis acender as velas do bolo de anos. Só ver um isqueiro chegava para o pôr a chorar.

"Vives sempre num ciclo sem fim, dentro da tua cabeça, nos sonhos, nos pesadelos e no quotidiano. Não consigo andar sem pensar nas possíveis saídas de emergência, esteja onde estiver", diz.

Percurso judicial

As investigações revelaram falhas graves na resposta ao incêndio, entre elas atrasos na mobilização e falta de coordenação.

Em junho de 2025, quase sete anos após a tragédia, o Tribunal da Relação considerou dez arguidos culpados. Quatro foram enviados para a prisão, com penas efetivas de cinco anos.

Em maio de 2026, o Supremo Tribunal da Grécia tornou definitiva a condenação do então comandante dos Bombeiros, do então subcomandante e do então secretário-geral da Proteção Civil.

No caso destes três arguidos, o processo vai regressar ao Tribunal da Relação apenas para nova avaliação da atenuante do bom comportamento anterior e das respetivas penas.

Anagnostou insiste que a tragédia poderia ter sido evitada.

"Se tivesse sido dada a devida importância desde os primeiros minutos, nunca teria chegado a ameaçar ninguém nem a tirar vidas humanas", refere.

Familiares das vítimas do incêndio mortal em Mati penduram faixas e balões pretos em frente ao tribunal de recurso, Atenas, junho de 2025
Familiares das vítimas do incêndio mortal em Mati penduram faixas e balões pretos em frente ao tribunal de recurso, Atenas, junho de 2025 ΑΠΕ-ΜΠΕ/ΓΙΑΝΝΗΣ ΚΟΛΕΣΙΔΗΣ

O que resta de Tania

Giorgos Kairis perdeu a esposa, Tania, que morreu asfixiada dentro de casa. Manteve uma antiga vitrina exatamente como a encontrou depois do incêndio.

"Não quero esconder nada, não quero embelezar a fealdade. Quero que esta fealdade exista, pela qual o Estado é responsável", afirma.

Nessa tarde saiu à procura de ajuda. Prometeu à mulher que voltaria para a buscar, mas não conseguiu.

Da vida em comum restam fotografias e alguns objetos pessoais, entre eles os que lhe foram entregues pela morgue.

"É tudo o que me ficou dela. Este é todo o meu património", diz.

Incêndios depois de Mati

A tragédia de Mati não foi o último incêndio de grande escala na Grécia.

Em 2023, o incêndio de Alexandrópolis e de Evros queimou cerca de 96 mil hectares e tirou a vida a 20 pessoas. Foi o maior incêndio registado na União Europeia desde 2000, quando começou o registo sistemático pelo Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS).

Entre 2022 e 2026, a Grécia investiu cerca de 667 milhões de euros na prevenção de incêndios. Mais de 100 drones e quatro satélites de imagem térmica devem ser usados neste verão. Também foram mobilizados cerca de 18.000 bombeiros profissionais e voluntários.

Quatro nanossatélites especializados, com sensores térmicos e inteligência artificial, conseguem detetar focos de apenas quatro metros e enviar novos dados de hora a hora.

Entretanto, os grandes incêndios continuam a atingir o sul da Europa. Em julho de 2026, um incêndio em Almería, no sul de Espanha, matou 13 pessoas e queimou cerca de 70 quilómetros quadrados.

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