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Ilhas Canárias: as fotografias tiradas pelo público ajudam no mapeamento marinho na Macaronésia

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De Aurora Velez
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Fotografar a flora e a fauna marinhas para avaliar o estado do oceano no dia a dia. Este é o objetivo do RedPROMAR, um projeto da UE, que convida o público a enviar para a sua plataforma fotografias do que encontrarem no mar das Ilhas Canárias, bem como nos Açores, na Madeira e em Cabo Verde.

Com mais de 85 000 avistamentos registados e validados nas águas das chamadas «Ilhas Afortunadas» ou da Macaronésia, os cientistas do projeto RedPROMAR registaram mais de 5000 espécies de organismos vivos nesta parte do Atlântico Norte.

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Dennis Rabeling, instrutor de mergulho da Euro-Divers Lanzarote, é um dos principais colaboradores. Todos os dias, mergulha e envia milhares de fotografias da flora e da fauna marinhas para o website deste projeto europeu, que é cofinanciado pelo Governo das Ilhas Canárias. Contribuiu para a descoberta de três espécies até então desconhecidas nas Ilhas Canárias, com uma delas a receber o seu nome: Gibberula Dennisi. «Graças ao programa RedPROMAR, quem enviar fotografias passa a ser um par de olhos adicional na água.» Desta forma, os cientistas podem identificar novas espécies que, até ao momento, não sabíamos que viviam aqui. «Hoje, durante um mergulho de trinta minutos, vimos cerca de vinte ou trinta espécies, talvez até mais», explica Dennis.

Através deste projeto, a cultura dos oceanos é levada para a sala de aula e a sala de aula está mais próxima do mar. Este ano, os alunos do ensino secundário da turma de Juan Francisco Rodríguez García, de IES Yaiza, estudaram como as atividades humanas afetam o ambiente marinho, gravaram um podcast sobre tropicalização e as respetivas consequências e realizaram uma visita de estudo a Órzola, no norte de Lanzarote, para aprender «in situ» quais as espécies que vivem no mar e como funciona o programa RedPROMAR.

«Ensinámos-lhes a utilizar uma ferramenta que permite a qualquer pessoa, incluindo eles próprios, tirar fotografias de uma determinada espécie e georreferenciá-las com a mesma aplicação para fornecer melhores dados científicos e contribuir para a investigação científica».
Juan Francisco Rodríguez García
Educador ambiental e professor, IES Yaiza

Uma experiência que os alunos nunca irão esquecer. Aroa diz: «Eu nem sequer conhecia a maioria das espécies. Nunca tinha ouvido esses nomes. Tomemos o peixe-boi como exemplo. Quando um animal tenta incomodá-lo, ele liberta uma espécie de tinta roxa para o afugentar. É mesmo incrível.»

O orçamento total do projeto é pouco inferior a dois milhões de euros, sendo que 85% foram financiados pela Política de Coesão Europeia e os restantes 15% foram financiados pelo Governo das Ilhas Canárias.

As peças do puzzle de fotografias falam

Este projeto teve início nas Ilhas Canárias e, desde então, expandiu o seu âmbito de atuação a Cabo Verde, à Madeira e aos Açores. Cada fotografia georreferenciada é verificada por uma equipa de especialistas. Marc Martín Sola, biólogo marinho da Gesplan e técnico do programa RedPROMAR, afirma que «os dados da ciência participativa são como um puzzle, em que os observadores fornecem peças pequenas que, isoladamente, podem não fazer sentido», mas, em conjunto, revelam ser valiosas para a comunidade científica e as autoridades.

«Ao juntar todas as peças, conseguimos perceber aspetos que não conseguiríamos perceber individualmente, como espécies introduzidas ou espécies protegidas, e podemos avaliar melhor a distribuição de uma espécie ou o período de acasalamento».
Marc Martín Sola
Biólogo marinho da Gesplan e técnico do programa RedPROMAR

A plataforma funciona também como um sistema de alerta precoce para a chegada de espécies exóticas e a proliferação de espécies associadas à atividade humana ou às alterações climáticas. «Existem períodos específicos em que recebemos muitos relatos e avistamentos de uma determinada espécie, o que costuma coincidir com casos de «arribazones» (dar à costa), ou seja, a chegada em massa de organismos, vivos ou mortos, que dão à costa», explica Marc. «Em 2024, registámos mais de uma centena de avistamentos em apenas alguns meses. A ciência participativa permite-nos detetar e registar estes picos repentinos que, de outra forma, poderiam passar despercebidos à comunidade científica e, assim, manter um registo da data e do local onde ocorreram», conclui.

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