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Bruxelas enfrenta duplo impasse

Ministros em Bruxelas discutem os maiores desafios que a UE enfrenta
Ministros reunidos em Bruxelas para debater as principais questões que a UE enfrenta Direitos de autor  European Council
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De Angela Skujins
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Na newsletter de hoje: embaixadores da UE tentam desbloquear o 21.º pacote de sanções à Rússia e decidir se restringem o comércio com colónias israelitas ilegais, e mais.

Bom dia. Angela Skujins assina hoje esta newsletter a partir de uma Bruxelas nublada, onde as sanções estão na ordem do dia entre moradores e responsáveis da União Europeia.

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Os embaixadores da UE reúnem-se na capital belga para discutir dois dossiers espinhosos: o 21.º pacote de sanções contra a Rússia e o comércio da UE com colonatos israelitas ilegais.

O meu colega Jorge Liboreiro tem acompanhado de perto o dossiê das sanções à Rússia e relata que o maior problema que hoje trava o conjunto de medidas é a oposição da Grécia.

Tragédia grega. Atenas procura atualmente uma forma de contornar o pacote de sanções — um conjunto de políticas destinado a privar o Kremlin de lucros em tempo de guerra. Parte do pacote inclui a proibição do gás natural liquefeito (GNL), que deverá entrar plenamente em vigor em 2027.

Mas o país mediterrânico alberga a maior frota mercante do mundo e quer ver o texto jurídico revisto para permitir que o transporte de GNL russo continue para lá da data‑limite. O Jorge explica três formas de desbloquear o impasse, que pode ler mais abaixo.

Mas há um grande problema. Espera-se que os embaixadores da UE — tal como a maioria dos funcionários das instituições aqui em Bruxelas — entrem de férias a partir de sexta‑feira.

A revisão do mecanismo de teto ao preço do petróleo, uma peça-chave do pacote, foi adiada para quinta‑feira, depois de o 21.º pacote de sanções ter estado semanas bloqueado, o que colocou o mecanismo em risco.

Isto significa que o tempo começa a escassear para o apoio da UE à Ucrânia.

Choque comercial. Explorar como e se o comércio pode ser suspenso entre o bloco e os colonatos israelitas ilegais estará hoje em destaque, com o Médio Oriente de volta à agenda dos embaixadores da UE.

Recapitulando: no início deste mês, a Comissão Europeia apresentou três opções para travar o comércio entre os 27 Estados-membros da UE e colonatos israelitas ilegais nos territórios palestinianos ocupados. A proposta foi revelada em primeira mão pela Euronews.

Estes colonatos são considerados ilegais pelo direito internacional e pela própria UE.

Na reunião do Conselho de Assuntos Externos, em Bruxelas, na semana passada, a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, disse que uma das opções — uma proibição total do comércio com colonatos israelitas — recebeu o “maior apoio”. Mas se isso será suficiente para avançar com a proposta, e se a discussão irá progredir hoje, continua por esclarecer.

Berlim ao comando. O maior obstáculo a uma repressão total do comércio é a Alemanha, peso-pesado europeu, que tem preferido uma via mais cautelosa nas relações com o seu aliado Israel. Também a Chéquia se opõe à proibição do comércio.

Esta divisão também é visível na composição dos cargos mais influentes e de topo da UE, com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a ser de nacionalidade alemã. “Na Comissão, refletem-se de forma equilibrada as posições dos Estados-membros, tal como se vê no Conselho”, lembrou Kallas na semana passada.

“Infelizmente, é aqui que estamos. A Europa precisa de uma posição unificada e, até agora, não conseguimos ter essa posição unificada”, afirmou.

Importa salientar que von der Leyen já disse que são os 27 Estados-membros da UE que têm de decidir como avançar com uma “solução ou um acordo”. A decisão não lhe cabe a ela.

Rumo às Filipinas. Kallas não estará presente na reunião de embaixadores, como é habitual, e vai antes deslocar-se a Manila, nas Filipinas, para a reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN).

O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergey Lavrov, também estará presente, já que a Rússia é parceira de diálogo da associação de dez países. Não está previsto qualquer encontro entre os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE e da Rússia neste evento e, apesar das expectativas, também não haverá reunião entre o chefe da diplomacia dos EUA, Marco Rubio, e Lavrov.

O porta-voz da Comissão Europeia, Anouar El Anouni, disse à Euronews que as restantes reuniões de Kallas são “fluídas, como acontece sempre”, mas prevê-se que se reúna com os líderes da Tailândia, do Paquistão, da Nova Zelândia e de outros países.

Kallas vai ainda abrir um evento, o Diálogo Kiev–Manila, com o ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andrii Sybiha. Não obtivemos resposta à nossa pergunta sobre o que os dois irão discutir, caso se encontrem.

Tensões na Ucrânia. Na maior remodelação da liderança militar ucraniana em anos, e num contexto de protestos crescentes, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, demitiu ontem o seu principal general, Oleksandr Syrskyi.

Um novo comandante-chefe mais jovem, Mykhailo Drapatyi, foi escolhido para o substituir. Sasha Vakulina escreve para informar que Drapatyi é muito apreciado na linha da frente e construiu uma forte reputação na sociedade civil endurecida pela guerra e nas forças armadas.

A demissão do ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov, continua a ser outra das exigências centrais dos manifestantes, estando prevista para quarta‑feira a decisão sobre a sua eventual recondução. A questão é: em que cargo regressará Fedorov ao poder?

Com Rússia, Israel e Ucrânia na agenda desta quarta‑feira, as próximas 24 horas dirão como evoluem estes dossiers.

Grécia trava novas sanções à Rússia: três formas de ultrapassar o veto

A Grécia está a bloquear a mais recente ronda de sanções da União Europeia contra a Rússia por causa de uma proibição do gás natural liquefeito (GNL), que deverá entrar plenamente em vigor em 2027.

A proibição, acordada no ano passado, impedirá a “compra, importação ou transferência, direta ou indireta” de GNL que “tenha origem na Rússia ou seja exportado a partir da Rússia”. Mas a Grécia, que alberga a maior frota mercante do mundo, quer ver o texto jurídico revisto para permitir que o transporte de GNL russo continue para lá da data‑limite.

O principal beneficiário seria a Dynagas, uma empresa especializada em transporte em temperaturas abaixo de zero e detida pelo multimilionário grego George Prokopiou. A Dynagas e a sua subsidiária fretaram 11 navios, incluindo sete quebra‑gelos resistentes ao Ártico, à maior unidade de gás da Rússia, a Yamal LNG.

O governo grego e a Dynagas defendem que a proibição do GNL russo irá prejudicar a indústria de serviços marítimos europeia, destruir postos de trabalho, reforçar os concorrentes estrangeiros e, em última análise, não conseguirá enfraquecer a máquina de guerra de Moscovo.

Enquanto o impasse se arrasta, conheça as três possíveis formas de resolver a crise. Leia o artigo completo.

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Também estamos atentos a

  • A vice-presidente executiva da Comissão Europeia, Roxana Mînzatu, dará uma conferência de imprensa sobre o Pilar Europeu dos Direitos Sociais.
  • O vice-presidente executivo Raffaelo Fitto — recentemente nomeado representante especial da UE para Chipre — reúne-se com María Ángela Holguín Cuéllar, enviada pessoal do secretário-geral das Nações Unidas para Chipre.
  • O comissário europeu para a Economia, Valdis Dombrovskis, participa na reunião do Conselho de Governadores do BCE.

Por hoje é tudo. Jorge Liboreiro e Sasha Vakulina contribuíram para esta newsletter.

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