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Chega avança com moção de censura ao Governo, anuncia André Ventura

André Ventura, presidente do Chega
André Ventura, presidente do Chega Direitos de autor  AP Photo/Alessandra Tarantino
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De Ema Gil Pires
Publicado a Últimas notícias
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Na terça-feira, o ministro da Administração Interna tinha assegurado que não pretendia abandonar as funções que desempenha no Governo. Mas o presidente do Chega veio agora dizer que o partido não pode "tolerar" um governante "que decide nada explicar" sobre as suspeitas que recaem sobre ele.

O presidente do Chega, André Ventura, anunciou que o partido entregou, esta quarta-feira, na Assembleia da República, uma moção de censura ao Governo, na sequência das polémicas que têm envolvido o ministro da Administração Interna, Luís Neves.

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Uma decisão justificada pelo líder do partido na sequência das declarações proferidas, no dia anterior, pelo responsável pela pasta da Administração Interna. “Não podemos tolerar um ministro que decide nada explicar e continuar a atirar para a lama os colegas da PJ, o Estado e o Governo”, referiu Ventura.

O presidente do Chega denunciou também um alegado “círculo de interesses profundo” que, na ótica do partido, foi erguido com vista a defender o ministro das consequências de eventuais irregularidades por ele praticadas. Apesar disso, André Ventura sublinhou que as "suspeitas" que recaem sobre o governante "são evidentes", pelo que mereciam esclarecimentos "cabais, sérios e racionais", que disse não terem sido dados até agora.

Considerou ainda ser "importante" que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, "fale sobre o tema" e sobre a continuidade de Luís Neves no Governo. "Queremos que o primeiro-ministro explique isto, pois é ele que tem de explicar." Até porque, elaborou André Ventura, se fosse ele o atual chefe do executivo nacional, Luís Neves já não estaria a desempenhar o cargo que ocupa.

Apesar da moção de censura anunciada, André Ventura elucidou que a já prometida comissão parlamentar de inquérito aos mandatos de Luís Neves enquanto diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ) “não fica em nada comprometida”. Desse modo, caso a iniciativa parlamentar hoje entregue na Assembleia da República não seja aprovada, a comissão de inquérito deverá mesmo avançar. Porém, se a moção for apoiada por uma maioria parlamentar, ditará a queda do Governo.

"Não será pelo PS que haverá crise política em Portugal"

Ainda antes do anúncio feito por André Ventura, o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, citado pela agência Lusa, tinha garantido que o partido que lidera pretende contribuir "para a estabilidade política do país" e que "não será pelo PS que haverá crise política em Portugal”, quando questionado sobre o eventual avanço de uma moção de censura ao Governo. Dando a entender, dessa forma, que os socialistas não dariam ao Chega o apoio necessário para que a mesma fosse aprovada na Assembleia da República.

Asseverou, por outro lado, que Luís Montenegro deve "assumir a responsabilidade" por toda a controvérsia em torno da conduta do ministro da Administração Interna. Na sua ótica, "o primeiro-ministro tem que ter consciência do que se tem vindo a passar" e de que "tem vindo a degradar a confiança dos cidadãos nas suas instituições políticas".

José Luís Carneiro considerou também que o chefe do executivo nacional "tem uma responsabilidade que não pode alienar, nem pode entregar aos outros", tendo sublinhado que "o primeiro-ministro é o primeiro e mais importante responsável por tudo quanto tem a ver com o Governo", já que "só ele convida, só ele exonera".

"Nada me vai afastar daquilo que me levou a aceitar este cargo"

Mas, apesar das críticas provenientes dos vários quadrantes políticos, a propósito das mais recentes polémicas que o envolvem, o ministro da Administração Interna tinha já asseverado que não pretendia abandonar as funções que desempenha no Governo. "Nada me vai afastar daquilo que me levou a aceitar este cargo", disse Luís Neves na terça-feira.

O ministro assegurou ainda estar a ser alvo de uma campanha de intimidação, embora tenha afirmado, depois, que "nada disto" o "intimida ou condiciona" na sua ação governativa. “Escolheram a única estratégia que conhecem: lançar suspeitas, atacar a honra e tentar intimidar. A mim não me intimidam, jamais me intimidarão."

Referindo, por sua vez, que nunca tomou "uma decisão que pudesse prejudicar o Estado", Luís Neves lembrou também que, no contexto de qualquer investigação, quando não existem "provas" que sustentem certas alegações, não se está perante uma "acusação", mas sim um ato de "difamação".

O ministro tem estado debaixo de fogo há praticamente dois meses, após ter sido noticiado o envolvimento de um empreiteiro, que tinha recebido contratos da Polícia Judiciária (PJ) quando Luís Neves era diretor desse corpo de investigação criminal,em obras numa propriedade da família do ministro. O caso ganhou maior dimensão após um atrelado apreendido numa operação antidroga ter aparecido nas instalações da empresa do mesmo empreiteiro.

Surgiram igualmente dúvidas sobre a declaração da empresa da mulher à Entidade para a Transparência e, mais recentemente, foi revelado que o ministro conduzia um Volkswagen Golf GTD em regime de comodato, viatura pertencente ao traficante de droga Rúben Oliveira, conhecido como "Xuxas", detido pela PJ em 2022.

Sobre a postura do Chega face a todos estes casos, o ministro da Administração Interna vincou que "quem vive apenas da espuma do caos, ignora a essência da governação", tendo-se mostrado motivado para continuar em funções e "derrotar o populismo", que se baseia numa "política de receio e medo", concluiu.

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