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Itália: novos vídeos reconstroem morte de Fakir, mulher fala em execução

Morte em Bolonha de Abdelrrahim Fakir durante detenção policial divide Itália
Morte de Abdelrrahim Fakir durante detenção policial em Bolonha divide Itália Direitos de autor  Alessandro Ruggeri/LaPresse
Direitos de autor Alessandro Ruggeri/LaPresse
De Gabriele Barbati
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Morte de marroquino de 42 anos em Bolonha divide opinião pública e política. Imagens de câmaras corporais e testemunhos reconstroem ação e possíveis responsabilidades dos agentes. Governo de Meloni avança com novas regras sobre imputabilidade de menores

A morte de um homem de origem marroquina durante uma detenção policial, no passado domingo em Bolonha, divide a política e a opinião pública em Itália, à medida que os média locais divulgam imagens do sucedido que permitem reconstituir a dinâmica dos acontecimentos.

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Enquanto o governo Meloni e recentes normas defendem a atuação das forças de segurança, e a oposição protesta nas ruas pela morte de Abderrahim Fakir, a família do homem volta a pedir justiça.

O que mostram os novos vídeos sobre Fakir

Um excerto do vídeo gravado pela bodycam (câmara corporal) de um dos dois agentes envolvidos na detenção, transmitido em exclusivo na quinta-feira pelo Tg1, mostra um contacto entre Fakir e outra pessoa antes da intervenção dos polícias.

Nas imagens veem-se as mãos dos agentes tanto no marroquino de 42 anos (há mais de 30 em Itália), que se tinha exaltado, como noutro homem com uma camisola branca.

O vídeo foi gravado com uma bodycam que o agente tinha adquirido a título pessoal, precisamente para se proteger de contestações à sua atuação, como vários membros das forças de segurança fazem atualmente enquanto aguardam os equipamentos fornecidos pelo Ministério da Administração Interior, explicou o advogado dos dois agentes.

Outras imagens divulgadas pela agência de notícias italiana Ansa e pelo canal LA7 completam a reconstrução da detenção, que durou quase 40 minutos. A atenção pública centra-se também no protocolo de intervenção das equipas médicas e nos repetidos gritos de ajuda de Fakir, que a certa altura perde os sentidos e é reanimado, mas com as mãos atadas atrás das costas e de barriga e peito para baixo, um procedimento criticado por vários setores.

Nos vídeos vê-se Fakir com braçadeiras nas pernas, braços atrás das costas e rodeado por quatro socorristas da Cruz Vermelha, que efetuam compressões torácicas e ventilação.

“O rosto está ensanguentado e apresenta manchas castanhas escuras deixadas pelo spray de pimenta, aplicado de muito perto. A reanimação é feita quando ainda está amarrado”, afirma o advogado da família Fakir, Fabio Anselmo.

Meloni e a maioria defendem a atuação da polícia

A maioria governamental defendeu em bloco os agentes e a necessidade de garantir a ordem pública, não poupando críticas ao presidente da câmara de Bolonha, Matteo Lepore, e à manifestação convocada no próprio dia da morte de Fakir, que acabou por registar episódios esporádicos de violência.

A linha securitária do executivo prosseguiu também com a aprovação de normas mais severas para menores que cometam crimes. Na sexta-feira foi aprovado um projeto de lei que altera os critérios de responsabilidade penal para quem tenha entre 14 e 18 anos.

“Atualmente, a responsabilidade penal do menor tem de ser verificada positivamente caso a caso, porque existe uma espécie de presunção de inimputabilidade”, explicou o ministro da Justiça, Carlo Nordio. “Com esta norma, invertemos o ónus da prova.”

A própria primeira-ministra Giorgia Meloni explicou o decreto numa mensagem nas redes sociais.

Temor de que Itália reproduza o “modelo ICE” dos EUA

Nordio e o ministro da Administração Interna, Matteo Piantedosi, minimizaram o chamado “escudo penal” aplicado aos agentes, que prevê apenas uma anotação e não a inscrição no registo de investigados para quem atue com uma justificação de natureza profissional, como aconteceu neste caso.

Mantém-se, no entanto, em Itália o receio generalizado de uma deriva violenta das forças de segurança, à semelhança do que aconteceu nos últimos meses em várias cidades norte-americanas, onde agentes do serviço de Immigration and Customs Enforcement (ICE) mataram várias pessoas.

Depois da sobrinha, que falou em praça pública durante a manifestação de domingo pedindo justiça, foi a vez da esposa do homem, que vive em Marrocos.

“Isto é um crime contra a humanidade, um crime terrível. Hoje foi com ele, amanhã pode acontecer aos nossos filhos”, declarou a mulher, entrevistada pelo canal marroquino Chouftv.

“Conhecia bem o meu marido, estávamos casados há 13 anos”, prossegue a esposa de Fakir. “Era uma pessoa normal e mataram-no assim, sem motivo.”

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