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Europa atinge poderio militar russo: drones Garpiya e rival de Starlink na mira

Um militar ucraniano prepara o lançamento de drones de longo alcance na Ucrânia, em 28 de fevereiro de 2025
Um militar ucraniano prepara-se para lançar drones de longo alcance na Ucrânia, em 28 de fevereiro de 2025 Direitos de autor  AP Photo
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De Angela Skujins
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O mais recente pacote de sanções da UE contra a Rússia atinge 56 entidades e indivíduos do sector militar-industrial, incluindo drones de longo alcance e redes de comunicação, e poderá reforçar o esforço militar da Ucrânia e a segurança futura da Europa.

Dezenas de empresas ligadas ao sector da defesa e de cidadãos que alimentam a máquina de guerra do Kremlin foram visados no 21.º pacote de sanções contra a Rússia.

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“Estão incluídas mais de 50 entidades do complexo militar-industrial, bem como atores-chave envolvidos na produção dos drones de longo alcance russos”, afirmou na quinta-feira a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, quando as medidas foram adotadas.

“A Rússia só aceitará negociar o fim da sua guerra ilegal e parar de matar civis se for pressionada a isso. As sanções aumentam essa pressão.”

Com o novo pacote de sanções, a UE continua a visar fornecedores de bens e tecnologias de dupla utilização em países terceiros, como a China e a Índia. Estas tecnologias surgem frequentemente no armamento russo, como mísseis, drones e tanques.

Mas a atenção dos responsáveis e peritos da UE está centrada em duas medidas relativamente novas na componente militar do pacote.

Entre elas contam-se mais de 30 inscrições nas listas de sanções que visam toda a rede de fabrico e fornecimento dos drones de longo alcance Garpiya, bem como o rival russo do sistema de satélites Starlink, conhecido como Rassvet.

Garpiya

Um alto responsável da UE afirmou que os civis ucranianos e as infraestruturas civis têm sido submetidos a uma enorme pressão devido aos bombardeamentos russos desde o início da invasão em grande escala, sobretudo com recurso a drones de ataque de longo alcance.

Após o fim de uma trégua de três dias promovida pelos Estados Unidos, em maio, a Rússia lançou mais de 200 drones de longo alcance contra a Ucrânia, atingindo infraestruturas energéticas, edifícios residenciais e até um jardim-de-infância.

Por isso, o 21.º pacote de sanções apertou especialmente o cerco à produção de drones de longo alcance – mas, como explicou o alto responsável da UE, com uma “abordagem diferente”.

“Concentrámo-nos numa categoria de drones de longo alcance, os Garpiya, e mapeámos praticamente toda a rede de fabrico e abastecimento”, explicou. “De uma só vez, estamos hoje a visá-la com mais de 30 inscrições nas listas de sanções.”

As novas designações da UE incluídas neste pacote abrangem 37 novas entradas que visam pessoas e entidades explicitamente ligadas à produção do drone de ataque Garpiya/Garpiya-A1.

Entre elas estão empresas que produzem ogivas, propulsores de rockets, catapultas e outras peças necessárias para a utilização destas armas de longo alcance.

Um vendedor abandona um mercado atacado por um drone russo na localidade de Druzhkivka, região de Donetsk, Ucrânia, 2 de agosto de 2025.
Um vendedor abandona um mercado atacado por um drone russo na localidade de Druzhkivka, região de Donetsk, Ucrânia, 2 de agosto de 2025. AP

O investigador sénior do think tank Bruegel Jacob Funk Kirkegaard disse à Euronews que, embora acolha favoravelmente a dimensão militar do mais recente pacote de sanções, hesita em fazer previsões sobre a sua eficácia.

“A Rússia dispõe de vários tipos de drones de longo alcance”, afirmou. “Isso não significa que este esforço seja mal direcionado. Vale bem a pena. Mas não devemos fingir que, ao atingir apenas um dos muitos drones de longo alcance de que a Rússia dispõe ou que produz, vamos alterar significativamente a ameaça estratégica que hoje pesa sobre a Ucrânia ou, aliás, sobre o resto da Europa a mais longo prazo.”

Rassvet

O pacote de sanções visa também empresas russas envolvidas na articulação entre tecnologia militar, eletrónica e comunicações – e o alto responsável da UE que falou com a Euronews deixou entender que uma empresa e um sistema de satélites específicos estavam na mira.

“Considero particularmente importante o que está relacionado com a fabricação de um sistema que a Rússia está a desenvolver como alternativa ao Starlink, portanto o projeto russo de Starlink está incluído neste pacote”, afirmou.

O sistema de satélites em órbita baixa Rassvet, produzido pela empresa aeroespacial russa Bureau 1440, é amplamente descrito pelos media russos como uma “alternativa à Starlink”, destinada a oferecer aos russos acesso à internet de alta velocidade.

Dezasseis destes satélites foram lançados pela primeira vez em órbita em março de 2026, com o objetivo de ter 250 em órbita em 2027 e 900 até 2035.

O presidente russo, Vladimir Putin, caminha numa fábrica de montagem de rockets nos arredores da cidade de Tsiolkovsky, Rússia, terça-feira, 12 de abril de 2022.
O presidente russo, Vladimir Putin, caminha numa fábrica de montagem de rockets nos arredores da cidade de Tsiolkovsky, Rússia, terça-feira, 12 de abril de 2022. AP

Kirkegaard recordou que, quando a Rússia perdeu anteriormente o acesso ao Starlink, por exemplo em fevereiro de 2026, isso teve “implicações muito significativas no seu desempenho em campo de batalha”.

“Negar à Rússia a capacidade, ao longo do tempo, de estabelecer uma alternativa ao Starlink seria obviamente uma prioridade muito importante”, afirmou, explicando que uma decisão da UE de travar o Rassvet poderia enfraquecer as capacidades militares da Rússia na Ucrânia e também limitar a sua capacidade, a longo prazo, de constituir uma ameaça militar para a UE no futuro.

“À medida que a UE, ou a Europa em sentido mais lato, se prepara para um mundo em que teremos de dissuadir a Rússia pelos nossos próprios meios, durante muito tempo, negar à Rússia determinadas capacidades militares nos próximos três, quatro ou dez anos é muito importante para a nossa própria segurança.”

Falando de forma mais abrangente sobre o apoio à Ucrânia, Kirkegaard considerou eficaz visar os drones Garpiya e os satélites Rassvet. Mas o que reforça verdadeiramente a Ucrânia no campo de batalha são os governos que financiam os programas ucranianos de drones de longo alcance e de mísseis balísticos e de cruzeiro, geralmente impulsionados pelos Países Baixos, Alemanha e países nórdicos.

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