O número de cidadãos da UE com capacidade para pagar uma semana de férias varia entre países, devido ao aumento dos custos de alojamento, transporte e alimentação.
Verão é tempo de férias para muitas pessoas na Europa, mas viajar em descanso continua a ser um privilégio que muitos não conseguem ter.
Em 2025, quase três em cada dez cidadãos da União Europeia (UE) com 16 ou mais anos não tiveram meios para pagar uma semana de férias fora de casa, segundo os dados mais recentes do Eurostat.
Esta proporção aumentou 0,5% em comparação com 2024.
Mas, face há uma década, a percentagem caiu de forma significativa: menos 7,7 pontos percentuais.
No ano passado, as maiores proporções de pessoas sem capacidade para pagar uma semana de férias registaram-se na Roménia, Grécia, Bulgária e Hungria.
Além disso, Roménia, Grécia e Bulgária foram, em 2025, os países da UE com maiores níveis de privação material e social severa entre os jovens.
Em sentido inverso, Luxemburgo, Suécia e Países Baixos registaram as menores percentagens de cidadãos da UE sem meios para pagar uma semana de férias fora de casa.
Alguns especialistas apontam o aumento dos custos de alojamento, transporte e alimentação, combinado com a perda de poder de compra e a especulação, como algumas das razões para a pobreza no acesso às férias.
Outros sublinham que tirar férias é essencial para o bem-estar das pessoas.
Fazer uma pausa com a família ou amigos é importante para a nossa saúde física e mental, afirmou Esther Lynch, secretária-geral da Confederação Europeia de Sindicatos, ao programa Europe in Motion. Depois de trabalhar duro todo o ano, é o mínimo que os trabalhadores deveriam conseguir pagar, mas, ano após ano, parece cada vez mais estar a tornar-se um luxo para poucos.
Estes números mostram que a Europa enfrenta uma grave emergêcia em matéria de empregos de qualidade, acrescentou. É o resultado direto de governos e empregadores optarem por empregos precários, mal remunerados e sem representação sindical, que deixam milhares de pessoas presas em trabalho precário, sem os benefícios da contratação coletiva e expostas a condições de trabalho inseguras, incluindo calor extremo.
Enquanto os políticos vão de férias de verão, os trabalhadores combatem incêndios florestais, trabalham nos campos e em armazéns sob calor recorde e sem qualquer garantia de serem pagos o suficiente para conseguirem tirar férias, disse Lynch.
Europa: onde se desfruta de mais férias no próprio país?
Sete em cada dez viagens de turistas europeus em 2024 foram feitas no próprio país, segundo o Eurostat.
Em 2024, as maiores quotas de viagens domésticas no total de deslocações entre Estados-Membros registaram-se na Roménia (90 %), Espanha (88 %) e França, Portugal e Grécia (cada um com 85 %).
Em sentido inverso, Luxemburgo (78 %), Bélgica (62 %) e Malta (48 %) apresentaram as maiores quotas de viagens ao estrangeiro dentro da UE.
A duração média de uma viagem de um residente da UE dentro do bloco foi de quatro noites, enquanto uma viagem fora da UE durou em média oito noites.