A Europa é o continente que mais rapidamente está a aumentar de temperatura no mundo, com os valores a subirem a um ritmo cerca de duas vezes superior à média global.
Portugal é um dos vários países europeus que estão a braços com incêndios florestais esta sexta-feira. Em território nacional, existe uma situação ativa que preocupa as forças mobilizadas para o terreno, no concelho de Fornos de Algodres, no distrito da Guarda.
Pelas 17h10, segundo a informação disponibilizada no site da Proteção Civil, encontravam-se empenhados no combate às chamas mais de 350 operacionais, acompanhados de 88 viaturas e 15 meios aéreos.
Noutro ponto da Europa, os bombeiros prosseguiram também o combate a vários incêndios florestais por toda a Sérvia esta sexta-feira, numa altura em que as temperaturas continuam a subir.
No nordeste do país, as equipas combateram um incêndio numa reserva natural, com meios terrestres e helicópteros.
As autoridades locais indicaram que as chamas já queimaram pelo menos 700 hectares na reserva natural Deliblato Sands, situada cerca de 50 quilómetros a leste de Belgrado.
Entretanto, perto da cidade de Kraljevo, vários focos continuaram também ativos, obrigando os habitantes das aldeias próximas a abandonar as suas casas.
Alguns residentes na zona disseram que, em apenas dois dias, mais de 150 acres de pinhal foram destruídos.
“Os danos são enormes. É um pinhal jovem, estes pinheiros foram plantados nos anos 80”, disse um residente à agência noticiosa Associated Press.
Na quinta-feira, outro grande incêndio espalhou-se pelo vale do rio Ibar, na Sérvia central. Com o apoio de aviões de combate a incêndios, os bombeiros enfrentaram o terreno acidentado para proteger as aldeias vizinhas.
Mas a Sérvia não foi o único país afetado nessa parte da Europa. Os últimos dias de calor extremo, com temperaturas a atingirem os 40 graus Celsius, alimentaram incêndios em vários países dos Balcãs na quinta-feira.
O tempo extremo deste verão na Europa está também a afetar os rios do continente, com certas partes do Danúbio a registarem níveis de água historicamente baixos.
Embora não seja incomum que o caudal dos rios diminua nos meses de verão, a descida deste ano não tem precedentes.
Na Hungria, os níveis excecionalmente baixos do Danúbio desencadearam uma crise energética, obrigando o país a encerrar a sua única central nuclear, que depende da água do rio para o arrefecimento.
Na semana passada, a Sérvia também teve de reduzir a produção de eletricidade nas centrais hidroelétricas, com as duas maiores a passarem a produzir apenas 20% e 30% da sua capacidade.
Além disso, o sudeste da Europa continua igualmente sob calor extremo.
Na região de Emilia-Romagna, no norte de Itália, deflagrou um incêndio florestal numa zona remota de Vedriano. As operações de combate ao incêndio estão em curso desde a tarde de quinta-feira.
Itália colocou todas as principais cidades sob o nível máximo de alerta de calor.
Na vizinha França, um grande incêndio florestal na região de Var, no sul do país, já não se está a alastrar, mas os bombeiros mantêm uma forte presença no terreno devido ao risco de reacendimentos.
“É um incêndio que pode prolongar-se por longos períodos de tempo. De manhã, por exemplo, trata-se de nos prepararmos, porque os riscos (de incêndio) associados aos ventos e ao aumento da temperatura aumentam à tarde”, afirmou o sargento-chefe Anthony, do Batalhão de Bombeiros Navais de Marselha.
O incêndio, que começou a 20 de julho, queimou mais de 60 quilómetros quadrados, tornando-se o maior registado na região nas últimas décadas.
A Europa é o continente que mais rapidamente está a aquecer, segundo o relatório "Estado do Clima na Europa 2025", com as temperaturas a subirem a um ritmo cerca de duas vezes superior à média global.
O relatório alertou que se prevê que as ondas de calor se tornem mais frequentes, mais intensas e ocorram mais tarde e mais cedo no ano, à medida que o clima continua a aquecer.