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França: um quinto da capacidade nuclear fora de serviço por calor e medusas

ARQUIVO – Vista da central nuclear de Golfech, no sudoeste de França, em 6 de agosto de 2015
ARQUIVOS – Vista da central nuclear de Golfech, no sudoeste de França, em 6 de agosto de 2015. Direitos de autor  Bob Edme/Copyright 2015 The AP. All rights reserved.
Direitos de autor Bob Edme/Copyright 2015 The AP. All rights reserved.
De Serge Duchêne com AFP
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A França gera cerca de 70% da sua eletricidade a partir da energia nuclear. Este ano, sucessivas ondas de calor e secas perturbaram a produção.

França registou esta quarta-feira um défice de mais de 20% da sua capacidade de produção de eletricidade de origem nuclear, um novo recorde de indisponibilidades devido a “condicionantes ambientais” ou “causas externas ligadas ao ambiente”: seca, calor extremo e invasão de medusas.

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A energia nuclear garante cerca de 70% da produção de eletricidade em França. Este ano, a produção foi perturbada por várias ondas de calor e episódios de seca.

Segundo cálculos da AFP, com base em dados publicados pelo grupo energético EDF desde 2015, 20,4% da capacidade de produção estava indisponível.

Entre as 9h45 e as 10h00, o parque nuclear da EDF atingiu um novo pico de indisponibilidade por motivos de “condicionantes ambientais” ou de “causas ambientais externas”, tanto em número de reatores parados ou a funcionar a carga reduzida como em termos de capacidade de produção perdida.

No total, 13 dos 57 reatores do parque nuclear francês foram afetados. Oito estavam totalmente parados (Bugey 3, Cattenom 1, Chooz 1 e 2, Golfech 2, Gravelines 2, 3 e 4) e cinco operavam em regime reduzido (Saint-Alban 2, Tricastin 1 e 4, Gravelines 1 e 6).

Oito reatores estavam totalmente parados, enquanto cinco funcionavam a potência reduzida.

Grande parte da capacidade nuclear perdida resultou de paragens totais ou parciais em cinco dos seis reatores da central de Gravelines, a maior da Europa Ocidental, depois de um enxame de medusas ter obstruído as bombas usadas para arrefecer as instalações.

“Várias toneladas de medusas” entraram nas estações de bombagem de água do mar até entupirem os tambores filtrantes, explicou uma porta-voz da EDF.

Desde então, as unidades n.º 1 e 6 voltaram a funcionar a plena potência por volta das 10 horas de quarta-feira, enquanto o reator n.º 5 está parado para uma manutenção programada. Também parada, a unidade Gravelines 2 deverá ser reconectada à rede esta quarta-feira às 23 horas.

A central de Gravelines, que capta água do mar do Norte para arrefecer as instalações, já tinha enfrentado o mesmo problema exatamente um ano antes.

Segundo especialistas, a sobrepesca, a poluição por plásticos e o aquecimento das águas associado às alterações climáticas criaram condições propícias à proliferação e reprodução das medusas.

Além da central de Gravelines, a maior da Europa Ocidental, as paragens ou reduções de produção que afetam outros reatores estão ligadas ao calor extremo e à seca, que deixam as centrais sem a água necessária para o seu arrefecimento.

Em situações de seca ou de onda de calor, a diminuição do caudal e o aumento da temperatura dos rios podem obrigar a EDF a reduzir, ou mesmo a interromper, a produção para preservar o ambiente e a biodiversidade. Nesses casos, o operador fica impedido de descarregar efluentes químicos ou radioativos ou de aquecer ainda mais os rios com a água de arrefecimento devolvida a uma temperatura mais elevada.

“Mas há margem suficiente para que isso não coloque problemas de abastecimento” a curto prazo, sublinha Nicolas Goldberg, especialista em energia da consultora Colombus Consulting, citado pela CNews. Neste mês de agosto, sinónimo de um consumo elétrico mais baixo, França continuava esta terça-feira a ser uma grande exportadora de eletricidade, depois de ter registado um saldo recorde de 51 TWh no primeiro semestre.

Já a mais longo prazo, “nomeadamente se se confirmar a hipótese de prolongar a vida útil dos reatores para 70 ou 80 anos, a sua adaptação às alterações climáticas será um verdadeiro teste de resistência nos próximos 20 a 30 anos, num clima mais aquecido”, afirma o especialista.

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