O parlamento ucraniano reúne-se novamente na terça-feira, ainda sem ministros permanentes na Defesa e nos Negócios Estrangeiros, um mês após Zelenskyy afastar Mykhailo Fedorov da Defesa.
O parlamento da Ucrânia retoma os trabalhos esta terça-feira, após a pausa de verão, com duas das pastas governamentais mais sensíveis em tempo de guerra ainda sem titular.
Quando, a 16 de julho, a Verkhovna Rada votou o novo governo do primeiro-ministro Sergii Koretskyi, aprovou todos os cargos, exceto dois: ministro da Defesa e ministro dos Negócios Estrangeiros.
Há um mês que o Ministério da Defesa não tem titular permanente, numa altura em que se intensificam os ataques russos com mísseis balísticos, uma situação invulgar para um país que se defende de uma invasão em larga escala há mais de quatro anos.
Segundo a Constituição da Ucrânia, só o presidente pode apresentar candidatos para estes dois cargos, uma vez que ambos se inserem na sua autoridade direta enquanto comandante supremo e responsável máximo pela política externa do país.
Até agora, Zelenskyy ainda não o fez para nenhum dos dois ministérios.
Andrii Sybiha, que já chefiava de forma permanente o ministério dos Negócios Estrangeiros antes da remodelação governamental, foi mantido como ministro dos Negócios Estrangeiros interino por decisão semelhante do governo.
Entretanto, o Ministério da Defesa tem sido dirigido por Yevhenii Khmara, antigo chefe interino do Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU), a quem Zelenskyy atribuiu a função a 16 de julho.
O exonerado ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov, sublinhou que Khmara não parte do zero: numa entrevista a 6 de agosto, afirmou ter entregue pessoalmente ao sucessor um detalhado “plano de guerra” e tê-lo guiado através desse documento.
“Foi a primeira coisa que fiz, mostrei-lho pessoalmente”, disse Fedorov, acrescentando que “expliquei a lógica, como é que essa lógica do plano de guerra depois se desdobra em aquisições, em desenvolvimento”, decompondo a estratégia global em centenas de projetos individuais, desde a produção de armamento até ao financiamento.
Protestos de rua continuam
Prosseguem, entretanto, os protestos de rua contra a exoneração de Fedorov.
A 16 de agosto, Dmytro Koziatynskyi, veterano de guerra e um dos organizadores dos protestos, afirmou que o objetivo é “lembrar o presidente da importância do diálogo entre as autoridades e a sociedade, bem como do facto de que o próprio presidente deve assumir a responsabilidade pelas consequências de todas as decisões questionáveis sobre nomeações”.
Uma petição lida na mais recente manifestação e posteriormente entregue a um representante da Presidência sublinhava uma concessão já alcançada, a decisão de Zelenskyy de substituir Oleksandr Syrskyi por Mykhailo Drapatyi como comandante-chefe, ao mesmo tempo que o instava a explicar outras escolhas contestadas, incluindo a nomeação de Rustem Umerov para dirigir o Serviço de Informações Externas.
Importa notar que a petição incidia menos na pessoa do ministro e mais na preservação da agenda de reformas defendida por Fedorov, incluindo medidas anticorrupção nas compras militares, uma cadeia de comando mais escrutinável e a aposta da Ucrânia em capacidades de guerra com recurso a drones e a dados.
Zelenskyy afirmou ter oferecido a Fedorov “um cargo de destaque no Governo” ligado ao setor tecnológico, mas Fedorov recusou todas as alternativas, dizendo que só regressará como ministro da Defesa.