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Ucrânia: ministro da Defesa exonerado pede eleições presidenciais durante a guerra

Ministro da Defesa da Ucrânia, Mykhailo Fedorov, fala à comunicação social na sede da NATO, em Bruxelas, 12 de fevereiro de 2026
Ministro da Defesa ucraniano Mykhailo Fedorov fala aos jornalistas na sede da NATO, em Bruxelas, 12 de fevereiro de 2026 Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Sasha Vakulina
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A mensagem em vídeo de Fedorov foi divulgada poucas horas depois de Volodymyr Zelenskyy indicar formalmente Yevhen Khmara como ministro da Defesa, encerrando a possibilidade de Fedorov regressar ao governo.

O antigo ministro da Defesa da Ucrânia, Mykhailo Fedorov, apelou à realização de eleições em tempo de guerra poucas horas depois de o presidente Volodymyr Zelenskyy ter proposto formalmente Yevhen Khmara como sucessor permanente, fechando na prática a porta a um regresso de Fedorov ao governo.

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Num vídeo intitulado “Mensagem de Mykhailo Fedorov ao povo da Ucrânia”, divulgado um mês depois de a sua demissão ter desencadeado protestos em todo o país, Fedorov defendeu que a Ucrânia deve encontrar forma de voltar a realizar eleições, apesar da continuação da luta contra a invasão russa em grande escala.

“Não podemos deixar que Putin decida quando é que os ucranianos podem escolher o seu governo”, afirmou.

“A democracia não é um luxo reservado aos tempos de paz. A democracia é parte daquilo por que hoje estamos a lutar.”

Intervenção de Fedorov surgiu após a nomeação por Zelenskyy de Yevhen Khmara, ministro da Defesa interino e antigo chefe do Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU), para assumir o cargo em definitivo.

A decisão parecia pôr fim a semanas de incerteza sobre o futuro de Fedorov.

Ministro interino da Defesa da Ucrânia, Yevhen Khmara, ao centro, durante uma reunião com o secretário da Defesa britânico, Wes Streeting, em Kiev, quarta‑feira, 5 de agosto de 2026.
Ministro interino da Defesa da Ucrânia, Yevhen Khmara, ao centro, durante uma reunião com o secretário da Defesa britânico, Wes Streeting, em Kiev, quarta‑feira, 5 de agosto de 2026. AP Photo

Após a demissão, Zelenskyy ofereceu‑lhe vários cargos de topo no governo, incluindo funções de vice-primeiro-ministro, mas Fedorov rejeitou‑os, insistindo que só regressaria para voltar a chefiar o ministério da Defesa.

A nomeação de Khmara afastou essa possibilidade. As declarações de Fedorov, mais tarde nessa terça‑feira, desviaram o foco da disputa em torno do antigo cargo para questões mais amplas: eleições, responsabilidade política e exercício do poder em tempo de guerra.

A decisão de se dirigir aos ucranianos nas redes sociais com um discurso político e de se concentrar em temas que vão muito além da sua antiga pasta ministerial já alimentou especulações sobre as ambições políticas de um dos ex-ministros mais populares da Ucrânia.

Até agora, Fedorov nunca tinha defendido a realização de eleições durante a guerra.

Só o fez depois de a nomeação de Khmara deixar claro que não regressaria ao ministério da Defesa.

Ativistas gritam palavras de ordem durante uma concentração para denunciar a decisão de Volodymyr Zelenskyy de demitir o ministro da Defesa Mykhailo Fedorov após seis meses no cargo, 17 de julho de 2
Ativistas gritam palavras de ordem durante uma concentração para denunciar a decisão de Volodymyr Zelenskyy de demitir o ministro da Defesa Mykhailo Fedorov após seis meses no cargo, 17 de julho de 2 AP Photo

Na Ucrânia não se realizam eleições nacionais desde que a Rússia lançou a invasão em grande escala, em fevereiro de 2022. De acordo com a Constituição ucraniana, não podem decorrer eleições sob lei marcial e organizar uma votação nacional durante a guerra colocaria desafios de segurança e logísticos consideráveis, incluindo como permitir que as tropas, os milhões de ucranianos que vivem no estrangeiro e as pessoas nas zonas da linha da frente possam votar.

Fedorov não pediu uma votação imediata nem avançou qualquer calendário. Defendeu antes que a Ucrânia deve criar um mecanismo que permita realizar eleições em plena guerra, dando aos ucranianos a possibilidade de avaliar o desempenho dos responsáveis políticos e decidir se estes continuam a merecer a confiança pública.

Defendeu que a democracia “não pode simplesmente ser adiada” até ao fim da guerra.

O antigo ministro ligou ainda a responsabilização política à condução da guerra, criticando a corrupção e a ineficiência burocrática e alertando que falhas na gestão de dinheiro público podem, em última análise, custar vidas se forem desviados recursos destinados à defesa.

“O poder tem de significar responsabilidade”, afirmou Fedorov, defendendo que os responsáveis a quem são confiados autoridade, fundos públicos ou cargos governamentais devem prestar contas do que conseguiram fazer.

Apelou também a maior transparência por parte das autoridades, sublinhando que a confiança excecional depositada no governo desde a invasão russa não dá aos responsáveis o direito de atuar sem explicar as suas decisões.

“As pessoas não exigem que o Estado nunca cometa erros”, disse Fedorov. “Mas têm direito à verdade.”

Mykhailo Fedorov fala durante uma conferência com jornalistas em Kiev, Ucrânia, quinta‑feira, 16 de julho de 2026
Mykhailo Fedorov fala durante uma conferência com jornalistas em Kiev, Ucrânia, quinta‑feira, 16 de julho de 2026 AP Photo

A intervenção de Fedorov volta a colocar no centro do debate a questão politicamente sensível das eleições, numa altura em que Zelenskyy procura pôr termo a um mês de turbulência no ministério da Defesa.

Khmara, cuja nomeação requer aprovação parlamentar, é um veterano dos serviços de segurança ucranianos que anteriormente comandou o centro de operações especiais Alpha do SBU.

Esteve envolvido na operação de 2022 para retomar a ilha das Serpentes e mais tarde supervisionou a campanha ucraniana de ataques com drones de longo alcance contra a Rússia. Assumiu a liderança interina do SBU em janeiro de 2026, depois da demissão de Vasyl Maliuk.

Fedorov não criticou publicamente Khmara e parece ter procurado uma transição sem sobressaltos para o sucessor. Numa entrevista em 6 de agosto, disse ter apresentado pessoalmente a Khmara um detalhado “plano de guerra”.

“Foi a primeira coisa que fiz, mostrei‑lho pessoalmente”, afirmou Fedorov. Acrescentou que explicou como o plano se traduzia em aquisições e desenvolvimento, desdobrando a estratégia geral em centenas de projetos individuais que abrangem desde a produção de armamento ao respetivo financiamento.

Fumo ergue‑se do edifício de apartamentos danificado após ataque aéreo russo em Kramatorsk, 18 de agosto de 2026
Fumo ergue‑se do edifício de apartamentos danificado após ataque aéreo russo em Kramatorsk, 18 de agosto de 2026 AP Photo

Mas a decisão de Fedorov de se dirigir diretamente aos ucranianos sobre eleições, confiança pública e responsabilidade governativa sugere que a saída do cargo poderá marcar o início de um papel político diferente, em vez de um afastamento da vida pública.

Este cenário contrasta com a forma como Fedorov descrevia o próprio futuro há apenas algumas semanas. Numa entrevista ao Ukrainska Pravda, no final de julho, disse que não se via como político e que se sentia desconfortável a discutir eventuais ambições políticas.

“Sinceramente, não me vejo como político”, afirmou Fedorov. “Sou, afinal, um gestor que constrói sistemas complexos, os gere e vê os resultados.”

Na altura, afirmou que continuaria a construir sistemas que pudessem ajudar a Ucrânia a pôr fim à guerra, mas que só decidiria o que fazer a seguir quando a turbulência em torno da sua saída do governo tivesse chegado ao que chamou uma “conclusão lógica”.

“Depois disso, perceberei claramente o que vou fazer e para onde vou”, disse.

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