Arday, que se tornou o mais jovem professor negro de sempre em Cambridge quando foi nomeado em 2023, foi encontrado morto na sexta-feira, aos 41 anos.
Uma universidade belga suspendeu, na quinta-feira, um académico norte-americano que liderou as acusações de plágio contra Jason Arday, o antigo professor negro de Cambridge que foi encontrado morto na semana passada, após se ter demitido devido ao escândalo.
O investigador Nathan Cofnas, que se autodefine como “realista racial” e que foi despedido do seu posto em Cambridge há dois anos, escreveu na rede X: “Acabei de ser suspenso pela Universidade de Ghent. Quase de certeza que me vão despedir.”
Sem mencionar Cofnas, a Universidade de Ghent afirmou, em comunicado, que tinha iniciado uma “investigação disciplinar preliminar” a um investigador pós-doutorado envolvido na controvérsia, suspendendo-o “por precaução”.
Arday, que se tornou o mais jovem professor negro da história de Cambridge quando foi nomeado em 2023, foi encontrado morto na sexta-feira, com 41 anos.
Enfrentava acusações crescentes de que tinha plagiado partes da sua tese de doutoramento e exagerado alguns feitos da sua vida pessoal.
Diagnosticado, em criança, com autismo e outras dificuldades de desenvolvimento, Arday tinha contestado as acusações que lhe eram dirigidas.
Mas demitiu-se a 5 de agosto, escrevendo na carta de demissão que tinha “atingido os limites do que qualquer pessoa pode razoavelmente ser obrigada a suportar”.
As preocupações relativas a plágio envolvendo Arday surgiram pela primeira vez há vários anos, mas não tiveram seguimento na altura, depois de um jornalista ter recuado numa investigação mais aprofundada quando o professor ameaçou avançar com uma ação judicial.
No mês passado, porém, Cofnas veio afirmar que tinha encontrado numerosos casos de plágio nos trabalhos do professor e o caso ganhou dimensão, recebendo ampla cobertura mediática no Reino Unido e nos Estados Unidos.
Meios de comunicação britânicos e comentadores de direita aproveitaram a polémica, alegando que Arday tinha beneficiado de forma injusta das políticas de diversidade, igualdade e inclusão (DEI).
A Universidade de Gante afirmou que estava agora a “avaliar” se existem fundamentos suficientes para instaurar um processo disciplinar formal no caso.
Num comunicado anterior, divulgado na quarta-feira, a universidade afirmou estar “chocada” com a morte de Arday e que levava “muito a sério” as declarações públicas do seu investigador sobre o antigo professor.
“A Universidade de Ghent defende o respeito pela dignidade humana e opõe-se à discriminação, ao ódio e ao racismo”, lê-se no comunicado da reitora da universidade, Petra De Sutter, e do vice-reitor, Herwig Reynaert.
“Atribuímos grande importância à liberdade académica e ao debate académico aberto, mesmo quando as posições são controversas”, acrescentou.
“No entanto, essa liberdade não é ilimitada. Caminha lado a lado com a responsabilidade e pode ser limitada para proteger os direitos dos outros.”