Responsáveis em Kiev propõem usar parte do empréstimo de 90 mil milhões de euros da UE para comprar sistemas antimísseis, disse à Euronews fonte próxima. Origem continua incerta.
Um responsável da Comissão Europeia próximo das discussões em torno do empréstimo de 90 mil milhões de euros da UE à Ucrânia disse à Euronews que Kiev sugeriu que a próxima dotação de financiamento para a defesa poderá ser usada para adquirir sistemas de mísseis antibalísticos, entre outras capacidades.
O responsável não pôde especificar se se trataria do sistema de mísseis de defesa antiaérea Patriot, de fabrico norte‑americano, ou do seu equivalente europeu, o sistema de mísseis terra‑ar franco‑italiano SAMP/T NG, uma vez que as discussões continuam e ainda não foi definido um calendário formal de aquisições.
Espera‑se que a encomenda seja feita antes de setembro, prevendo‑se também o pedido de mísseis e drones.
Os comentários surgem numa altura em que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, condenou um ataque russo mortal na Ucrânia, na madrugada de quarta‑feira, que matou pelo menos 16 pessoas e feriu 33. Von der Leyen deixou entender que apoio antibalístico estará a caminho.
“A Rússia está a perder a guerra que começou. E está a retaliar, atacando civis e infraestruturas civis”, afirmou numa declaração publicada na plataforma de redes sociais X.
“Estamos a trabalhar com os Estados‑membros e com os nossos parceiros para apoiar as capacidades antibalísticas da Ucrânia, para que a Ucrânia tenha meios para evitar a perda de vidas.”
A origem dos eventuais sistemas de mísseis antibalísticos poderá gerar descontentamento, já que muitos Estados‑membros da UE, como a França, defendem que o apoio financeiro do bloco deve servir para comprar armamento europeu e apoiar a indústria de defesa do continente.
Outros consideram, porém, que a Ucrânia deve ter total flexibilidade para comprar o que for necessário para se defender de imediato da invasão em larga escala pela Rússia.
“As necessidades urgentes da Ucrânia devem estar no centro das atenções”, escreveram os ministros da Defesa da Finlândia, Suécia, Lituânia, Dinamarca, Polónia, Estónia e Letónia numa carta publicada em julho, na qual defendem maior flexibilidade na assistência financeira.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, reiterou recentemente os apelos a Washington para disponibilizar mais mísseis intercetores Patriot, de modo a que as forças armadas ucranianas possam repelir mísseis russos, atravessar o inverno e “salvar vidas”.
No entanto, anunciou também em julho que a Ucrânia será o primeiro “utilizador em combate” dos sistemas de mísseis franco‑italianos SAMP/T NG.
De acordo com uma declaração pública, Kiev tenciona encomendar os sistemas através das tranches de 2026 e 2027 do empréstimo de apoio à Ucrânia, que deverão começar a ser entregues “o mais rapidamente possível” a partir do próximo ano.
Cláusula “Made in Europe”
Cerca de 60 mil milhões de euros, dos 90 mil milhões do empréstimo, serão destinados a reforçar a defesa do país em tempo de guerra, com o restante a apoiar o orçamento nacional da Ucrânia.
Um total de 28,3 mil milhões de euros será disponibilizado à Ucrânia em 2026 para apoiar as capacidades industriais de defesa do país, com parte desse montante já paga.
A cláusula “Made in Europe” da dotação para a defesa pretende garantir que, tanto quanto possível, o financiamento se destina a produtores europeus, e não estrangeiros, de capacidades militares.
É dada prioridade a produtores ucranianos, às indústrias de defesa da UE e do espaço EEE‑EFTA, embora seja possível algum acesso para países terceiros.
Bruxelas pode conceder uma derrogação em matéria de defesa se os ucranianos quiserem avançar para a aquisição de armamento que não seja fabricado na Europa, como o sistema de defesa antiaérea Patriot. Já foram concedidas exceções anteriormente para a compra de sistemas de drones.