A monarquia norueguesa remonta ao século IX. Em 1905, quando o país recuperou a independência, três quartos dos eleitores apoiaram a sua restauração num referendo nacional.
A Noruega tem um novo rei. O príncipe herdeiro Haakon, de 53 anos, tornou-se o rei Haakon VIII quando o pai, Harald V, morreu na sexta-feira.
A filha mais velha de Haakon torna-se agora a princesa herdeira Ingrid Alexandra e sucessora ao trono.
Haakon já está familiarizado com o cargo, depois de ter exercido várias vezes as funções de regente nos últimos anos, à medida que a saúde do pai se deteriorava.
A monarquia norueguesa remonta ao rei Harald "Cabelo Belo", no século IX.
Atualmente, o papel do monarca é em grande medida simbólico, com o poder político nas mãos de um parlamento eleito. Ainda assim, a família real mantém grande visibilidade e desempenha um papel na representação da Noruega a nível internacional.
Quem é Haakon VIII
Haakon é o filho mais novo de Harald, nascido dois anos depois da irmã, a princesa Martha Louise. Mas, por ser o filho homem mais velho, tornou-se herdeiro do trono quando o avô, o rei Olav, morreu em 1991.
A Noruega alterou a Constituição em 1990 para dar prioridade, na linha de sucessão, ao primogénito, independentemente do género. A alteração não foi aplicada retroativamente.
Haakon contou num livro publicado em 1998 que, em criança, sonhava ter uma loja de brinquedos, mas cedo percebeu que o caminho já estava traçado e que um dia seria rei.
O novo rei é licenciado em Ciência Política pela Universidade da Califórnia, em Berkeley, e tem um mestrado em estudos de desenvolvimento pela London School of Economics, com especialização em comércio internacional e África.
Frequentou também a Academia Naval Real da Noruega e concluiu um programa de formação diplomática.
Surfista e esquiador entusiasta, Haakon disse uma vez ao canal público norueguês NRK que, se não fosse membro da família real, teria sido surfista.
Fã de rock e de rap, também participou em festivais de música em vários pontos da Europa na juventude.
Como o casamento dividiu o país
Haakon conheceu Mette-Marit Tjessem Hoiby, mãe solteira, num festival de música em 1999.
A relação entre os dois dividiu a Noruega, em parte devido às ligações dela a ambientes festivos onde se consumiam drogas ilegais.
Enquanto alguns celebravam o casal, outros questionavam se ela seria adequada para o futuro rei.
Ainda assim, Haakon obteve a autorização do pai para casar com Mette-Marit e, apesar do passado, ela acabou por conquistar grande parte da opinião pública norueguesa.
O casal casou na catedral de Oslo, em agosto de 2001, e tem dois filhos, Ingrid Alexandra e o príncipe Sverre Magnus.
Haakon tornou-se também padrasto do filho de Mette-Marit, Marius Borg Hoiby, que não tem título real.
Desafios para Haakon: ligações da esposa a Epstein e julgamento do enteado
Haakon enfrenta o desafio de estabilizar a monarquia e recuperar a popularidade da família real após as revelações sobre contactos no passado da esposa com o já falecido agressor sexual Jeffrey Epstein e a condenação por violação do enteado.
Em junho, Hoiby foi condenado a quatro anos de prisão depois de ter sido considerado culpado em duas das quatro acusações de violação. Foi igualmente condenado por agressão e maus-tratos numa relação próxima. Os advogados disseram que vão recorrer da condenação.
O julgamento decorreu numa altura de novo escrutínio sobre a família real devido às ligações de Mette-Marit a Epstein. Ela pediu desculpa por ter mantido contacto com o já falecido agressor sexual, admitindo falta de discernimento. Não é acusada de qualquer crime.
Um dos desafios de Haakon, já como rei, será reconstruir o apoio público à família real, que tem vindo a diminuir nos últimos anos e foi ainda mais afetado pelo julgamento de Hoiby.
A irmã de Haakon, Martha Louise, também tem sido alvo de críticas devido a crenças pouco convencionais, incluindo a afirmação de que consegue comunicar com anjos.
Uma sondagem de 2022 do jornal norueguês Dagbladet indicou que 68% dos inquiridos apoiavam a manutenção da monarquia, abaixo dos 81% registados numa sondagem da NRK em 2017.