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Protestos por Ceuta em Madrid deixam 4 detidos, 4 polícias feridos e agressões a jornalistas

Manifestantes reúnem-se em apoio a Ceuta para assinalar o aniversário da cidade, em Madrid, Espanha, em 2 de setembro de 2026.
Manifestantes reúnem-se em apoio de Ceuta para assinalar o aniversário da cidade, em Madrid, Espanha, em 2 de setembro de 2026 Direitos de autor  Gabriel Luengas/Europa Press vía AP
Direitos de autor Gabriel Luengas/Europa Press vía AP
De Christina Thykjaer
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Quatro pessoas foram detidas e quatro agentes da Polícia Nacional ficaram feridos nos distúrbios que, na noite passada em Madrid, encerraram os protestos por Ceuta.

Quatro pessoas foram detidas e quatro agentes da Polícia Nacional ficaram feridos na sequência dos distúrbios, na noite de quarta-feira, em Madrid durante os protestos por Ceuta. Centenas de milhares de pessoas concentraram-se em numerosos pontos de Espanha, com uma participação especialmente elevada na própria cidade autónoma, em Madrid e em Sevilha.

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O dia começou de forma pacífica na maioria das cidades, com concentrações diante dos municípios e noutros pontos centrais para mostrar o apoio a Ceuta em plena crise migratória. As mobilizações estiveram acompanhadas de numerosas bandeiras espanholas e ceutenses e de palavras de ordem críticas da gestão do Governo de Pedro Sánchez.

Madrid recebeu uma das maiores concentrações da jornada. A Delegação do Governo contabilizou mais de 50.000 participantes, enquanto o município da capital elevou a participação para 150.000 pessoas.

Os principais incidentes ocorreram já no final da noite, nas imediações do Congresso dos Deputados, onde tinha sido convocada uma concentração sob o lema “Ceuta une-nos” por cidadãos ceutenses residentes em Madrid. À manifestação juntaram-se também membros da organização de extrema-direita Núcleo Nacional.

A tensão aumentou quando um grupo de manifestantes começou a lançar objetos contra os agentes destacados para a zona. A Polícia Nacional respondeu utilizando material anti-motim, incluindo gás lacrimogéneo e balas de borracha, para dispersar os participantes. Parte dos manifestantes deslocou-se então pelas ruas próximas do Congresso e, durante os incidentes, ouviram-se também palavras de ordem racistas.

O balanço provisório da Delegação do Governo em Madrid é de quatro detidos (dois adultos e dois menores) por presumíveis crimes de desordem pública e atentado contra a autoridade. Quatro agentes da Polícia Nacional ficaram ainda feridos: três com ferimentos ligeiros e um quarto ficou pendente de avaliação médica.

Jornalistas agredidos durante os protestos

A jornada deixou ainda incidentes contra profissionais da comunicação social. Jornalistas foram insultados e agredidos durante as mobilizações de Madrid e de Ceuta. Na capital, a Polícia teve de intervir depois de vários manifestantes se terem confrontado com profissionais da imprensa.

O presidente da RTVE, José Pablo López, denunciou agressões contra trabalhadores da estação que estavam a cobrir os protestos. Os Repórteres Sem Fronteiras (RSF) em Espanha também condenaram a violência sofrida por jornalistas durante a cobertura da crise migratória e humanitária de Ceuta.

Entre os testemunhos recolhidos pela organização está o do veterano fotojornalista ceutense Antonio Sempere, que relatou que um manifestante o agarrou, insultou e fotografou com a intenção de o humilhar posteriormente nas redes sociais. Sempere assegurou ainda que outro indivíduo o insultou quando circulava de carro pelo porto e o obrigou a realizar uma manobra brusca que quase o fez sair da estrada.

O Sindicato de Jornalistas da Andaluzia, Ceuta e Melilha (SPA-CM) denunciou também insultos, ameaças, intimidações e agressões contra profissionais que acompanham a situação na cidade autónoma e reclamou às autoridades que garantam a sua segurança.

Contramanifestações antirracistas em Madrid, Barcelona e outras cidades

As mobilizações em apoio a Ceuta tiveram também resposta nas ruas. Madrid, Barcelona, Granada e Múrcia, entre outras cidades, acolheram concentrações antirracistas convocadas de forma paralela às manifestações que se realizaram esta quarta-feira em numerosos pontos do país.

Em Madrid, centenas de pessoas reuniram-se na praça de Callao sob o lema “Paremos os pés ao racismo”, numa convocatória impulsionada por coletivos sociais e organizações de esquerda. Os participantes reclamaram ao Governo que se sente a dialogar com os coletivos antirracistas e que impulsione uma lei contra o racismo nas instituições.

Alguns dos participantes criticaram ainda a política migratória do Executivo e acusaram o Estado de pretender “negar o asilo a todos”. A coincidência de mobilizações de sinal contrário gerou momentos de tensão no centro de Madrid. A Polícia interveio para evitar confrontos depois de participantes de ambas as convocatórias terem trocado insultos.

Um dos últimos episódios de tensão ocorreu devido à presença do ativista Vito Quiles, que tentou falar com alguns dos participantes na concentração antirracista de Callao. Vários manifestantes acusaram-no de se ter deslocado ao local com intenção de provocar.

Espanha: protestos por Ceuta chegam também a Bruxelas e Paris

As mobilizações em apoio a Ceuta tiveram também eco fora de Espanha. Em Bruxelas, cerca de 200 pessoas se concentraram em frente ao Parlamento Europeu para mostrar o seu apoio à cidade autónoma. Também houve uma convocatória em Paris.

As concentrações estiveram ligadas à crise aberta após a intensa entrada de milhares de imigrantes provenientes de Marrocos no final de julho. Mais de um mês depois, a situação de Ceuta continua no centro do debate político e social.

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