O ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, solicitou ao diretor da polícia que confirmasse a existência de um relatório que associa guardas marroquinos à entrada em massa em Ceuta e que esclarecesse desde quando se tinha conhecimento do mesmo.
O ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, pediu explicações ao diretor-geral da Polícia, Francisco Pardo, sobre um relatório que aponta para que gendarmes marroquinos tenham guiado imigrantes durante a entrada em massa em Ceuta e que agentes à civil lhes tenham indicado por onde atravessar a fronteira.
O documento, ao qual vários meios de comunicação espanhóis tiveram acesso, sustenta que o principal objetivo do governo marroquino era colapsar o sistema de controlo fronteiriço espanhol e neutralizar a capacidade de resposta do Estado.
Além disso, associa-o diretamente às reivindicações territoriais de Rabat sobre Ceuta e Melilla.. A informação chegou às mãos da juíza da Audiencia Nacional, María Tardón, através da unidade de inteligência vinculada à Comissaria Geral de Estrangeiros e Fronteiras, CENIF.
Marlaska pede explicações à polícia pela crise migratória de Ceuta
Na carta, à qual meios espanhóis tiveram acesso, Grande‑Marlaska pede a Pardo que confirme se as informações divulgadas são verdadeiras e, em caso afirmativo, que esclareça desde quando a Polícia Nacional dispõe desses dados. O ministro considera essa informação “absolutamente essencial” para que o governo possa “adotar as decisões oportunas” em relação com a crise migratória de Ceuta.
Grande‑Marlaska recorda que, tendo sido declarada uma situação de interesse para a segurança nacional ao abrigo da Lei 36/2015, este tipo de informação deve ser transmitido de imediato aos membros do Conselho de Segurança Nacional e aos restantes organismos competentes.
Essa obrigação, sublinha, mantém‑se independentemente das diligências judiciais, que ainda se encontram “num estádio incipiente”. “Agradecerei que me informes com a maior brevidade sobre a veracidade do que foi publicado”, conclui o ministro na missiva.
No entanto, a versão defendida até agora pelo governo de Pedro Sánchez aponta noutra direção. Segundo a ministra porta-voz, Elma Saiz, as últimas “provas” de que o governo dispõe atribuem à Rússia, Israel e à internacional de extrema‑direita a instigação de uma campanha de desinformação relacionada com a crise migratória. O governo sustenta que não existem provas de uma participação marroquina.
Relatório indica gendarmes e agentes marroquinos à paisana
De acordo com “El Español” e “Código 10”, Marlaska recebeu em 29 de julho um primeiro relatório de um organismo da Polícia Nacional que alertava para um “risco extremo de entrada massiva” em Ceuta. O documento sustenta que agentes marroquinos terão participado na organização da entrada e inclui, segundo ambos os meios, fotografias e nomes de alguns dos alegados envolvidos.
Entre estes figurariam gendarmes fardados que terão encaminhado os migrantes para pontos específicos de acesso e presumíveis agentes de serviços de informações à paisana que, de acordo com os registos gráficos citados, terão dado instruções no terreno, no esporão de El Tarajal.
O relatório acrescenta que 14 alegados jihadistas terão conseguido entrar em Ceuta entre 30 e 31 de julho, afirmação que o Ministério da Administração Interna negou posteriormente. As fontes citadas por ambos os meios descrevem o episódio como uma suposta operação de contra‑informação ofensiva que, entre outros objetivos, terá procurado pôr em causa o Centro Nacional de Inteligência (CNI) por não ter antecipado a entrada massiva.
Esta análise integra a informação solicitada pela juíza María Tardón para determinar se existem indícios de que a atuação marroquina na fronteira possa estar relacionada com um crime contra a independência do Estado.
A Euronews contactou a Polícia Nacional e o Ministério da Administração Interna para solicitar a sua versão, mas, até ao fecho deste artigo, não tinha obtido resposta.