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Cronologia: como um drone russo quase atingiu o avião de Zelenskyy na Moldova

Foto de arquivo: O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy desce do avião à chegada ao aeroporto de Esenboga, em Ancara, Turquia, a 15 de maio de 2025
Arquivo: o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy desce as escadas do avião à chegada ao aeroporto de Esenboga, em Ancara, Turquia, 15 de maio de 2025 Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Sasha Vakulina
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A recente incursão de drones russos na Moldova e no espaço aéreo da NATO ocorre numa altura em que Moscovo usa drones de ataque a jato, aproximando-os de mísseis de cruzeiro baratos e dificultando a sua interceção.

Na tarde de terça-feira, o avião do presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, preparava-se para descolar de Chișinău rumo a Oslo quando os militares moldavos detetaram um veículo aéreo não tripulado no espaço aéreo do país.

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O que inicialmente parecia ser mais uma incursão de um drone russo ganhou outra dimensão no dia seguinte, quando o primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Støre, revelou que o avião de Zelenskyy quase tinha sido atingido por um drone.

“O voo dele esteve prestes a ser atingido por um drone quando descolava da Moldova. Essa é a realidade em que vive”, afirmou Støre à cadeia pública norueguesa NRK.

A cronologia ajuda a perceber como os acontecimentos se desenrolaram.

Os militares moldavos detetaram pela primeira vez um veículo aéreo não tripulado não identificado às 16h20 (hora da Europa Central, menos uma hora em Lisboa).

Às 16h37, o Ministério da Defesa da Roménia indicou que o drone tinha entrado no espaço aéreo romeno e, por consequência, da NATO.

Dois minutos depois, dois caças F‑18 espanhóis, destacados no âmbito da missão reforçada de policiamento aéreo da NATO, descolaram para o seguir.

Os caças não chegaram a interceptar o drone. O radar romeno continuou a acompanhá-lo até às 17h02, momento em que se perdeu o contacto.

Cinco minutos depois, às 17h07, o drone foi novamente detetado sobre a Moldova, onde viria a cair cerca de 25 quilómetros a leste da fronteira com a Roménia.

De acordo com canais de monitorização, o avião de Zelenskyy descolou de Chișinău por volta das 17h57.

Durante grande parte da guerra em larga escala da Rússia na Ucrânia, iniciada no início de 2022, Zelenskyy tem viajado para o estrangeiro sobretudo através da Polónia, com Rzeszów a funcionar como ponto habitual de partida.

Nos últimos meses, porém, o avião presidencial começou também a usar Chișinău com mais frequência nas deslocações ao exterior.

Avião do Presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, chega a Calgary, Alberta, quarta-feira, 9 de setembro de 2026
Avião do Presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, chega a Calgary, Alberta, quarta-feira, 9 de setembro de 2026 AP Photo

Que tipo de drone era

O modelo exato do drone envolvido nos incidentes na Moldova e na Roménia não foi oficialmente determinado.

Canais ucranianos de monitorização em fontes abertas identificaram-no como um Geran‑4, um dos mais recentes drones de ataque russos a jato.

Os modelos Geran‑4 e Geran‑5 estão entre as mais recentes adições à crescente família Geran da Rússia, embora difiram significativamente em termos de conceção e capacidades.

O Geran‑4 tem uma envergadura de cerca de três metros e um comprimento aproximado de 3,5 metros. O peso máximo à descolagem ronda os 450 quilogramas.

Segundo os serviços de informações militares ucranianos, o Geran‑4 pode atingir velocidades até 500 km/h e transportar uma ogiva entre 50 e 90 quilogramas.

ARQUIVO: Drone russo “Geran‑2” exposto numa mostra de equipamento militar russo destruído, em primeiro plano. 28 de fevereiro de 2026
ARQUIVO: Drone russo “Geran‑2” exposto numa mostra de equipamento militar russo destruído, em primeiro plano. 28 de fevereiro de 2026 AP Photo

A Rússia tem vindo recentemente a reforçar o recurso a drones propulsionados a jato, incluindo em ataques complexos combinados com mísseis balísticos e de cruzeiro, concebidos para saturar as defesas aéreas ucranianas.

A velocidade destes aparelhos torna-os muito mais difíceis de intercetar do que os drones convencionais do tipo Shahed, sobretudo para os grupos móveis de tiro e outros sistemas relativamente pouco dispendiosos em que a Ucrânia tem confiado para enfrentar UAV mais lentos.

A Ucrânia vê-se assim obrigada a recorrer a mísseis de defesa aérea escassos e bastante mais caros para neutralizar estas ameaças mais rápidas, o que aumenta a pressão sobre reservas de interceptores já limitadas.

Várias empresas ucranianas terão já começado a testar mísseis especificamente concebidos para abater os novos modelos Geran a jato.

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