A agência europeia de cibersegurança ENISA passou a ter acesso ao Mythos 5, um dos modelos de IA mais avançados da Anthropic, com capacidades cibernéticas disruptivas, três meses após o lançamento para parceiros selecionados.
Bruxelas conseguiu finalmente acesso ao modelo mais potente da Anthropic, cuja disponibilização tinha sido limitada devido às suas avançadas capacidades de pirataria informática. O pedido demorou, no entanto, mais de três meses a produzir resultados.
"Na sequência do nosso diálogo construtivo com a Anthropic, podemos confirmar que a agência de cibersegurança da UE, a ENISA, obteve acesso ao Mythos 5 e está a testá-lo neste momento", afirmou o porta-voz da Comissão Europeia para a soberania tecnológica, Thomas Regnier.
Em abril, este laboratório de ponta em inteligência artificial lançou uma versão preliminar do Mythos 5, um modelo capaz de identificar e explorar vulnerabilidades de cibersegurança a uma velocidade sem precedentes, transformando-o numa poderosa ferramenta de pirataria informática.
Face às implicações para a cibersegurança, a Anthropic limitou o acesso ao modelo a um grupo restrito de parceiros, através do Project Glasswing, desenvolvido em colaboração com o Governo dos Estados Unidos.
O programa arrancou em abril com cerca de 50 organizações, antes de a Anthropic o alargar, em junho, a mais 150, elevando o total para cerca de 200 parceiros. Posteriormente, o Governo norte-americano introduziu medidas de controlo das exportações que proibiram o acesso a utilizadores não americanos em todo o mundo, incluindo funcionários da própria Anthropic fora dos Estados Unidos.
A decisão levou a Comissão Europeia a questionar se se tratava de uma prática discriminatória face a um parceiro de confiança, alimentando receios de que Washington esteja não só em posição, como também disposto, a acionar um "kill switch" sobre as mais recentes tecnologias norte-americanas.
Bruxelas continuou a pressionar a Anthropic para obter acesso, que acabou por ser concedido na quinta-feira. A Comissão dispõe de amplos poderes regulatórios ao abrigo da Lei da IA da UE, poderes que podem levar as empresas tecnológicas a hesitar em partilhar informações que mais tarde possam ser utilizadas em processos por infração.
"Anteriormente, a ENISA já tinha obtido acesso ao modelo GPT-5.6-Cyber da OpenAI. Também foi concedido acesso ao mais recente modelo da OpenAI, o GPT-6 Astra", acrescentou Regnier.