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Finlândia treina alunos para detetar deepfakes de IA após décadas de literacia mediática

Ilo Lindgren, de 10 anos, aluno do 4.º ano, durante uma aula de literacia mediática na Escola Primária de Tapanila, em Tapanila, Finlândia
Ilo Lindgren, aluno do 4.º ano, de 10 anos, trabalha durante uma aula de literacia mediática na Escola Básica de Tapanila, em Tapanila, Finlândia Direitos de autor  AP Photo/James Brooks
Direitos de autor AP Photo/James Brooks
De Euronews with AP
Publicado a Últimas notícias
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Com a proliferação de deepfakes online, Finlândia integra literacia em IA no currículo escolar para ajudar crianças desde os 3 anos a reconhecer notícias falsas geradas por IA.

A batalha contra as notícias falsas na Finlândia começa nas salas de pré-escolar.

Há décadas, o país nórdico integrou a literacia mediática, incluindo a capacidade de analisar diferentes tipos de meios de comunicação e reconhecer desinformação, no currículo nacional para alunos a partir dos três anos.

O trabalho letivo faz parte de um programa robusto de combate à desinformação para tornar os finlandeses mais resistentes à propaganda e a alegações falsas, sobretudo as que atravessam a fronteira de 1 340 quilómetros com a vizinha Rússia.

Agora, os professores têm de acrescentar literacia em inteligência artificial (IA) aos programas, sobretudo depois de a Rússia ter intensificado a sua campanha de desinformação na Europa após a invasão em larga escala da Ucrânia, há quase quatro anos

A adesão da Finlândia à NATO em 2023 também suscitou a ira de Moscovo, embora a Rússia negue repetidamente interferir nos assuntos internos de outros países.

"Achamos que ter boas competências de literacia mediática é uma grande competência cívica", disse Kiia Hakkala, especialista pedagógica do Município de Helsínquia.

"É muito importante para a segurança do país e para a segurança da nossa democracia", acrescentou.

Literacia em IA torna-se competência vital

Na Escola Básica de Tapanila, num bairro tranquilo a norte de Helsínquia, o professor Ville Vanhanen ensinou uma turma do 4.º ano a detetar notícias falsas.

Num ecrã de televisão, surgia a faixa "Facto ou ficção?"; o aluno Ilo Lindgren avaliou o desafio. "É um bocadinho difícil", admitiu o rapaz de 10 anos.

Vanhanen disse que os alunos aprendem sobre notícias falsas e desinformação há anos, começando pela leitura de títulos e textos curtos. Numa aula recente, os alunos do 4.º ano tiveram de indicar cinco aspetos a que prestar atenção ao consumir notícias online para garantir que são fiáveis. Agora avançam para a literacia em IA, que rapidamente se torna uma competência essencial

"Temos estudado como reconhecer se uma imagem ou um vídeo foram gerados por IA", acrescentou Vanhanen, professor e subdiretor da escola.

Os media finlandeses também contribuem, organizando anualmente a "Semana do Jornal", em que jornais e outras notícias são enviados aos jovens para leitura. Em 2024, o Helsingin Sanomat, sediado em Helsínquia, colaborou num novo "ABC da Literacia Mediática", distribuído a todos os jovens de 15 anos do país quando iniciam o ensino secundário.

"É muito importante para nós sermos vistos como um local onde se obtém informação verificada, em que se pode confiar, produzida por pessoas que os leitores conhecem, de forma transparente", disse Jussi Pullinen, editor-executivo do diário

Democracia posta em causa pela desinformação

A literacia mediática integra o currículo escolar finlandês desde a década de 1990, e há cursos adicionais para adultos mais velhos que podem ser especialmente vulneráveis à informação errónea.

Estas competências estão tão enraizadas na cultura que o país nórdico, com 5,6 milhões de habitantes, surge regularmente no topo do Índice Europeu de Literacia Mediática. O índice foi compilado pelo Open Society Institute, em Sófia, Bulgária, entre 2017 e 2023.

"Não creio que tivéssemos imaginado que o mundo seria assim", disse o ministro da Educação finlandês, Anders Adlercreutz. "Que seríamos bombardeados com desinformação, que as nossas instituições seriam postas em causa, a nossa democracia realmente posta em causa, através da desinformação".

Com o avanço rápido das ferramentas de IA, professores e especialistas apressam-se a ensinar alunos e público em geral a distinguir factos de notícias falsas.

"Já é muito mais difícil, no espaço informacional, perceber o que é real e o que não é", disse Martha Turnbull, diretora de influência híbrida no Centro Europeu de Excelência para o Combate às Ameaças Híbridas, com sede em Helsínquia. "Acontece que, neste momento, ainda é relativamente fácil detetar falsificações geradas por IA, porque a qualidade não é tão boa como poderia ser".

E acrescentou: "Mas, à medida que a tecnologia evoluir, e sobretudo quando avançarmos para coisas como IA agencial, aí poderá tornar-se muito mais difícil de detetar".

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