Emmanuel Macron transformou o afastamento dos ecrãs numa prioridade para os jovens.
O presidente francês Emmanuel Macron apelou aos alunos do ensino secundário para que tenham, uma vez por mês, um "dia offline", desligando-se dos ecrãs para lerem.
"Deixámo-vos nesta selva, que vos roubou a atenção", disse a cerca de 350 crianças, na quinta-feira, na Cité internationale de la langue française (Cidade Internacional da Língua Francesa), em Paris.
Em janeiro, defendeu a proibição das redes sociais para menores de 15 anos e, em 2024, encarregou uma equipa de peritos que concluiu que as crianças com menos de três anos não devem ter qualquer tempo de ecrã.
"É preciso abrandar e ajudar-vos a tornarem-se adultos e, acima de tudo, cidadãos", afirmou Macron.
"Por isso, o que queremos é dizer que, antes dos 15 anos, nada de redes sociais. E gostaríamos que, um dia por mês, houvesse um dia offline... para mostrar que é possível", disse, acrescentando que esse dia pode ser usado para ler ou para outras atividades, como encenar peças de teatro.
O líder francês lançou e mandou renovar a Cité internationale de la langue française, no âmbito do seu mandato para relançar projetos culturais.
Em abril, os senadores franceses aprovaram um plano para restringir o acesso às redes sociais para menores de 15 anos. Mas a proposta do Senado difere da versão da Assembleia Nacional (Assemblée Nationale), a câmara baixa francesa, sobre a forma como o acesso às redes sociais deve ser limitado.
O texto aprovado em janeiro pede que todas as plataformas de redes sociais apaguem as contas de menores de 15 anos e recusem novos utilizadores abaixo dessa idade. Prevê, ainda, a proibição de telemóveis nas escolas secundárias.
Diferenças entre as versões da proibição significam que será provavelmente necessário encontrar um compromisso, o que pode atrasar a aplicação da lei.
França não é o único país a ponderar uma proibição das redes sociais para menores de 15 anos. Em toda a Europa, vários países analisam medidas semelhantes, depois da Austrália se ter tornado no primeiro país do mundo a proibir o acesso às redes sociais a menores de 16 anos, em dezembro.
Entretanto, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, instou as empresas de redes sociais a assumirem a responsabilidade pela segurança das crianças nas suas plataformas e a responderem às exigências de proteção dos pais, em vez de fazerem apenas "pequenos retoques".
"Hoje, apelo aos responsáveis máximos do X, Meta, Snap, YouTube e TikTok para que façam mais", escreveu na rede social X.
"Farei tudo o que for preciso para manter as crianças em segurança online".