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Missão histórica à Lua: tripulação da Artemis II descreve visão mais majestosa de sempre

Tripulação da missão Artemis II da NASA: astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e o canadiano Jeremy Hansen posam para uma fotografia
Tripulação da Artemis II: astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen, da NASA e da Agência Espacial Canadiana (CSA), posam para foto Direitos de autor  AP Photo/Ashley Landis
Direitos de autor AP Photo/Ashley Landis
De Pascale Davies & AP
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Nas primeiras declarações aos jornalistas, os astronautas da Artemis II descrevem o fascínio e o receio em relação à missão histórica.

Passou quase uma semana desde que os quatro astronautas da missão Artemis II concluíram a histórica viagem em torno da Lua, e a tripulação diz que, mentalmente, ainda não regressou à Terra, na primeira conferência de imprensa após o regresso.

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Os três norte-americanos e o canadiano afirmam que o sobrevoo da Lua coloca a NASA numa posição muito mais favorável para uma alunagem tripulada dentro de dois anos e, mais tarde, para a criação de uma base lunar. Falaram a partir do Centro Espacial Johnson da NASA, em Houston, onde estão baseados.

"Esta missão ensinou-me que o desconhecido assusta muito mais do que aquilo que já conhecemos", disse a astronauta Christina Koch. "Sempre que cumpríamos um objetivo de ensaio da missão, olhávamos uns para os outros e pensávamos: 'até correu bastante bem'."

O comandante Reid Wiseman disse mais tarde à Associated Press que, desde que voltou, tem estado tão ocupado que ainda não teve tempo para olhar para a Lua, quanto mais para a cratera Carroll, o nome sugerido pela tripulação para uma cratera brilhante em homenagem à sua falecida mulher.

"Estar a 252 000 milhas de casa foi das coisas mais majestosas e deslumbrantes que os olhos humanos alguma vez verão", afirmou em entrevista à AP.

Mas atravessar de regresso a atmosfera a 39 vezes a velocidade do som "é assustador e arriscado". Foi por isso que, a meio do voo, já só pensava em voltar a casa. "Só queremos abraçar os filhos e garantir-lhes que estamos bem."

Wiseman, o piloto Victor Glover, Koch e o canadiano Jeremy Hansen partiram rumo à Lua a partir da Florida em 1 de abril, na primeira tripulação lunar da NASA em mais de 50 anos e, de longe, a mais diversificada.

A tripulação da Artemis II, da esquerda para a direita, Jeremy Hansen, Reid Wiseman, Christina Koch e Victor Glover, reúne-se com Hansen enquanto este fala durante uma cerimónia de regresso da tripulação, sábado, 11 de abril
A tripulação da Artemis II, da esquerda para a direita, Jeremy Hansen, Reid Wiseman, Christina Koch e Victor Glover, reúne-se com Hansen enquanto este fala durante uma cerimónia de regresso da tripulação, sábado, 11 de abril AP Photo/Michael Wyke)

Tornaram-se os viajantes que foram mais longe de sempre — batendo o recorde da Apollo 13 — ao contornarem o lado oculto da Lua, suficientemente iluminado para revelar detalhes nunca antes vistos pelo olho humano. O espetáculo de um eclipse lunar total aumentou ainda mais o deslumbramento.

A cápsula Orion, batizada Integrity, amarou no Pacífico com paraquedas na última sexta-feira, concluindo uma viagem de quase 10 dias. O regresso a Houston, no dia seguinte, coincidiu com o 56.º aniversário do lançamento da Apollo 13 (fonte em inglês).

Wiseman contou que ele e Glover "talvez tenham visto em dois momentos uma ligeira perda de material carbonizado" no escudo térmico, quando a Integrity atravessou a fase mais rápida e quente da reentrada. Já a bordo do navio de recuperação, inclinaram-se o mais possível para observar a parte inferior da cápsula à procura de sinais de danos. Repararam numa pequena perda de material queimado na zona de ligação do escudo térmico à cápsula.

"Para quatro pessoas a olhar para o escudo térmico, pareceu-nos impecável. Parecia ótimo e a entrada foi realmente impressionante", disse Wiseman.

Advertiu, contudo, que ainda é preciso fazer análises detalhadas. "Vamos passar este escudo térmico a pente finíssimo, não apenas molécula a molécula, provavelmente átomo a átomo", afirmou.

O escudo térmico do primeiro voo de ensaio da Artemis, em 2022 — sem tripulantes — regressou tão marcado e cheio de cavidades que atrasou a Artemis II vários meses, se não anos. Em vez de o reconstruir, a NASA optou por alterar a trajetória de entrada da cápsula para reduzir o aquecimento. As futuras cápsulas terão um novo desenho.

Quando os paraquedas se separaram, mesmo antes da amaragem, Glover disse que sentiu como se estivesse em queda livre — "como mergulhar de costas de um arranha-céus". "Foi isso que senti durante cinco segundos", contou, acrescentando que, quando a descida estabilizou, "foi glorioso".

Desde que regressaram, os quatro astronautas têm sido submetidos a sucessivas baterias de testes médicos para avaliar equilíbrio, visão, força muscular, coordenação e saúde geral.

Chegaram mesmo a voltar a vestir os fatos espaciais para exercícios em condições que simulam a gravidade lunar, um sexto da gravidade terrestre, para perceber quanta resistência e destreza poderão ter os futuros astronautas quando pousarem na superfície da Lua.

A NASA já trabalha na Artemis III, o passo seguinte nos planos ambiciosos de construção de uma base lunar. A plataforma de onde partem os foguetões regressou na quinta-feira ao Edifício de Montagem de Veículos do Centro Espacial Kennedy, onde será preparada para o lançamento da Artemis do próximo ano.

Ainda sem tripulação atribuída, a Artemis III deverá permanecer em órbita da Terra, enquanto os astronautas praticam o acoplamento da cápsula Orion com um ou dois módulos de alunagem em desenvolvimento pela SpaceX, de Elon Musk, e pela Blue Origin, de Jeff Bezos.

A Artemis IV virá depois, em 2028, segundo o calendário mais recente da NASA, e deverá levar dois astronautas a alunar perto do polo sul da Lua.

Nesta fotografia, cedida pela NASA, vêem-se os membros da tripulação da Artemis II, comandante Reid Wiseman, piloto Victor Glover e a especialista de missão Christina Koch
Nesta fotografia, cedida pela NASA, vêem-se os membros da tripulação da Artemis II, comandante Reid Wiseman, piloto Victor Glover e a especialista de missão Christina Koch James Blair/NASA via AP

Desta vez, a NASA aponta para uma presença sustentável na Lua. Nas missões Apollo, as estadias eram curtas. Doze astronautas exploraram a superfície lunar, a começar por Neil Armstrong e Buzz Aldrin, da Apollo 11, em 1969, e a terminar com Gene Cernan e Harrison Schmitt, da Apollo 17, em 1972.

Koch disse que, desde que regressou, ela e os colegas de missão "estão ainda mais entusiasmados e prontos para assumir esse desafio como agência".

Todos terão de aceitar riscos adicionais para concretizar estes objetivos e confiar que eventuais problemas futuros podem ser resolvidos em tempo real, lembrou Hansen.

"Não vamos conseguir deixar tudo perfeito antes de partirmos. Vamos ter de confiar uns nos outros", afirmou.

Embora para eles tudo tenha corrido sem problemas, "também nos ficou muito claro que, de repente, pode ficar tudo bastante turbulento", acrescentou. As futuras tripulações terão de "perceber que as coisas podem mesmo ficar muito turbulentas, muito depressa".

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